Pingando Palavras


07/08/2009


LÓGICA DO CORAÇÃO (ILÓGICO)

 

Ja li em diversos livros, ouvi em diversas rodas de conversa e tambem vi em varios programas sobre o assunto, que o amor nao tem logica, e que nao e logico tambem procurar a logica do amor... parece estranho, eu sei, mas realmente entendo o que esse tao conhecido ditado tem de verdadeiro. A logica nao entra nessa rede de sentimentos, onde juntando diversas sensacoes, chega-se no produto acabado amor.

Hoje ja estou meio rodado pelas estradas desse "mundo velho de meu deus". Conheci a rua muito cedo, onde sai pra tentar ser alguem na vida por meio dos estudos... o que nao vem ao caso agora, pois o assunto a ser tratado e outro, mas com essa introducao posso concatenar melhor as ideias e dizer que ja aos quinze anos, longe, bem longe de casa e da protecao dos meus pais, pude perceber o quanto o amor tinha uma faceta ate entao desconhecida... a descoberta parece ser logica, sim, pois nessa fase esperamos e tentamos entender que "aquilo" que se passa e um amor verdadeiro. O tempo passa rapido, hoje tento entender a situacao plausivel de tantos amores aos quais passei e me vejo envolvido num turbilhao de emocoes diferentes, onde nao consigo entender muito do que foi vivido, nem tampouco pegar experiencia de um para passar pra outro. E disso, tenho a certeza que nao adianta tentar aprender licoes com casos de amor, pois cada experiencia e unica, e ilogica. Romances rapidos, flertes, namoros e ate paixoes que machucam, fizeram parte dessa escola que a estrada me deu. Ia vivendo e pensando comigo que sentido tem o amar e querer ser amado? As coisas acontecem de certo modo que nos deixam atordoados e sem explicacao. Nao, eu nao estou falando aqui de uma crise de saudade ou coisa parecida por um amor do passado. O que tento explicar, e que esse amor ilogico, apos tantas tentativas de o tornar logico num fato plausivel e palpavel, me vem surpreender de novo de maneira mais ilogica do eu ja supunha outrora. Descobri um amor doce, puro e sem maldade, mas sendo esse amor assim tao perfeito, como dizer que e ilogico? Pelo simples fato desse amor ser idealizado, mas com um tanto de certeza de que e assim mesmo. Ou seja, fico imaginando esse amor real, pelas emocoes irreais e subjetivas, pelo som e pelo jeito, e me perco em pensamentos que consomem boa parte do meu dia. A questao da falta de logica do amor se aplica quando vivemos um amor e sofremos, mas tambem se aplica quando nao o vivemos (mesmo vivendo) e nao sofremos. paradoxismos a parte, eu entendo que esse sentimento bom de sentir tambem se torna ilogico, haja visto que o real pode nao ser assim... Mas se existe esse bem estar causado pela sua presenca-ausencia, vou me deliciando entao nessa idealizacao de que poderei ser feliz ao lado desse amor tao bom.

E sendo assim, levados sempre na corrente sem logica do amor, e que os seres humanos vao tentando explicar por meios de formulas, analises, temas religiosos e ate sobrenaturais a verdadeira razao do amor entre dois seres. E enquanto nao vem uma resposta logica para esses fundamentos ilogicos, cada ser tem de ir vivendo da melhor maneira possivel seu amor, mesmo ilogico. Entao, me deixarei levar nessa atitude de querer viver esse amor que estou conhecendo e ratificando sua falta de logica e espero um dia, se nao encontrar o sentido da logica nisso tudo, pelo menos viver feliz ao seu lado (em tempo real) e provando as delicias sem me preocupar com as respostas. Porque amor bom e isso, amar sem querer saber de onde vem, e pra onde vai, apenas sentir, e fazer bem...

 

Escrito por Alexandre Andrade às 19h27
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A PEDRA DO SANTO

 

 

O carro chegou ao estacionamento do hotel ao som de “hoje a noite nao tem luar” e antes de querer descer do carro, resolveram os dois terminar de ouvir sua trilha Sonora. A noite la fora estava silenciosa, sendo quebrado o silencio apenas pelas ondas que batiam nas rochas a beira mar e uma ou outra buzina ao longe, na avenida da orla. Saindo do estacionamento rodearam a construcao do edificio, saindo aos fundos, no topo da pedra da encosta e desceram de encontro a areia. Ao chegarem na praia escura, caminharam de econtro a pedra, tao falada, onde sonhavam juntos seus maiores desejos de amor. A caminhada foi silenciosa, as maos dadas e os olhos juntos olhavam o horizonte escuro do ceu, que beijava o mar ao longe, e onde se viam, vez ou outra, uma risca de estrela cadente caindo ao longe. Nessas horas era inutil disfarcar o desejo feito em secreto, e bem sabiam qual desejo era. Caminharam por volta de vinte minutos, e atras as luzes do hotel ja eram fracas dentro da escuridao da noite sem luar, e os sons que se ouvia agora era apenas o som do pequeno riacho a frente que desaguava no atlantico. A frente do riacho, a pedra ja se fazia ver, de grande e impontente que era, e ao atravessar o leito de agua doce, sentiram o calor da pedra bater em seus rostos. Pararam em frente ao bloco macico, e olharam por um tempo, em silencio, a beleza escura da pedra famosa. Uma frase cortou o silencio da noite: - Foi aqui. Aqui morreu o Santo que deu nome a cidade. - Ele ficou parado, admirando a pedra. Pedra com nome de queda. Ali caiu o Santo que vinha catequizar os nativos, ali ele foi encontrado pelos seus que seriam catequizados, e por isso, ao ser visto caido, recebeu aquele lugar o nome nativo Ubu, que significava entao a palavra “caiu”. Ao som da voz da sua amada, ia tendo aula de historia, e viajando em suas frases atenciosas, pode perceber pelo brilho das estrelas, o brilho forte de seus olhos na noite. Sentiu uma alegria invadindo seu intimo. As silhuetas dos dois iam ficando mais proximas, e juntos abracaram-se e sentaram-se ali, no pe da pedra. A praia deserta, o som do mar, o brilho dos olhos, o olho em desejo, o encontro esperado. A pedra foi testemunha, ela apenas, do amor que eles esperavam tanto, e por melhor nao poderia ser, ali, aos pes da pedra, da pedra do santo.

 

 

Escrito por Alexandre Andrade às 19h22
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VOLTA PRA CASA

 

Xavier chegou pontualmente, como de costume, à lanchonete em frente ao prédio onde ficava o escritório em que trabalhava. foi à banca, pegou os jornais com o jornaleiro, olhou o relógio: 07:50. Entrou na lanchonete e sentou-se, pedindo o capuccino e croissant, como sempre. Abriu o jornal, olhou novamente o relógio e suspirou,  pensou consigo mesmo que andava lenvantando cedo demais, ainda tinha 35 minutos... - bom pra tomar o café tranquilo - e bebericando seu capuccino fresco, folheou o jornal despreocupado, pois já acostumara a lê-lo mesmo ao final do expediente. Lá fora, o dia já ia se agitando e o corre-corre de pessoas se misturava às buzinas e apitos. Pelo vidro frontal da lanchonete, deixou-se levar, fixo na cena do cotidiano, pensando longe, e quase concluindo que precisava tirar férias. Olhou o relogio: 08:20. Era hora. Dobrou o jornal, foi ao caixa, pagou o café,  pegou um chocolate e saiu. Parou na calçada em frente ao prédio, olhou pra cima, e vagueou rapidamente o olhar pelo céu, quase imperceptível, cercado por prédios, neóns, outdoores e fumaça. Como que hipnotizado pelo prédio à sua frente, fitou o oitavo andar olhando os aparelhos de ar, as vidraças embaçadas. Tentou adivinhar, dali, qual era a janela do seu escritório. Brincou de "unidunitê" tentando acertar. Sorriu, sentiu saudades do interior, da sua infância. Lembrou que já fazia três anos que nao tirava férias, que não via seus velhos pais. Sentiu uma amarga melancolia, não respirava ar puro há tempos. Triste, começou a pensar se realmente valia a pena estar ali disponível sempre, sem tirar um tempo pra si, ao menos. Rapidamente memorizou a fazenda de seu avô, seus primos e primas junto com ele fazendo travessuras, as namoradas e a as promessas antes de partir pra cidade grande, estudar e trabalhar. Decidido, encheu o pulmão de ar, tentanto sentir o mesmo ar de sua terra, e concluiu que ia ter hoje mesmo com o Departamento Pessoal, e reivindicar suas férias - "Pra semana que vem" - sorriu, pensou: - "Ia pra casa" - voltar ao velho lar, a casa grande, os jardins, as portas de tramelas, ver seus pais, e descansar. E cerrando o cenho condenou a si mesmo, que desde a formatura não se dava um minuto de descanso, de lazer. Olhou o relógio: 08:40. Assustou-se, passara 10 minutos do seu tempo, e equilibrando o jornal e a maleta numa mão, ia tentando abrir seu chocolate com a outra, e usando os dentes, rasgando a embalagem, concentrado na abertura da guloseima, atravessou a rua de encontro ao prédio, apressado. Uma freada. Um corpo lançado longe. Gente curiosa reunida... num canto da rua um jornal dobrado, perto, a maleta aberta, e papéis espalhados no chão. Junto ao meio-fio, Xavier jazia, morto, ensanguentado, apertando o chocolate em sua mão, junto ao seu peito.

 

Escrito por Alexandre Andrade às 18h46
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SaudadeS

"SaudadeS"

a curva da letra... em letra curva... Sinuosa do léxico
Seriam os amantes, apaixonados: Sonsos? pareço patético?
um Sentimento voraz, que consome e na antítese
Apraz
os Sons... Suaves Sons que parecem Sussurrar.
Que faz o coração mesmo Sentir, o Sabor de Amar!
Amor Sem Limites... Sem cheiro, Sem Saber, mas Sincero
proponho...
Saboreia comigo esse amor que é um Sonho.
Sonhos Sensatos, Sensíveis até
Qual, me diga quem ama, que cheio de Sandice não é?
Sinais... que propagam no ar, Seguindo os Satélites e que chegam
até nós
nos impede da Sobriedade de estarmos tristes, a sós.
amor que existe, que sabemos ser, sim, virtual realidade
mas um amor que quando fica Seis minutinhos distante
já deixa Saudade..

Escrito por Alexandre Andrade às 18h44
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O SEGUNDO SOL

Eu estava indo pra praia naquela manhã de sábado, e no som do carro ouvia aquela música de Nando Reis cantada por Cassia Eller: "quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas..." e fiquei imaginando como seria a terra se realmente houvesse a chegada de um segundo sol... filosofando vendo a paisagem passar rapidamente pela janela do meu carro.

Já no estacionamento reservado, desci com as tralhas básicas, em uma espécie de carrinho adaptado pra levar até a areia essas coisas... claro, uma boa cadeira com revestimento de gore tex pra respiraçao da pele, e num dos braços uma cavidade propria, acolchoada com material anti-termico pra conservar aquelas latas de bohemia trincando de gelada... dois livros interessantes indicados por um amigo ao sair de férias, um ipod recheado de sucessos dos anos 80, uma caixa cheia de petiscos e bohemias geladas, e um bloco de notas pra anotaçoes dos meus devaneios e possivel criaçao de textos depois... Sim, esse final de semana na praia ia ter um objetivo maior: o merecido descanso, sozinho, sem perturbaçoes, de cabeça limpa e vazia, depois de muitos meses de trabalho estressante.

 

Tudo arrumado no meu cantinho na areia, guarda-sol aberto, as coisas organizadas ao lado, oculos escuros no seu devido lugar, estirei-me como um leitao quando ve uma palha de arroz nova chegar ao chiqueirinho imundo... aninhei na minha poltroninha e abri aquela latinha de boemia geladaça... abri o livro e entre uma olhadela e outra na historia que se desenrolava ali nas minhas maos, passeava com a vista no horizonte cheio de curvas e sensualidade que desfilavam a minha frente... realmente, pensei, a mais bela paisagem criada por Deus, o corpo feminino em exuberancia...

com os fones de ouvidos tocando varias musicas entao, nao me saía da cabeça aquela que ouvira um tempo antes... que falava do segundo sol, e ficava eu encucado com esse segundo sol... nas minhas logicas absurdas de que nao tem nada o que pensar, imaginava o estrago que um segundo sol faria, se aparecesse na terra... ou nao??? filosofava e tragava minha gelada, sem delongas preocupaçoes...

As vezes me vinha uma faísca de vontade de experimentar entrar na imensidao azul do mar, povoada agora de lindas morenas e loiras esculturais, que davam a agua um toque mais lindo do que jamais fora. Mas o medo e a matutice de um bom mineiro que nunca tinha entrado naquele tantao de agua, me fizeram ficar ali so tomando uma e observando aquelas curvas que deslizavam molhadas imersas na agua salgada a minha frente...

 

E de minuto em minuto, nao sei pq vinha aquela sensação do segundo sol, quando ele chegar... acho que eu tinha ficado neurado, ou visto algum programa sobre aniquilaçao da terra em algum canal fechado dias antes, pra ficar nessa neura toda...

E mudando a folha do livro, acompanhado de uma bela golada refrescante de bohemia gelada... que de repente, um clarao a minha esquerda ofuscou toda imensidao da praia... era como uma onda de choque brilhante causada pela aniquilaçao da anti-matéria com a matéria, como um flash fotografico espoucando, só que com força muitas vezes mais brilhante... a despeito de eu usar meu legitimo e bom oculos de sol com proteçao contra raios UVB e UVA e outros U's nao sei o que, fiquei deveras ofuscado com o brilho que se instalara a minha frente...

Era um brilho intenso, de um dourado mágico... ondulante... dourado claro, dourado leitoso... curvilíneo e maravilhoso... queimava minhas vistas de uma forma que me cegava por dentro, me cegava e me fazia enxergar e relembrar sobre o segundo sol que a cantora falava antanho... Era o sol que realinhava a órbita dos planetas dos meus sentimentos... me tocava com um assombro exemplar. Seu cabelo ao vento parecia o brilho de rastro da cauda do mais brilhante cometa...

 

nao digo que nao me surpreendi, eu nao podia acreditar... Mas eu nao tinha bem certeza... o meu coraçao parecia acelerar... naquela praia... eu só queria agora ir ver de perto aquele segundo sol e minha pele ardia sem explicação... uma ardencia nunca antes experimentada e creio eu que nem o mais potente bloqueador solar surtiria efeito, pois ela torrava de dentro pra fora... e alma regozijava com tamanho brilho dourado...

hipnotizado com o brilho de curvas douradas em suaves trajes discretos de banho, me levantei e como um Ícaro Moderno, munido de raiban no lugar de asas de cera, e por isso sem medo de me derreter, fui de encontro aquele sol que raiava mais que o proprio sol no céu...

E aquele sol, brilhante e único, nao me machucou, como aquele do Ícaro de Antanho, que o jogou por terra... pelo contrário, me fez ter a certeza que esse segundo sol, ao contrario do que imaginava, nao iria causar danos ao mundo, mas sim, fazer com que meu mundo fosse visto com mais beleza, simpatia e amor... e junto daquele sol, passei o meu mais maravilhoso e repleto de amor final de semana...


e de nome simples, nao complicado com tantas siglas que ganham os novos sóis, planetas e galaxias, dadas pelos astronomos, aquele sol maravilhou pra sempre meus dias e nao apenas aquele final de semana... o mais lindo solzinho, brilhante e dourado, amado sol de nome Fabiana.

Escrito por Alexandre Andrade às 18h42
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SE QUEBROU?

o "Alexandre"... é... como mudam as coisas de repente!
Em um dia misencantos, no outro: não mais gente
Entenda, coração, brusca e de repentemente
Que ela quebrou o vidro, consequentemente
Pra ficar livre, de uma pressão,
inconsequente...
Sem saber, que era a consequência
do coração, de amor, ardente....
Mas mudam as estações, como dizia
o gran'poeta
Só que pra mim
Tudo mudou, não mais a letra
da poesia
que era Nada...
a mim resta chorar, triste ao ler
o mais belo poema
aquele, da "namorada".

Escrito por Alexandre Andrade às 18h40
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MUTREQUINHA FACÊRA (POEMA MINEIRIM)

Mutrequinha Facêra, das madêxa dorada
Ocê é tão ducinha, igualim goiabada
Ocê é tão branquinha, quinenzim uma cuaiáda
Tôdia eu penso no seu beju, e temcumigo ele assim:
Dodilêi com queijim, um sabor mineirim.
E então, o seu xêro? será cumé que dédicê?
Xeu pensá nessa ipótiz, e descrevê êle procê:
é um chirim de minina-muié... que eu prefiro mais até
do que aquele cedim quando se passa o café
A lua chiinha, os sonzim das seresta
Os namoro, As quermesse, as igrejinha em festa
Tudisso é coisa que minero adora fazê
Mas o que eu mais gosto é de ficá junconcê
Pra que litoral? Vê os aguacêro do mar?
Se é muito mió
Ocê aqui preu dimirá.
Um trem bão disabaziado, com o qual me acabo
é pensar em ocê
muito mais que franguim com quiabo.

pénumato, bidipé
u chirim di orvái, azul do céu
Pincumel
arroizim fricum ái
banhozim nas lagoa
trairinha fritinha, ô trem bão coisa boa
covinha refogada com ovo
ai modeuz ai meu pai
isso é bao por demais, credo im cruiz que trem bao, uai
tutuzim com farinha
mil doces, compotas
folclore, historia, bandinha
a tradiçao pulítica e a religiosidade
tudo isso é importanti, a realidade de nóis que é minero
se isso falta, se estranha, se nao tem: peito dana
Mas uma coisa que é disso mió:
é ocê mêz, Fabiana

Escrito por Alexandre Andrade às 18h39
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LANÇO-TE AO MAR

Lanço-te ao mar, cinzas de minh'alma
nas torrentes turvas, afundar-te-á
Em torvelinhos, às profundezas
levando consigo, a tristeza
tão má.
Ah, cinzas molhadas, antes mesmo
de ter com a água salgada
já era, assim
do sal dos meus olhos
em pranto derramado. Sofrido
Vá... cinzas que foram
o fogo do amor
que queimaram e arderam
com todo furor
em meu peito tão vivo, um dia
torna-me, mar
com sua explêndia retribuição
como lenda
a minha alegria.
No seu borbulhar espumante
Espero me dar
Tranquilidade, um instante
e que as correntes ciclônicas
leve as cinzas lacônicas
do que foi um dia, paixao, tão platônica
Esfumaça, mar bravio... e me dá a certeza
que o meu desvario
Era, em verdade sabida
uma alucinação incontida.

Escrito por Alexandre Andrade às 18h29
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JULIANA

Poema-Tributo que fiz a irmã de um amigo, que faleceu em um acidente. Brunão, a força do amor que tens pela tua irmã é o reflexo que transmite a paz dela, de onde ela estiver...

 

 

Quando tu era daqui

Meu mundo se fazia competo

A beleza, a pureza, alegria, vida

A que me dava o coração repleto

Às vezes te vejo, sorrindo

De mãos dadas comigo, indo

Confissões, cumplicidade

Auxilio, desenvoltura

Brincadeiras, sorrisos, amizade

Ombro doce, terna candura

Ah, que o destino cruel

Te levou do seio da minha companhia

Quis Deus te ver no céu

Cortou de mim, por momento a alegria

A tristeza que se fez, havia

Das lembranças, vida minha

Aquela hora, duros dias

A dor, saudade

Falta, vazio, incapacidade

Ao que o tempo se passou

Sua ausência já real, e entendida

Fiz da sua figura fraternal

Um impulso, força para a vida

Sim, vivo

Vivo e sinto você viver

Sua paz, sua alma, seu espírito

Empurrando-me, ajudando-me a crescer

Pois, se você era a alegria em pessoa

Não poderia eu viver assim

Com tristeza, vida à toa

Pois uma alma, como a sua

Assim tão boa

Faz-me lembrar dos momentos em que deste força

E não me deixava, nunca desistir

Tamanho seu otimismo, persistência

Em me querer ver bem, grande, na essência

Lugar, ganhar, o caminho a seguir

Vivo então alegre, hoje e sempre

Pois lembro de você

Sempre contente

E acordo feliz, esperançoso

Pois posso contar e lembrar

Com você

De você

Com força renovada a cada manhã

Por você

Pra você

Minha boa e eterna

Amiga, irmã.

Escrito por Alexandre Andrade às 18h29
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INFÂNCIA: HOJE E ONTEM

Desligo a televisão, triste e cansado por ver tantas cenas repugnantes que andam se passando pelo mundo – os EUA acabaram de bombardear outro país – até quando isso? Bom, o jeito é ligar o rádio, mas, me esqueço que não gosto e tampouco entendo músicas inglesas... decido então ir pra rua, dar uma volta, e entro num cybercafé para ver o que há de novidades pelo Brasil.

 

Na internet as mesmas cenas: Violência – outro estudante que atirou nos colegas, crianças armadas perambulando pelas esquinas, meninos imberbes se aventurando no mundo do tráfico, no mundo do crime – Chega!!! Preciso de ar! Vou caminhar plas ruas, e a toda hora, crianças e jovens passam por mim – Brincos, piercings, cigarros e olhos vermelhos – e eu não vejo em seus olhos o brilho da juventude. Onde foi parar a infância? O que aconteceu com o mundo? Não sei... apenas tenho a impressão que a magia do “brincar” acabou. De quem será a culpa?  Do progresso? Me pergunto... busco respostas... – uma gota de lágrima rola em meu rosto, lembro-me de minha infância, tão recente, e já tão mudada – tento entender a loucura deste mundo que mudou em um espaço tão curto de tempo.

 

Penso eu meu filho – choro – com seus 7 anos de idade, crescendo neste mundo sem magia, interconectado às tecnologias... amando talvez uma tela de computador, jogando em redes, se envenenando com raios magnéticos e com gás carbônico, trancado dentro de um quarto, sem ar puro, sem a luz do sol, sem brilho... com sua pele sem vida, opaca...

 

Engasgo com um soluço de saudade – onde está a inocência? A paz  de andar e brincar nas ruas livre e tranquilamente? Não, não quero isso pro meu filho, tampouco pro seu filho, possível leitor. Quero que o seu filho, assim como o meu, se deleite no prazer de soltar uma pipa, na emoção de ser o campeão do torneio de bolinha de gude da rua, ou chorar de tristeza por ter sido o vice-campeão de “fut-rua”...

 

Então, por isso, pra tentar quem sabe reacender essa magia do “brincar” nessa garotada, resolvi escrever essa crônica, falando de momentos pessoais, mas também universais... brincadeiras tão instrutivas quanto saudáveis, mas que desapareceram do planeta. Decerto você pai e você mãe lembrarão dessa infância calma e tranqüila, e com certeza desligará o televisor ou o computador, descerá com seu filho pro quintal (ou play-ground) e tentará, quem sabe, ganhar um joguinho de bolinha de gude do seu filho... e assim dar um ganhar (e dar) um presente; pro seu filho

Escrito por Alexandre Andrade às 18h14
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FUGA

Por que, foges e alega

pro meu bem a atitude?

Sendo que assim eu fiquei

Foi por sua virtude?

 

No meu peito plantou

Nem precisou de alarde

a semente do amor

e agora foge, covarde.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h57
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FECHADO

Fechei meu coração.
Pros soluços amargos
de paixão, exacerbada.
Sofrer por querer, cansei
Agruras que ferem
Chagueiam a pele, sangue
expelem
Por amar, puro e demais
fiquei sem alma, pulso fraco
Fechei, então, ao saber
Que vã tentativa
era de fato
atirar-me ao buraco
da desilusão
Fechei, meu coração
Pras noites de prantos, escondidos
nos risos, dados
e na solidão molhada do lençol
que só eu conheci
Desfiz-me em lágrimas, pro sol
Sol que aquecia, mas, fechei
o coração, pois, sei
o sol, aquece de longe,
se tocar, mata... curei
e pele acostuma, sem ele
Fechei.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h55
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FAROL DO MAR DE MINAS

Os  clarões ao longe anunciavam ao navegador solitário uma temível tormenta, e correndo de um lado para o outro, arrumava velas, puxava equipamentos, cuidava pra que tudo estivesse perfeito. Seus pensamentos fixos no objetivo o impedia de sucumbir aos medos e perigos do porvir. O balanço violento das águas começava a bater fortemente agora na embarcação e o vento forte e gelado, parecia tentar tirá-lo do seu rumo. Convicto do ideal, o navegador solitário segurava forte o leme, e rumava com dificuldade ao seu sonho. A tempestade que vira ao longe em clarões, já era agora o seu céu, seu horizonte e seu chão. Águas impiedosas caíram sobre ele, gelando seu corpo, tomando suas forças. Os clarões de antemão, agora davam lugar a um escuro total, quebrado pelo ruído medonho dos ventos... ruídos que anunciavam coisas ruins. O vento rajava forte de todos os lados, e pareciam também insistir em tirá-lo do rumo. Seu chão, que antes era um mar de azeite, agora parecia ter vida, e a revolta do mar castigava o barco, batendo violentamente de todos os lados, como se o quisesse afundar a qualquer custo. Fraco e cansado, o navegador solitário juntava forças em pensamento para poder seguir em frente. De todas as tempestades e contratempos, era essa a mais temida, mais perigosa e a mais importante a ser vencida. Após anos de viagens pela imensidão dos mares e conhecendo os seus perigos e mistérios, sabia que tinha que passar por mais essa luta com o  desconhecido... em sua mente ficava pulsando o seu sonho, dando forças contra a tempestade, e sabia que se não sucumbisse àquelas forças contrárias, passando por elas, seu objetivo estaria cumprido. O porto seguro estava ali, à sua frente, e ele sabia disso. Porém fraco, cansado, machucado e cego pelo escuro em sua volta, já não conseguia reunir forças pra segurar seu leme. Sabendo o que lhe esperava, olhou ao redor, e vendo-se perdido, lamentou tudo que não pôde fazer. Queria chegar ao porto, e chorava por ter fraquejado. Sentia-se triste e vazio, por não ter encontrado seu destino e esperava o naufrágio iminente. Debruçado ao leme, desolado, aguardava o fim... quando ao longe, no escuro imenso do horizonte, avistou uma luz... a luz bruxuleava fraca, mas deu ânimo ao navegador solitário. Subitamente, reuniu forças e seu pensamento lhe dizia que aquela era a sua luz, o seu farol, que tanto procurava. Novamente enfrentou a tormenta, dores, sofrimentos, cansaço, quebras... ia vencendo tudo e seguindo a direção daquela luz. O seu coração alegrou-se ao ver a tempestade ficando pra trás, o mar revolto de novo se fazendo em águas calmas, os clarões e estrondos, agora davam lugar a uma única visão, a visão do ponto de luz, cada vez mais perto, cada vez mais forte... e refeito de suas energias, bradou aos ventos sua alegria de ver seu farol da segurança bem perto, mostrando o porto seguro, mostrando o fim das lutas e procuras. Aportou, sua luz brilhante era pra ele apenas, agora. Sua vitória veio, enfim... venceu a tormenta e seguro chegou, guiado pela luz do farol do mar de Minas...

 

Escrito por Alexandre Andrade às 17h53
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ESPELHO QUEBRADO

O Valor de um olhar, existe,

O espelho não o reflete, que triste

Mas busco no fundo do espelho

palpite...

Quebrá-lo-ei, acredite

Talvez esteja entre os cacos

Valor imaginário, mas que existe

Sei que não vês, meu valor

Sei que não sentes, meu amor

Mas tal qual o valor do olhar

ele existe

Lembra-se das palavras? Bocas e jeitos?

Lembra-se da cara?

Traços perfeitos...

O que é uma cara diante um espelho quebrado?

Várias caras?

Cara, coração. Forma um cado

Um cado de cada, uma cara pra cara

Um dedo em riste

Um valor, existe.

Junte-se os cacos então.

Deixe a cara, olhe o coração

Cole com amor, trabalho artesão

Entre os ranhos verás

uma única intenção

Mesmo sem jeito, e sem voltas intactas

e se não vir, de novo ponha o dedo em riste

e grite pra ele

existe.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h45
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EMBAÇADO

Passo ante passo, vou entrando de soslaio

Olho e procuro, na névoa me embaralho

Não consigo mirar, meu espelho embaçado

E vapor fez que sumisse... de repente, do meu raio

 

Entristeço por não ver meu rosto

Tento sorrir, num pensamento forçado

Talvez melhor, meu rosto deve estar mal

Triste, sombrio e funesto – sem igual

Se ao menos estivesse por aqui, desembaçado

Poderia refletir, mesmo que a contra gosto

 

Ah, sentimento vão, sem resposta

Como pode o espelho não refletir assim?

Alma vazia, tal qual vampiro, imposta

Não faz de si um pedaço de mim

 

Mas lento e vagaroso abro a janela

Sei que o vapor vai sair

O ar frio vai entrar, espero, espera!

Talvez o tempo que levar

Me faça recuperar o brilho da tez

O brilho dos olhos, do coração talvez

Sei que esse espelho vai mostrar

Sei que esse espelho vai falar

Sei que esse espelho vai se ver

No espelho dos meus olhos

Desembaçados, como ele, e sentir

Alegria, por saber que encontrou

Alegria, por saber que não quebrou

Alegria, por saber que não foi deixado

Alegria por refletir

Alegria por estar apenas embaçado

Escrito por Alexandre Andrade às 17h44
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