Pingando Palavras


07/08/2009


LÓGICA DO CORAÇÃO (ILÓGICO)

 

Ja li em diversos livros, ouvi em diversas rodas de conversa e tambem vi em varios programas sobre o assunto, que o amor nao tem logica, e que nao e logico tambem procurar a logica do amor... parece estranho, eu sei, mas realmente entendo o que esse tao conhecido ditado tem de verdadeiro. A logica nao entra nessa rede de sentimentos, onde juntando diversas sensacoes, chega-se no produto acabado amor.

Hoje ja estou meio rodado pelas estradas desse "mundo velho de meu deus". Conheci a rua muito cedo, onde sai pra tentar ser alguem na vida por meio dos estudos... o que nao vem ao caso agora, pois o assunto a ser tratado e outro, mas com essa introducao posso concatenar melhor as ideias e dizer que ja aos quinze anos, longe, bem longe de casa e da protecao dos meus pais, pude perceber o quanto o amor tinha uma faceta ate entao desconhecida... a descoberta parece ser logica, sim, pois nessa fase esperamos e tentamos entender que "aquilo" que se passa e um amor verdadeiro. O tempo passa rapido, hoje tento entender a situacao plausivel de tantos amores aos quais passei e me vejo envolvido num turbilhao de emocoes diferentes, onde nao consigo entender muito do que foi vivido, nem tampouco pegar experiencia de um para passar pra outro. E disso, tenho a certeza que nao adianta tentar aprender licoes com casos de amor, pois cada experiencia e unica, e ilogica. Romances rapidos, flertes, namoros e ate paixoes que machucam, fizeram parte dessa escola que a estrada me deu. Ia vivendo e pensando comigo que sentido tem o amar e querer ser amado? As coisas acontecem de certo modo que nos deixam atordoados e sem explicacao. Nao, eu nao estou falando aqui de uma crise de saudade ou coisa parecida por um amor do passado. O que tento explicar, e que esse amor ilogico, apos tantas tentativas de o tornar logico num fato plausivel e palpavel, me vem surpreender de novo de maneira mais ilogica do eu ja supunha outrora. Descobri um amor doce, puro e sem maldade, mas sendo esse amor assim tao perfeito, como dizer que e ilogico? Pelo simples fato desse amor ser idealizado, mas com um tanto de certeza de que e assim mesmo. Ou seja, fico imaginando esse amor real, pelas emocoes irreais e subjetivas, pelo som e pelo jeito, e me perco em pensamentos que consomem boa parte do meu dia. A questao da falta de logica do amor se aplica quando vivemos um amor e sofremos, mas tambem se aplica quando nao o vivemos (mesmo vivendo) e nao sofremos. paradoxismos a parte, eu entendo que esse sentimento bom de sentir tambem se torna ilogico, haja visto que o real pode nao ser assim... Mas se existe esse bem estar causado pela sua presenca-ausencia, vou me deliciando entao nessa idealizacao de que poderei ser feliz ao lado desse amor tao bom.

E sendo assim, levados sempre na corrente sem logica do amor, e que os seres humanos vao tentando explicar por meios de formulas, analises, temas religiosos e ate sobrenaturais a verdadeira razao do amor entre dois seres. E enquanto nao vem uma resposta logica para esses fundamentos ilogicos, cada ser tem de ir vivendo da melhor maneira possivel seu amor, mesmo ilogico. Entao, me deixarei levar nessa atitude de querer viver esse amor que estou conhecendo e ratificando sua falta de logica e espero um dia, se nao encontrar o sentido da logica nisso tudo, pelo menos viver feliz ao seu lado (em tempo real) e provando as delicias sem me preocupar com as respostas. Porque amor bom e isso, amar sem querer saber de onde vem, e pra onde vai, apenas sentir, e fazer bem...

 

Escrito por Alexandre Andrade às 19h27
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A PEDRA DO SANTO

 

 

O carro chegou ao estacionamento do hotel ao som de “hoje a noite nao tem luar” e antes de querer descer do carro, resolveram os dois terminar de ouvir sua trilha Sonora. A noite la fora estava silenciosa, sendo quebrado o silencio apenas pelas ondas que batiam nas rochas a beira mar e uma ou outra buzina ao longe, na avenida da orla. Saindo do estacionamento rodearam a construcao do edificio, saindo aos fundos, no topo da pedra da encosta e desceram de encontro a areia. Ao chegarem na praia escura, caminharam de econtro a pedra, tao falada, onde sonhavam juntos seus maiores desejos de amor. A caminhada foi silenciosa, as maos dadas e os olhos juntos olhavam o horizonte escuro do ceu, que beijava o mar ao longe, e onde se viam, vez ou outra, uma risca de estrela cadente caindo ao longe. Nessas horas era inutil disfarcar o desejo feito em secreto, e bem sabiam qual desejo era. Caminharam por volta de vinte minutos, e atras as luzes do hotel ja eram fracas dentro da escuridao da noite sem luar, e os sons que se ouvia agora era apenas o som do pequeno riacho a frente que desaguava no atlantico. A frente do riacho, a pedra ja se fazia ver, de grande e impontente que era, e ao atravessar o leito de agua doce, sentiram o calor da pedra bater em seus rostos. Pararam em frente ao bloco macico, e olharam por um tempo, em silencio, a beleza escura da pedra famosa. Uma frase cortou o silencio da noite: - Foi aqui. Aqui morreu o Santo que deu nome a cidade. - Ele ficou parado, admirando a pedra. Pedra com nome de queda. Ali caiu o Santo que vinha catequizar os nativos, ali ele foi encontrado pelos seus que seriam catequizados, e por isso, ao ser visto caido, recebeu aquele lugar o nome nativo Ubu, que significava entao a palavra “caiu”. Ao som da voz da sua amada, ia tendo aula de historia, e viajando em suas frases atenciosas, pode perceber pelo brilho das estrelas, o brilho forte de seus olhos na noite. Sentiu uma alegria invadindo seu intimo. As silhuetas dos dois iam ficando mais proximas, e juntos abracaram-se e sentaram-se ali, no pe da pedra. A praia deserta, o som do mar, o brilho dos olhos, o olho em desejo, o encontro esperado. A pedra foi testemunha, ela apenas, do amor que eles esperavam tanto, e por melhor nao poderia ser, ali, aos pes da pedra, da pedra do santo.

 

 

Escrito por Alexandre Andrade às 19h22
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VOLTA PRA CASA

 

Xavier chegou pontualmente, como de costume, à lanchonete em frente ao prédio onde ficava o escritório em que trabalhava. foi à banca, pegou os jornais com o jornaleiro, olhou o relógio: 07:50. Entrou na lanchonete e sentou-se, pedindo o capuccino e croissant, como sempre. Abriu o jornal, olhou novamente o relógio e suspirou,  pensou consigo mesmo que andava lenvantando cedo demais, ainda tinha 35 minutos... - bom pra tomar o café tranquilo - e bebericando seu capuccino fresco, folheou o jornal despreocupado, pois já acostumara a lê-lo mesmo ao final do expediente. Lá fora, o dia já ia se agitando e o corre-corre de pessoas se misturava às buzinas e apitos. Pelo vidro frontal da lanchonete, deixou-se levar, fixo na cena do cotidiano, pensando longe, e quase concluindo que precisava tirar férias. Olhou o relogio: 08:20. Era hora. Dobrou o jornal, foi ao caixa, pagou o café,  pegou um chocolate e saiu. Parou na calçada em frente ao prédio, olhou pra cima, e vagueou rapidamente o olhar pelo céu, quase imperceptível, cercado por prédios, neóns, outdoores e fumaça. Como que hipnotizado pelo prédio à sua frente, fitou o oitavo andar olhando os aparelhos de ar, as vidraças embaçadas. Tentou adivinhar, dali, qual era a janela do seu escritório. Brincou de "unidunitê" tentando acertar. Sorriu, sentiu saudades do interior, da sua infância. Lembrou que já fazia três anos que nao tirava férias, que não via seus velhos pais. Sentiu uma amarga melancolia, não respirava ar puro há tempos. Triste, começou a pensar se realmente valia a pena estar ali disponível sempre, sem tirar um tempo pra si, ao menos. Rapidamente memorizou a fazenda de seu avô, seus primos e primas junto com ele fazendo travessuras, as namoradas e a as promessas antes de partir pra cidade grande, estudar e trabalhar. Decidido, encheu o pulmão de ar, tentanto sentir o mesmo ar de sua terra, e concluiu que ia ter hoje mesmo com o Departamento Pessoal, e reivindicar suas férias - "Pra semana que vem" - sorriu, pensou: - "Ia pra casa" - voltar ao velho lar, a casa grande, os jardins, as portas de tramelas, ver seus pais, e descansar. E cerrando o cenho condenou a si mesmo, que desde a formatura não se dava um minuto de descanso, de lazer. Olhou o relógio: 08:40. Assustou-se, passara 10 minutos do seu tempo, e equilibrando o jornal e a maleta numa mão, ia tentando abrir seu chocolate com a outra, e usando os dentes, rasgando a embalagem, concentrado na abertura da guloseima, atravessou a rua de encontro ao prédio, apressado. Uma freada. Um corpo lançado longe. Gente curiosa reunida... num canto da rua um jornal dobrado, perto, a maleta aberta, e papéis espalhados no chão. Junto ao meio-fio, Xavier jazia, morto, ensanguentado, apertando o chocolate em sua mão, junto ao seu peito.

 

Escrito por Alexandre Andrade às 18h46
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SaudadeS

"SaudadeS"

a curva da letra... em letra curva... Sinuosa do léxico
Seriam os amantes, apaixonados: Sonsos? pareço patético?
um Sentimento voraz, que consome e na antítese
Apraz
os Sons... Suaves Sons que parecem Sussurrar.
Que faz o coração mesmo Sentir, o Sabor de Amar!
Amor Sem Limites... Sem cheiro, Sem Saber, mas Sincero
proponho...
Saboreia comigo esse amor que é um Sonho.
Sonhos Sensatos, Sensíveis até
Qual, me diga quem ama, que cheio de Sandice não é?
Sinais... que propagam no ar, Seguindo os Satélites e que chegam
até nós
nos impede da Sobriedade de estarmos tristes, a sós.
amor que existe, que sabemos ser, sim, virtual realidade
mas um amor que quando fica Seis minutinhos distante
já deixa Saudade..

Escrito por Alexandre Andrade às 18h44
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O SEGUNDO SOL

Eu estava indo pra praia naquela manhã de sábado, e no som do carro ouvia aquela música de Nando Reis cantada por Cassia Eller: "quando o segundo sol chegar, para realinhar as órbitas dos planetas..." e fiquei imaginando como seria a terra se realmente houvesse a chegada de um segundo sol... filosofando vendo a paisagem passar rapidamente pela janela do meu carro.

Já no estacionamento reservado, desci com as tralhas básicas, em uma espécie de carrinho adaptado pra levar até a areia essas coisas... claro, uma boa cadeira com revestimento de gore tex pra respiraçao da pele, e num dos braços uma cavidade propria, acolchoada com material anti-termico pra conservar aquelas latas de bohemia trincando de gelada... dois livros interessantes indicados por um amigo ao sair de férias, um ipod recheado de sucessos dos anos 80, uma caixa cheia de petiscos e bohemias geladas, e um bloco de notas pra anotaçoes dos meus devaneios e possivel criaçao de textos depois... Sim, esse final de semana na praia ia ter um objetivo maior: o merecido descanso, sozinho, sem perturbaçoes, de cabeça limpa e vazia, depois de muitos meses de trabalho estressante.

 

Tudo arrumado no meu cantinho na areia, guarda-sol aberto, as coisas organizadas ao lado, oculos escuros no seu devido lugar, estirei-me como um leitao quando ve uma palha de arroz nova chegar ao chiqueirinho imundo... aninhei na minha poltroninha e abri aquela latinha de boemia geladaça... abri o livro e entre uma olhadela e outra na historia que se desenrolava ali nas minhas maos, passeava com a vista no horizonte cheio de curvas e sensualidade que desfilavam a minha frente... realmente, pensei, a mais bela paisagem criada por Deus, o corpo feminino em exuberancia...

com os fones de ouvidos tocando varias musicas entao, nao me saía da cabeça aquela que ouvira um tempo antes... que falava do segundo sol, e ficava eu encucado com esse segundo sol... nas minhas logicas absurdas de que nao tem nada o que pensar, imaginava o estrago que um segundo sol faria, se aparecesse na terra... ou nao??? filosofava e tragava minha gelada, sem delongas preocupaçoes...

As vezes me vinha uma faísca de vontade de experimentar entrar na imensidao azul do mar, povoada agora de lindas morenas e loiras esculturais, que davam a agua um toque mais lindo do que jamais fora. Mas o medo e a matutice de um bom mineiro que nunca tinha entrado naquele tantao de agua, me fizeram ficar ali so tomando uma e observando aquelas curvas que deslizavam molhadas imersas na agua salgada a minha frente...

 

E de minuto em minuto, nao sei pq vinha aquela sensação do segundo sol, quando ele chegar... acho que eu tinha ficado neurado, ou visto algum programa sobre aniquilaçao da terra em algum canal fechado dias antes, pra ficar nessa neura toda...

E mudando a folha do livro, acompanhado de uma bela golada refrescante de bohemia gelada... que de repente, um clarao a minha esquerda ofuscou toda imensidao da praia... era como uma onda de choque brilhante causada pela aniquilaçao da anti-matéria com a matéria, como um flash fotografico espoucando, só que com força muitas vezes mais brilhante... a despeito de eu usar meu legitimo e bom oculos de sol com proteçao contra raios UVB e UVA e outros U's nao sei o que, fiquei deveras ofuscado com o brilho que se instalara a minha frente...

Era um brilho intenso, de um dourado mágico... ondulante... dourado claro, dourado leitoso... curvilíneo e maravilhoso... queimava minhas vistas de uma forma que me cegava por dentro, me cegava e me fazia enxergar e relembrar sobre o segundo sol que a cantora falava antanho... Era o sol que realinhava a órbita dos planetas dos meus sentimentos... me tocava com um assombro exemplar. Seu cabelo ao vento parecia o brilho de rastro da cauda do mais brilhante cometa...

 

nao digo que nao me surpreendi, eu nao podia acreditar... Mas eu nao tinha bem certeza... o meu coraçao parecia acelerar... naquela praia... eu só queria agora ir ver de perto aquele segundo sol e minha pele ardia sem explicação... uma ardencia nunca antes experimentada e creio eu que nem o mais potente bloqueador solar surtiria efeito, pois ela torrava de dentro pra fora... e alma regozijava com tamanho brilho dourado...

hipnotizado com o brilho de curvas douradas em suaves trajes discretos de banho, me levantei e como um Ícaro Moderno, munido de raiban no lugar de asas de cera, e por isso sem medo de me derreter, fui de encontro aquele sol que raiava mais que o proprio sol no céu...

E aquele sol, brilhante e único, nao me machucou, como aquele do Ícaro de Antanho, que o jogou por terra... pelo contrário, me fez ter a certeza que esse segundo sol, ao contrario do que imaginava, nao iria causar danos ao mundo, mas sim, fazer com que meu mundo fosse visto com mais beleza, simpatia e amor... e junto daquele sol, passei o meu mais maravilhoso e repleto de amor final de semana...


e de nome simples, nao complicado com tantas siglas que ganham os novos sóis, planetas e galaxias, dadas pelos astronomos, aquele sol maravilhou pra sempre meus dias e nao apenas aquele final de semana... o mais lindo solzinho, brilhante e dourado, amado sol de nome Fabiana.

Escrito por Alexandre Andrade às 18h42
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SE QUEBROU?

o "Alexandre"... é... como mudam as coisas de repente!
Em um dia misencantos, no outro: não mais gente
Entenda, coração, brusca e de repentemente
Que ela quebrou o vidro, consequentemente
Pra ficar livre, de uma pressão,
inconsequente...
Sem saber, que era a consequência
do coração, de amor, ardente....
Mas mudam as estações, como dizia
o gran'poeta
Só que pra mim
Tudo mudou, não mais a letra
da poesia
que era Nada...
a mim resta chorar, triste ao ler
o mais belo poema
aquele, da "namorada".

Escrito por Alexandre Andrade às 18h40
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MUTREQUINHA FACÊRA (POEMA MINEIRIM)

Mutrequinha Facêra, das madêxa dorada
Ocê é tão ducinha, igualim goiabada
Ocê é tão branquinha, quinenzim uma cuaiáda
Tôdia eu penso no seu beju, e temcumigo ele assim:
Dodilêi com queijim, um sabor mineirim.
E então, o seu xêro? será cumé que dédicê?
Xeu pensá nessa ipótiz, e descrevê êle procê:
é um chirim de minina-muié... que eu prefiro mais até
do que aquele cedim quando se passa o café
A lua chiinha, os sonzim das seresta
Os namoro, As quermesse, as igrejinha em festa
Tudisso é coisa que minero adora fazê
Mas o que eu mais gosto é de ficá junconcê
Pra que litoral? Vê os aguacêro do mar?
Se é muito mió
Ocê aqui preu dimirá.
Um trem bão disabaziado, com o qual me acabo
é pensar em ocê
muito mais que franguim com quiabo.

pénumato, bidipé
u chirim di orvái, azul do céu
Pincumel
arroizim fricum ái
banhozim nas lagoa
trairinha fritinha, ô trem bão coisa boa
covinha refogada com ovo
ai modeuz ai meu pai
isso é bao por demais, credo im cruiz que trem bao, uai
tutuzim com farinha
mil doces, compotas
folclore, historia, bandinha
a tradiçao pulítica e a religiosidade
tudo isso é importanti, a realidade de nóis que é minero
se isso falta, se estranha, se nao tem: peito dana
Mas uma coisa que é disso mió:
é ocê mêz, Fabiana

Escrito por Alexandre Andrade às 18h39
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LANÇO-TE AO MAR

Lanço-te ao mar, cinzas de minh'alma
nas torrentes turvas, afundar-te-á
Em torvelinhos, às profundezas
levando consigo, a tristeza
tão má.
Ah, cinzas molhadas, antes mesmo
de ter com a água salgada
já era, assim
do sal dos meus olhos
em pranto derramado. Sofrido
Vá... cinzas que foram
o fogo do amor
que queimaram e arderam
com todo furor
em meu peito tão vivo, um dia
torna-me, mar
com sua explêndia retribuição
como lenda
a minha alegria.
No seu borbulhar espumante
Espero me dar
Tranquilidade, um instante
e que as correntes ciclônicas
leve as cinzas lacônicas
do que foi um dia, paixao, tão platônica
Esfumaça, mar bravio... e me dá a certeza
que o meu desvario
Era, em verdade sabida
uma alucinação incontida.

Escrito por Alexandre Andrade às 18h29
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JULIANA

Poema-Tributo que fiz a irmã de um amigo, que faleceu em um acidente. Brunão, a força do amor que tens pela tua irmã é o reflexo que transmite a paz dela, de onde ela estiver...

 

 

Quando tu era daqui

Meu mundo se fazia competo

A beleza, a pureza, alegria, vida

A que me dava o coração repleto

Às vezes te vejo, sorrindo

De mãos dadas comigo, indo

Confissões, cumplicidade

Auxilio, desenvoltura

Brincadeiras, sorrisos, amizade

Ombro doce, terna candura

Ah, que o destino cruel

Te levou do seio da minha companhia

Quis Deus te ver no céu

Cortou de mim, por momento a alegria

A tristeza que se fez, havia

Das lembranças, vida minha

Aquela hora, duros dias

A dor, saudade

Falta, vazio, incapacidade

Ao que o tempo se passou

Sua ausência já real, e entendida

Fiz da sua figura fraternal

Um impulso, força para a vida

Sim, vivo

Vivo e sinto você viver

Sua paz, sua alma, seu espírito

Empurrando-me, ajudando-me a crescer

Pois, se você era a alegria em pessoa

Não poderia eu viver assim

Com tristeza, vida à toa

Pois uma alma, como a sua

Assim tão boa

Faz-me lembrar dos momentos em que deste força

E não me deixava, nunca desistir

Tamanho seu otimismo, persistência

Em me querer ver bem, grande, na essência

Lugar, ganhar, o caminho a seguir

Vivo então alegre, hoje e sempre

Pois lembro de você

Sempre contente

E acordo feliz, esperançoso

Pois posso contar e lembrar

Com você

De você

Com força renovada a cada manhã

Por você

Pra você

Minha boa e eterna

Amiga, irmã.

Escrito por Alexandre Andrade às 18h29
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INFÂNCIA: HOJE E ONTEM

Desligo a televisão, triste e cansado por ver tantas cenas repugnantes que andam se passando pelo mundo – os EUA acabaram de bombardear outro país – até quando isso? Bom, o jeito é ligar o rádio, mas, me esqueço que não gosto e tampouco entendo músicas inglesas... decido então ir pra rua, dar uma volta, e entro num cybercafé para ver o que há de novidades pelo Brasil.

 

Na internet as mesmas cenas: Violência – outro estudante que atirou nos colegas, crianças armadas perambulando pelas esquinas, meninos imberbes se aventurando no mundo do tráfico, no mundo do crime – Chega!!! Preciso de ar! Vou caminhar plas ruas, e a toda hora, crianças e jovens passam por mim – Brincos, piercings, cigarros e olhos vermelhos – e eu não vejo em seus olhos o brilho da juventude. Onde foi parar a infância? O que aconteceu com o mundo? Não sei... apenas tenho a impressão que a magia do “brincar” acabou. De quem será a culpa?  Do progresso? Me pergunto... busco respostas... – uma gota de lágrima rola em meu rosto, lembro-me de minha infância, tão recente, e já tão mudada – tento entender a loucura deste mundo que mudou em um espaço tão curto de tempo.

 

Penso eu meu filho – choro – com seus 7 anos de idade, crescendo neste mundo sem magia, interconectado às tecnologias... amando talvez uma tela de computador, jogando em redes, se envenenando com raios magnéticos e com gás carbônico, trancado dentro de um quarto, sem ar puro, sem a luz do sol, sem brilho... com sua pele sem vida, opaca...

 

Engasgo com um soluço de saudade – onde está a inocência? A paz  de andar e brincar nas ruas livre e tranquilamente? Não, não quero isso pro meu filho, tampouco pro seu filho, possível leitor. Quero que o seu filho, assim como o meu, se deleite no prazer de soltar uma pipa, na emoção de ser o campeão do torneio de bolinha de gude da rua, ou chorar de tristeza por ter sido o vice-campeão de “fut-rua”...

 

Então, por isso, pra tentar quem sabe reacender essa magia do “brincar” nessa garotada, resolvi escrever essa crônica, falando de momentos pessoais, mas também universais... brincadeiras tão instrutivas quanto saudáveis, mas que desapareceram do planeta. Decerto você pai e você mãe lembrarão dessa infância calma e tranqüila, e com certeza desligará o televisor ou o computador, descerá com seu filho pro quintal (ou play-ground) e tentará, quem sabe, ganhar um joguinho de bolinha de gude do seu filho... e assim dar um ganhar (e dar) um presente; pro seu filho

Escrito por Alexandre Andrade às 18h14
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FUGA

Por que, foges e alega

pro meu bem a atitude?

Sendo que assim eu fiquei

Foi por sua virtude?

 

No meu peito plantou

Nem precisou de alarde

a semente do amor

e agora foge, covarde.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h57
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FECHADO

Fechei meu coração.
Pros soluços amargos
de paixão, exacerbada.
Sofrer por querer, cansei
Agruras que ferem
Chagueiam a pele, sangue
expelem
Por amar, puro e demais
fiquei sem alma, pulso fraco
Fechei, então, ao saber
Que vã tentativa
era de fato
atirar-me ao buraco
da desilusão
Fechei, meu coração
Pras noites de prantos, escondidos
nos risos, dados
e na solidão molhada do lençol
que só eu conheci
Desfiz-me em lágrimas, pro sol
Sol que aquecia, mas, fechei
o coração, pois, sei
o sol, aquece de longe,
se tocar, mata... curei
e pele acostuma, sem ele
Fechei.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h55
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FAROL DO MAR DE MINAS

Os  clarões ao longe anunciavam ao navegador solitário uma temível tormenta, e correndo de um lado para o outro, arrumava velas, puxava equipamentos, cuidava pra que tudo estivesse perfeito. Seus pensamentos fixos no objetivo o impedia de sucumbir aos medos e perigos do porvir. O balanço violento das águas começava a bater fortemente agora na embarcação e o vento forte e gelado, parecia tentar tirá-lo do seu rumo. Convicto do ideal, o navegador solitário segurava forte o leme, e rumava com dificuldade ao seu sonho. A tempestade que vira ao longe em clarões, já era agora o seu céu, seu horizonte e seu chão. Águas impiedosas caíram sobre ele, gelando seu corpo, tomando suas forças. Os clarões de antemão, agora davam lugar a um escuro total, quebrado pelo ruído medonho dos ventos... ruídos que anunciavam coisas ruins. O vento rajava forte de todos os lados, e pareciam também insistir em tirá-lo do rumo. Seu chão, que antes era um mar de azeite, agora parecia ter vida, e a revolta do mar castigava o barco, batendo violentamente de todos os lados, como se o quisesse afundar a qualquer custo. Fraco e cansado, o navegador solitário juntava forças em pensamento para poder seguir em frente. De todas as tempestades e contratempos, era essa a mais temida, mais perigosa e a mais importante a ser vencida. Após anos de viagens pela imensidão dos mares e conhecendo os seus perigos e mistérios, sabia que tinha que passar por mais essa luta com o  desconhecido... em sua mente ficava pulsando o seu sonho, dando forças contra a tempestade, e sabia que se não sucumbisse àquelas forças contrárias, passando por elas, seu objetivo estaria cumprido. O porto seguro estava ali, à sua frente, e ele sabia disso. Porém fraco, cansado, machucado e cego pelo escuro em sua volta, já não conseguia reunir forças pra segurar seu leme. Sabendo o que lhe esperava, olhou ao redor, e vendo-se perdido, lamentou tudo que não pôde fazer. Queria chegar ao porto, e chorava por ter fraquejado. Sentia-se triste e vazio, por não ter encontrado seu destino e esperava o naufrágio iminente. Debruçado ao leme, desolado, aguardava o fim... quando ao longe, no escuro imenso do horizonte, avistou uma luz... a luz bruxuleava fraca, mas deu ânimo ao navegador solitário. Subitamente, reuniu forças e seu pensamento lhe dizia que aquela era a sua luz, o seu farol, que tanto procurava. Novamente enfrentou a tormenta, dores, sofrimentos, cansaço, quebras... ia vencendo tudo e seguindo a direção daquela luz. O seu coração alegrou-se ao ver a tempestade ficando pra trás, o mar revolto de novo se fazendo em águas calmas, os clarões e estrondos, agora davam lugar a uma única visão, a visão do ponto de luz, cada vez mais perto, cada vez mais forte... e refeito de suas energias, bradou aos ventos sua alegria de ver seu farol da segurança bem perto, mostrando o porto seguro, mostrando o fim das lutas e procuras. Aportou, sua luz brilhante era pra ele apenas, agora. Sua vitória veio, enfim... venceu a tormenta e seguro chegou, guiado pela luz do farol do mar de Minas...

 

Escrito por Alexandre Andrade às 17h53
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ESPELHO QUEBRADO

O Valor de um olhar, existe,

O espelho não o reflete, que triste

Mas busco no fundo do espelho

palpite...

Quebrá-lo-ei, acredite

Talvez esteja entre os cacos

Valor imaginário, mas que existe

Sei que não vês, meu valor

Sei que não sentes, meu amor

Mas tal qual o valor do olhar

ele existe

Lembra-se das palavras? Bocas e jeitos?

Lembra-se da cara?

Traços perfeitos...

O que é uma cara diante um espelho quebrado?

Várias caras?

Cara, coração. Forma um cado

Um cado de cada, uma cara pra cara

Um dedo em riste

Um valor, existe.

Junte-se os cacos então.

Deixe a cara, olhe o coração

Cole com amor, trabalho artesão

Entre os ranhos verás

uma única intenção

Mesmo sem jeito, e sem voltas intactas

e se não vir, de novo ponha o dedo em riste

e grite pra ele

existe.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h45
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EMBAÇADO

Passo ante passo, vou entrando de soslaio

Olho e procuro, na névoa me embaralho

Não consigo mirar, meu espelho embaçado

E vapor fez que sumisse... de repente, do meu raio

 

Entristeço por não ver meu rosto

Tento sorrir, num pensamento forçado

Talvez melhor, meu rosto deve estar mal

Triste, sombrio e funesto – sem igual

Se ao menos estivesse por aqui, desembaçado

Poderia refletir, mesmo que a contra gosto

 

Ah, sentimento vão, sem resposta

Como pode o espelho não refletir assim?

Alma vazia, tal qual vampiro, imposta

Não faz de si um pedaço de mim

 

Mas lento e vagaroso abro a janela

Sei que o vapor vai sair

O ar frio vai entrar, espero, espera!

Talvez o tempo que levar

Me faça recuperar o brilho da tez

O brilho dos olhos, do coração talvez

Sei que esse espelho vai mostrar

Sei que esse espelho vai falar

Sei que esse espelho vai se ver

No espelho dos meus olhos

Desembaçados, como ele, e sentir

Alegria, por saber que encontrou

Alegria, por saber que não quebrou

Alegria, por saber que não foi deixado

Alegria por refletir

Alegria por estar apenas embaçado

Escrito por Alexandre Andrade às 17h44
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CONJUNTO DA OBRA

Tens o timbre de um tom que toca

Bem profundo e que profana, os templos da antiga Grécia

Ao que a mais santa virava néscia

Ao ouvir-te Fabiana

A mais branca das nuvens, então se enegreceria

Não de ira, nem de alegria

Mas por não poder se comparar ao rastro

O seu alvo em cor, sempre alabastro

Dos veludos pessegueiros

É o toque, à sua face, assim faceiro

E o dourado que o sol escondeu

Foi quando viu, mais forte e belo

Da cachoeira de cabelo, o seu

Tão amarelo...

Brilhava e ofuscava, e a cintura se cingia

Como o frio que alcançava, o calor do trópico

E congelava

Congelava de um torpor feliz

Quando em conjunto os detalhes me lembrava

Que foi você, tudo que eu quis.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h37
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CARTA À GRACIOSA NAMORADA

Oi meu amor...

 

Hoje acordei com sua voz ainda ressoando em meus ouvidos, tão baixinha, o rouquinho característico e doce, e o riso mudo incontido, desprendido, suave. É, foi ontem, eu sei, quando estivemos mais uma vez juntos, mas a cada minuto longe de você, sinto-me como se me arrastasse nos confins da eternidade. O tempo  é  o cruel algoz dos enamorados, e comigo não podia ser diferente, até pior, creio, por apaixonado que sou, que me faz, que estou. Tantas e tantas vezes, incontáveis dias, horas, que ficamos juntos, dedilhando enredos de amor, sonhos e rimas. E esse tempo parece tão curto, parece tão ontem; diferente do tempo da ausência, que se perfaz em poucas horas, fáceis minutos de se contar. É a angústia da falta e a saudade que aperta, que clama, dilacera e pede... eu preciso revê-la. E é por isso, graciosa namorada (que o é sem saber) que se faz necessário transpor o desejo, irrepreensível no peito, em missiva de amor, trasladá-la como for, de navio, cruzeiro; de jatinho ou a pé, de corrida ou metrô, ou num trem sonhador, por qualquer que seja o meio, ou até por e-mail, mas preciso dizer:

 

Que a saudade é tamanha, e não consigo conter, meu desejo em te ver. Vem pra mim, como ontem, como todos os dias que me dá de sua alegria, que sei, é derramada aos cântaros, jorrada com gosto, mas, que por gostar tanto assim, que, que as sinto pingando, num devagar conta-gotas. Mas das gotas que sinto, pequenas eu sei que não são, vindas jorrantes de seu coração, mas mesmo assim eu aspiro, em findar a espera, quebrar os ponteiros, ajustar minhas horas, e ter o dia inteiro.

 

Dos momentos tão juntos, que só nós já sabemos, parece, eu sei, que foi ontem, lembro de cada detalhe, até do queixo: o entalhe. Dos apelidos, de músicas, cada rima perfeita. As quadrinhas, o complexo, a emoção sem tamanho. De idas de um lugar pro outro, viajar, imagino... que ao chegar me acolhes, e me sinto menino. Ah, graciosa namorada, de bebericadas nas cubas, falamos do sol, enxurradas de ouro, girassóis espalhados. Navios em guerra por amor, sonhos, fumaça, mitos e lendas... é saudade demais, que sua ausência me traz. Eterniza o tempo esse momento insano,  e te espero ansioso, escrevendo-te assim:

 

 

Queria congelar o tempo quando você estivesse pertinho de mim

Colocar no repeat e ouvir, tantas vezes sem fim

Sentir seu lábios vermelhos, minha boca molhar

Ofuscar-me em seus cabelos, e nos seus cachos enrolar

Bebericar do seu vinho, que desce dos picos rosáceos

Que banha, manchando a planície de sal

Me mostrando o rumo, do prazer sem igual

É isso que dá saudade e vontade...

É te encontrar sempre cedo

E te amar até tarde.

 

 

Com Amor, esperando no tempo eterno da sua ausência, graciosa namorada

Escrito por Alexandre Andrade às 17h36
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A OBAMANIA (O SALVADOR DO PACOTÃO QUE SEMPRE HOUVE)

Muito tem se discutido em torno do mundo sobre a crise mundial originada (midiaticamente falando) pela bolha do setor imobiliário dos Estados Unidos da América.  Jornais de diversas tendências: liberais, neo-liberais, democráticos, imperialistas, anti-imperialistas, socialistas, comunistas e neo-tiranos tratam do assunto sob sua ótica, ou seja, como melhor lhes convém. Assim, se morássemos na Venezuela, teríamos a visão de um país que aniquila a economia mundial e usa desse próprio aniquilamento devido ao seu poder mercantil para se reerguer, lançando embargos e favores econômicos. Os mais liberais, tendenciosos sob o ponto de vista americano, ditam que a regra é lançar os mesmos pacotes, auspiciados sob a nova flâmula do salvador que é hasteada, fazendo esquecer os erros e enganos cometidos pelos antecessores. Várias fontes, vários ângulos, versam sobre o mesmo tema, seria uma forma de obliterar, outras de expor a culpa daquele País. Ora, lançam-se balões de ensaio, enchem os pratos dos analistas de plantão e debatem mundo afora em programas afins. Mas o que vem a ser mesmo o tão famoso PLANO OBAMA, O PACOTE DA SALVAÇÃO?

 

Não é nada de novo, nada que não deixe de acontecer dia após dia no país do sonho americano. Pra quem vive dentro desse ambiente, é fácil a percepção de que a economia do país vive de planos de salvamento, diuturnamente. O pacote que tanto falam, das verbas que liberarão, que votarão pra liberar, é tão somente a pontinha do iceberg (uma espécie de prestação de contas com a comunidade global) de como funciona o sistema por aqui. Sabemos todos que aqui se gasta. O dinheiro gira. Ninguém poupa. Todos fazem financiamentos, pra tudo. Todos possuem o que quer. As empresas vendem, lucram absurdos, mas ano após ano, falsificando balancetes, negando o que devem, mantendo a forma pro espelho do exterior, chega uma hora que a bolha satura, estoura,  e essa hora, como é histórico e sabido, sempre acontece num período de crise não apenas interna... é o famoso desvio de foco: como percebemos, há crises aqui de tempos em tempos, a mais famosa, a de 29, surgiu pq o mundo passava por uma mudança econômica drástica, na época, sendo trocados todos os sistemas impostos pelo método americano de mão de obra, bem como alguns resquícios do pós-guerra (primeira) e da iminência da segunda. Agora, a crise, veio num momento que já era esperado, uma mudança anunciada... a saída do Filho do Diabo, do Satã, do Malvado torturador GWB. Ora, fácil, lança-se a culpa nas guerras, no eixo do mal, na má administração anterior e jogam-se os holofotes no novo exemplo de salvador... mas o povo não se engane, fora dos pacotes anunciados, todos os dias o que mais se vê são empresas clamando pela aplicação da lei numero 11 de falências, pedindo socorro as organizações, recredenciamento, parcelamento, re-contratos, para continuarem a operar... saldando veladamente pequenas dividas, forrando outras, esperando, quando do pico, do auge, a ajuda salvadora.

 

            Os pacotes de 900 bilhões, anunciados e votados, são apenas petiscos do que os vários bilhões injetados pelas leis de falências, de incentivo e de reestruturação interiores, as quais os olhos do “exterior” não vêem. Esses parcos dolarezinhos aí, são meramente pra ajudar algumas das mais famosas, grandes e conhecidas empresas, ditas como almas do poderio econômico americano, se firmarem, e evitar a chacota lá fora... são investidos basicamente na produção de veículos, e no suprimento dos famosos bancos de mortgages, o quais, sem existir, não daria pra todo americano ter seu castelinho próprio cercado de automóveis zeros e sem muro... ostentando o poderio do país.  O fato principal: ninguém vai reduzir salário anual, isso é pra facilitar os lobistas, a liberação do pacote. O fato secundário: a injeção de dólares no mercado não tende a melhorar o sistema de comercio exterior, como fator principal, pois, como todos sabemos, os USA detém valores incalculáveis das dívidas dos ditos países pobres, e aqueles mesmos que eles destroem, depois vão para suas terras reconstruí-los e endividá-los. Quando a isso eles comandam, e vão continuar comandando. O mercado de trabalho sofre um colapso, mas o dinheiro que será injetado, acabará com os rumores de quebras, de cracks, e novamente o setor voltará com força total. Nota-se, uma coisa principal: quem sofre mais é quem mais consome, pois, em tempos de crise, o comercio esfria, ninguém compra, e o setor arrefece, quanto aos outros, por baixo do pano, o país vai muito bem obrigado.

 

O PACOTE SALVADOR DA OBAMANIA não é inédito, e não merece tanto respaldo nem tanta importância, pois não será ele que afetará a economia mundial nem garantirá sua redenção... compete a todos os outros países fortalecerem suas economias, se resguardar de finanças de reserva, e olhar para o próprio umbigo... e coibir, os cidadãos, qualquer manifestação populista de presidentes oportunistas de culpar possíveis maus momentos vindouros, pela vida econômica da América do Norte. Um recado aos brasileiros: Olho nos programas assistencialistas do seu presidente, enquanto placas e cartazes afirmam que ele faz tudo pelo social, pelas cortinas de Brasília também saem pacotes que ajudam muitas das vezes setores que não tem nada a ver com o que ostenta a bandeira do partido: a ajuda aos bancos para manter a inflação estável, e disfarçar sobre o lema da estabilidade, a feitura de um bom governo. O governo atual, de Brasília, diz que a crise no Brasil é simples marolinha. MENTIRA. Sob a batuta da estabilidade do REAL e dos planos assistencialistas, disfarçam em falsos discursos que a pobreza diminuiu, e a fome foi erradicada... de certa forma sim... pois, com os bolsas-esmolas, dá pra comer um pouquinho, e dizer que já nem é tão miserável, mas, o que o povo precisa, não é de esmola, e sim de estrutura pra poder viver como rege a (in)digna Carta Magna de 1988.

Possibilidades do Plano Funcionar: TODAS, sempre funciona

Pontos Negativos:  Ataque das mídias anti-USA

Expectativa dos Países que Dependem: A mesma, dando certo ou não, vou continuar dependentes, pois suas dívidas são impagáveis e seus governos medíocres

Benefícios sobre a economia Brasileira: Para o governo atual, assistencialista e oportunista, é uma mão na roda, pois usará de ponto de apoio, dando certo ou não. Mas não mudará nada na economia brasileira, pois, esse governo não muda nada, apenas aproveita os bons ventos trazidos dos anteriores.

Concordo, apesar dos pesares. Pra ser líder mundial requer medidas drásticas

Escrito por Alexandre Andrade às 17h34
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A ESTRELA E O MORCEGO

Todas os dias  o morcego saía de sua caverna quando a noite caía. E sempre voava sob o céu de estrelas sem dar muita atenção aos pontinhos brilhantes que bruxuleavam acima de  si. Todas as noites o morcego usava aqueles pontinhos bruxuleantes no céu pra se orientar e voava tranquilamente, indo e vindo ao sabor dos ventos ora quentes, ora frios, conhecendo flores, insetos, saciando sua curiosidade e sua fome como a natureza permitia. Todos os dias, aquele morcego saía, e encontrava com outros morcegos, e via estrelas, via seu céu pontilhado e brilhante no breu do infinito, e todos os dias ele voltava pra sua caverna, e esperava mais um dia pra repetir o ritual.

 

No céu, o universo de estrelas, todos os dias, nasciam estrelas nas mais distantes galáxias, e também morriam outras, em outras mesmas distantes galáxias. O universo e sua mecânica estelar nunca parava, nunca ficava estático, e todos os dias, aqueles pontos bruxuleantes e brilhantes no vácuo, eram testemunhas das coisas que circundavam seus planetas próximos. Todos os dias, as estrelinhas e os pontos brilhantes que eram próximos daquele planeta azul que tinha aquela caverna, viam as peripécias daquele morceguinho que se aventurava fora da caverna. Todos os dias... e num belo dia, uma estrela nasceu nessa galáxia, e aquela noite que caía, ia ser sua primeira noite como testemunha da noite daquele mundinho.

 

O morcego saiu, em peripécias e vôos de aventura, ora risonho, ora sapeca, ora bravio, ia passando por flores, por arvores, por pessoas, por rochas, por tudo... e naquela hora da noite, aquela estrela despontou. Como de costume, o morcego conhecia seus pontinhos brancos comuns, e naquela noite, ao olhar pro seu céu de betume, de breu, viu, lá em cima, um ponto novo... que brilhava mais que todos os outros, ofuscado ficou, e pousou em uma árvore seca, e ficou a fitar. Aquelas estrela mais bela e mais brilhante era, que a própria lua... Como era linda, como brilhava, um mesclar de um brilho da lua, alvo alabastro, com bruxuleares e flashes dourados, como o fogo do sol... Brilho intenso, que fazia o morcego maravilhar com o céu tão bonito, agora.

 

E o morcego brincou, e o morcego voou o mais alto que pôde, e a estrela ria, a estrela se divertia com suas brincadeiras, suas graças, galanteios e seu jeito estupefato, ora sério, ora brincalhão, ora tão manso, ora rusgão. E o dia veio, e a noite se foi... e mais um noite que veio, e noites que vieram, muitas noites, e o morcego cada dia se embebedava daquele brilho no seu céu... os outros morcegos, que eram talvez amigos, ou vítimas das peripécias, e até alguns inimigos, perderam-no de vista... e o disseram louco, e alguns zombavam, lhe dizendo que não via razão num morcego se dar a apaixonar por uma estrela do céu. Mas ele dizia: não é uma simples estrela, é a mais brilhante, a que inspira os poetas na terra, eu sei... mais que a lua, mais que sol ou o mar, os poetas lhe rendem poemas pro seu brilho intenso e colorido, ora alabastro, ora dourado. E o morcego, estava, deveras apaixonado.

 

E todos os dias, por longos anos, a estrela e o morcego brincavam... brincavam de se amar, se gostavam. O morcego era acariciado pelos seus entalhes distantes... e a estrela agradecia com seu brilho tão doce, só pra ele, as vezes... ah, ele sabia ser as vezes, pois, toda estrela, no céu, assim tão vistosa, tão formosa, é vista também por outras muitas pessoas, até os poetas, até pedintes, mendigos, cães, apaixonados ou não, e sabia não ser só pra ele o seu brilho, apesar de tê-lo e quere-lo, quase sempre, só pra si...

 

Mas o tempo passava, e a estrelinha parecia agora brilhar mais em outros céus... por mais que ela dissesse que não, e que sentisse e dissesse sentir a falta do morceguinho perto dele a voar, ele sentia que outros alguéns agora tinham mais perto seu brilho que ele... Entristecido, procurava entender, o porque tão difícil era ela lhe aceitar, como amado.. no mundo do amor não se tem distinção, se uma é estrela tão branca e outro um morcego tão tão... Mas lhe diziam, a distância é estelar, é cósmica, e a beleza dela é mil vezes maior, ela quereria um astro, um astro pra lhe fazer par, pois um astro lhe daria grandeza e não lhe macularia o brilho puro... e o morcego da noite era impuro, era longe, era um ser tão distante dela, agora... e ultimamente o morcego voava cabisbaixo... sem olhar pro seu céu... e quando ousava olhar, via o brilho do seu amor estelar, tão baixinho, via sua estrela, brilhar em outras paragens, brilhar pra astros de belas imagens, mesmo que seu amor fosse a mais bela loucura dantes inimaginada...

 

O morcego tentou... virou poeta do amor, compôs, flores deu, de várias formas, escritas, faladas e até a mais tradicional... mas as flores morreram no vácuo sideral, antes de chegarem perto do coração da estrelinha... Ela só viu a intenção, e ele ficou doente, sem voar, dilacerado o coração...

 

Anda tão triste morcego??? O que acontece com você que não mais faz peripécias, não mais voa longe, nem sonha em poemas?

 

É que o morcego descobriu que há um limite infeliz no mundo do amor, descobriu que que uma estrela nunca amaria um morcego, seja em qual mundo for... Mas a despeito dessa tristeza em saber que sua estrela nunca tocaria, uma afirmação ele fazia com convicção que o fazia sorrir: Minha branca de alabastro em Estrela, Musa do céu dos poetas de brilho branco e dourado... tanto faz se estou longe e não posso te tocar ou não ir até aí... nada vai tirar do meu coração a alegria dos meus vôos, na lembrança daquela linda noite, em que eu te conheci.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h28
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A BUSCA

É  bom tua presença, suave e menina

apraz, envolve e anima

ter sua compania

faz do dia, a alegria

lábios desejados, timbre do amor

do sol tem o brilho, a cor

Meu sonho em ti descansa

No afã do abraço teu

Sinto o cheiro dos teus rios

Nas espáduas, dourados fios

A maciez do seu falar

Toca o meu amar, profundo

E esse jeito, que é pra mim

Me faz sentir dono do mundo

Que pode ir além, de um mero querer

E faz lugar, por merecer

Achar a chave, o teu tesouro

Que não é prata, tampouco o ouro

É impossível, de mensurar

Podem tentar, mas não tem jeito

O que move, força motriz

Ta bem guardado, aqui no peito

Move os desejos, o coração...

E o que eu busco, tão diuturno

O seu amor, minha paixão!

Escrito por Alexandre Andrade às 17h27
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A BOXEADORA

Ele observava seus movimentos, com olhos de águia compenetrada

O gongo soou, após conhecer, e os rounds agora corriam sem a piedade do tempo

Ela o socou, com cruzado de voz, linda e doce, aveludada

Deu um direto de sotaque, em seus tímpanos que então se estontearam

Como uma labirintite que o fulminava, o desiquilibrava

Cada vez que com seus golpes de voze e sotaque lhe apregoava

O fim do primeiro round o salvou da queda, mas era questão de tempo, a queda esperada

No segundo ela voou com uma sequência feroz de jeitos, caras e bocas

Não lhe deu opções, se deu, foram poucas

Sangrava pelos poros, surrado estava, por sua inteligência e sensualidade

E timidez afetada

Caiu, o juiz contou... um, dois, três... levantou e a olhou, queria lutar, e partiu

Foi pra cima dela e com poucos golpes de palavras e poemas a cobriu

Não sabe se a abalou, mas pelo jeito a encorajou

Ela em resposta bateu, bateu e bateu

Girou sobre seu eixo – o coração – e desabou...

Ela venceu por nocaute. Seu coração se apaixonou!

Escrito por Alexandre Andrade às 17h27
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A ESTRADA DA FELICIDADE (UMA OUTRA CHANCE)

… A brisa fria lambia-lhe as costas, e  o frio que lhe acometia a espinha parecia vir daquele vento vindo da estrada, mas o que lhe fazia sentir aqueles calafrios era algo que transcendia ao clima de fim de inverno daquela época. Alheio à rodovia barulhenta à poucos metros, ele só ouvia o bater descompassado do seu coração, e o pingar das lágrimas pesadas na poeira que pousava seus sapatos. E Sentado, olhava sem ver o horizonte que já se acobreava no fim da tarde e quase não percebeu o velho que passava ali ao seu lado e lhe perguntara onde ia dar o norte daquela estrada?

 

- Vai dar num lugar chamado decepção, meu senhor!

- Ora, ora, não fale assim meu rapaz, posso me aproximar?

 

Ele olhara com indiferença e fez um gesto de ombros que não negara nem permitira o pedido do velho; o qual sem pressa se aproximou e acocorou-se ao seu lado

 

- Menino, o que passa que seus olhos marejam tanto? Mostra tanta dor no peito que não consegues disfarçar o sangue que lhe brota ao coração...

 

O rapaz, jogando pedrinhas na mata a beira do abismo, olhava indiferente os repicares das pedras nas galhas da floresta, e alguma revoada de passarinhos assustados com os projéteis passando ali perto dos seus locais de descanso ao fim do dia.

 

- Diga-me, em verdade, essa estrada vai mesmo dar na decepção? Como assim?

- É que pra lá fica a decepção...

- Pensei que ficasse a felicidade

- Não, a felicidade não fica pra lá, e acho que não tem endereço fixo em lugar nenhum, meu senhor, a felicidade é uma estrada inexistente, sonhada, como a Atlântida, como Rhodes, como o Éden. Nada disso é factual...

- Acho que você não a seguiu até o fim... me disseram, há muito tempo, que pra se chegar lá na felicidade precisamos passar por vilarejos menos importantes, e um deles é a decepção, que você apregoou, mas a estrada continua, você pôde não ter se apercebido, mas logo depois da curva da decepção ela continua pra mais além... tem umas cidades perigosas depois, a insatisfação, a irritabilidade, a chatice, a raiva, passa pertinho do ódio, e dependendo do seu planejamento, se você não tiver abastecido pode ocorrer de você ter que parar lá pra abastecer. Portanto, planeje bem não deixar o ódio lhe tirar do caminho da felicidade.

- Mas eu nem tenho carro

Sim, mas dorme, e como a Felicidade é longe, se você  não se planejar, poderá pernoitar na tristeza, ou quem sabe na desilusão, até mesmo na desesperança. Meu filho, quando se pernoite na desesperança, talvez a manhã nunca chegue, tamanha é perigosa aquela cidade.

- O senhor conhece bem essa região heim? Por que então perguntou onde daria essa estrada?

- É que eu estou em busca do amor, e me disseram que o amor é um bairro da felicidade, mas outros me disseram que a felicidade que é um bairro do amor, e isso eu ainda não descobri.

-Mas o senhor me parece tão, me desculpe, tão mais velho, e ainda não visitou o amor?

- Visitei a paixão algumas vezes, passei algumas temporadas nos prazeres, mas ainda não tive oportunidade de conhecer o amor não

- Mas dizem que o Amor é uma cidade de gente nova.

- Pelo contrário, os novos do Amor não aproveitam a cidade, são depredadores e saqueadores, o amor é pleno quando você o vê de verdade com seus habitantes que lhe respeitam, os que já são sapientes das suas necessidades.

- Mas o senhor vai viver no amor, não acha melhor viver na felicidade?

- Não tem como viver no amor apenas, eu vivo numa cidade e trabalho na outra.

- Em qual você vive e em qual você trabalha?

-Meu jovem, eu estou mudando pro amor, e vou trabalhar na felicidade

 

- Boa sorte pro senhor...

 

- Vamos comigo, lhe arranjo emprego na felicidade, assim você pode comprar sua casa no amor, um lugar bom de viver

 

- Não, obrigado, vou viver ali no ressentimento mesmo

 

- Mas, o que aconteceu? Não quer mudar, melhorar de vida?

 

- Na vida acontecem coisas que fica tarde de mudar... meu senhor, e o meu destino é esse, eu agi pra que acontecesse isso, agora não tenho chance

 

- Meu jovem, nosso destino somos nós quem o fazemos, O QUE VOCÊ FARIA SE PUDESSE TER OUTRA CHANCE?

 

 

- Eu diria a ela que amo, e não carregaria essa dor de ter-lhe ocultado isso e quem sabe, teria corrido o risco de a ter tido, e junto moraríamos no amor e trabalharíamos na felicidade, pra sempre.

 

- E você já parou pra pensar porque não visita pelo menos a felicidade? Talvez ela esteja por lá também procurando lugar pra morar, e aí você diz isso pra ela.

 

- Acha mesmo que ela poderia estar por lá?

 

- Todos nós, assim como ela, buscamos a felicidade, mesmo que ela tenha morado ou visitado a cidade do medo primeiro, ou a desconfiança, ou a auto-suficiência, no fundo no fundo, assim como você, ela também quer encontrar a felicidade... então... vamos?

 

“e olhando o sol que descia douradamente no firmamento, enxugou as lágrimas e decidiu a procurá-la na felicidade, pois na felicidade, pensando calmamente, poderia lhe mostrar as qualidades de se morar juntos no amor!

Escrito por Alexandre Andrade às 17h25
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E SE VOCÊ TIVESSE OUTRA CHANCE?

Se você tivesse uma nova chance
Jogaria minhas palavras no rol das tolices?
Ou as abraçaria com amor, mesmo achando ser
Isso uma sandice?
Se você tivesse uma nova chance
Faria de um amigo tão querido
Que foi embora entristecido
Pelo seu coração esquecido
O seu verdadeiro amor, merecido?
E se você tivesse uma nova chance
E não pensasse nos medos e nos pavores
Aceitaria desta vez
Aquele lindo buquê de flores?
Se você tivesse uma outra chance,
Leria com certeza no coração
Que sentimentos não são simples drama
E que atitudes falam mais ao coração
Se você tivesse outra chance
Perdoaria um coração ferido
Que num momento enfurecido
Lhe fez brotar um choro doído?
Diga pro seu coração agora
Com toda sinceridade que você lhe tem ao alcance
O que você faria, se tivesse outra chance?

Escrito por Alexandre Andrade às 17h25
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EU, MAIS SÓ DO QUE A LUA

No vagar dos seus carinhos

Vejo a persiana com a luz da lua a  filtrar

e olho lá em cima, e como ela assim me sinto

tão sozinho... mas ela ali, com as estrelas tao distantes

me faz pensar, que sou igual, nesses instantes,

em que a minha estrela, a noite, vem me visitar

Mas não sou não, ela é mais feliz e realizada

um dia, alguns dias, passado e futuro,

uns lhe fazem o toque, a caminhada

ela se sente em sua poeira sem gravidade acarinhada

e eu? nao sinto o toque, nem o frescor

da sua cascata em fios, ensolorada

nem as manhãs alabastrais, de suas mãos

em mim postadas.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h24
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PENSAMENTO ESPARSO - SÓ APARENTEMENTE SEM SENTIDO

Telefone toca, atendo, mas sei que nunca poderia ser vc...
já diria aquela música: preciso de você agora... mas o momento faz tu ir embora, eu olho no relógio, e amanhã nao vai ter mais a mesma hora... mas te levo todo segundo na memória. Toda a cor, me lembra os seus olhos... mesmo da castanhez que se apresentam, o ouro é visto. Eu quero te encontrar. Parece loucura, é... como te explico? A verdade mais pura é que parece que não parece amar. Desculpe. Não quis te ferir. Mas a verdade dita é bem melhor que eu mentir. Impossível sonhar com algo inatingível e ser tão feliz. As vezes eu esqueço, mas a lembrança da dor é forte, não consigo entender... não acho isso natural, eu queria que fosse igual, mas nao acho natural... impossível sorrir depois que se vê indo embora; chorar é comum, enxugar os olhos.. mas sorrir é bem... espera quem vc ama, sempre há chance do impossível acontecer. O mundo vc destrói em pensamento e sobra: eu e você. não tão temporário, temporário sim o bastante pra ser longo. Talvez o prazo de uma vida? ahhhhn, isso é temporário pra Deus, pra gente é eterno né? Eu me olho nessas roupas, e a casa tá sem alegria, ah, enquanto vc nao tava era bom dormir, mas mesmo assim nao te esquecia. Vc me ouvia, o que eu dizia? é dificil assimilar, adaptar, sem tudo que estava tao bom. Minha cara no espelho tá rude, estranha. Deixei minha barba desse tamanho, a alegria quandd falta é assim né? Vejo as folhas arrastadas pelo vento, ah se eu tivesse vento pra me arrastar nesse momento. Mexeria ao menos. Aqui, Amanha, Agora, o dia, a noite, instantes, tá tao tarde... mas eu fico com saudade. Amor, amor, amor... me dá um abraço cálido e apertado. um beijo leve adocicado. Me deixa ser seu amor. Falei pq tenho medo do amanhã, o aqui, o instante, a hora, a verdade... o que importa o amanha? nao farei os planos, mas eu vou sonhando... mas aqui, né? Ah meu amor, minha amiga, conversar é bom, brigar nem sempre é, mas tem vez que é, né? mas o bom mesmo é o sentimento que pulsa igual sangue jorrante da jugular cortada.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h24
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NÃO DEIXO

Brilho. Raro, preciso. Intenso irradia
Faz clara, escura noite, como alegre dia
Brilha. Pra mim, precisa... entorpece
Ofusca, o brilho do sol, anoitece
Olhar, Macio, cristalino. Sonhos que causa
Quando em mim, fita, fica, uma pausa
Percebo, parado. Num momento, coração
Pareço, dopado. Embriagado de amor, de paixão
Dourada. Formosa, a graça em pessoa
Te vejo, sorrio, e acalanta meu ser
Me sinto, tão bem. Bem assim: vida boa
O rosto. as formas. O entalhe, o seu queixo
Pequenas nuances, que impedem esquecer.
E se pensas: partir? Digo não. Eu não deixo.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h23
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QUANDO A LUA TE VÊ

A lua narcisista, auto-namoradora

É musa inspiradora

de amores imperfeitos

e dos demais também, perfeitos

distantes e pertos...

dos corações incautos, destemidos, incertos...

a lua que nua, reflete sua verdade crua...

que é de ver refletida na água, não a beleza própria,

mas a da moça que é musa, a SUA

Escrito por Alexandre Andrade às 17h23
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RASCUNHOS INACABADOS

A Fantasia  do Sol (Samba-Enredo-do-Sol-Poema)

 

 

Lá vem o sol abrindo alas, com seus raios ofuscando a multidão

Ele brilha, é um sol imenso, fantasia de pura paixão

O sol está contente, ele ri pra platéia nas arquibancadas

E seu entusiasmo, qualquer um sente

Na passarela

O sol balança, estremece todo, Que imagem bela...

O povo se levanta, homens, mulheres, também crianças

Pra ver o brilho dourado, da alegria, de suas danças...

Mas qual o segredo, de tanto calor, daquele sol, fantasiado?

E por que será, que tanto brilha, assim extasiado?

 

Tum dum dum zirigudumdum... tunz tunz dum dum zirundumdum

Escrito por Alexandre Andrade às 17h22
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PENSAMENTO ESPARSO - DO AMOR QUE DOMINA OS SENTIDOS

Ah, esse olhar, essa voz. Esses teus lábios que me trazem o desejo de um beijo, e que faz eriçar os meus pêlos. Tua  bochecha rosada que insiste em teimar, mandando em silêncio o queixinho mordiscar... ah, motreca dos cachos de sol, do brilho intenso de um girassol... sigo seu cheiro, seu som o seu rastro... sigo a brancura do seu tom alabastro, e  me entrego em suspiros a esse amor que domina. E eu assumo:  te amo, minha mulher-menina.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h22
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INSENSATEZ

Naquele instante noite e dia se encontravam
Enlace momentâneo do inverno e do verão
A chuva quente e a neve fria se tocavam
Era o cenário de estranha ilusão,
Na garganta uma lágrima sufocava,
Impedindo a natural respiração,
Na cabeça em confusão se aninhavam
O pesar,o por que? e o senão
Com espanto e tristeza ali eu via
A ironia e o sarcasmo imperar,
Opção se transformar em deboche,
Substituindo o decantado verbo amar,
O certo e o errado se tornando um só,
Ao ver o corpo com erotismo desnudar,
Em troca a nudez revelada exigiu,
Alto preço pelo desejo, a pagar.
Uma dúvida pairando em minha mente
Por que o corpo escolhido,assim o fez?
Com tantos outros corpos reais e virtuais,
Por que agir com total insensatez?
A pergunta certamente tem resposta,
É demodê se sentir tanta ternura,
Coração fica de lado , clama a carne,
Num lâmpejo de desejo e de luxúria.

 

 

autora: Fabiana.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h21
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O VESTIDO VERDE

Vozes indistintas ecoavam e reverberavam em sua cabeça cansada naquela manhã de domingo... acordou fustigado por um som alto e resmunguando qualquer coisa levantou-se pra lavar o rosto e ao olhar pro drive-way notou uma aglomeração de pessoas razoavelmente grande sob um toldo, ao som de músicas e regado a cerveja. Pensou consigo mesmo: “festa hoje, domingo? Não, melhor ir pra frente do PC”... mas rapidamente deu uma olhadela pela porta e viu alguns amigos conversando animadamente no sopé da janela da cozinha perto de algumas meninas desconhecidas. “Ah, que mal há em verificar o que há de bom?” E lá foi ele pro meio da patota em festa... Pessoas indiferentes passeavam pra lá e pra cá e algumas músicas indigestas tocavam naquele momento... junto de seus amigos, já com uma cerveja na mão e pensando em sair, viu chegando um pessoal e não pode notar a mulher de vestido verde que chamava a atenção de todos ali... resolveu acompanhá-la com o olhar, e pra sua surpresa, imaginando que iam ter com o pessoal debaixo do toldo, eis que ela se aconchegou com os amigos perto de sua turma. O dia passou rápido desde então. Lançava olhares tímidos, mas de interesse, que soube depois passaram todos desapercebidos. Também pudera, durante todo o dia, fora ela cortejada pela trupe dos mais variados alcoólicos ali presentes. Eram diretas, indiretas, danças e puxadas de bate papos a que ela era submetida, e sempre com uma atenção carinhosa dispensava reciprocamente vários sorrisos a todos. Trocaram não mais que poucas palavras durante toda a volta do dia... Mas sabia ele que aquela moça de vestido verde tinha um brilho especial que não sabia ao certo nos olhos...

Como nos romances ditados pelas estrelas, ou pelo destino, o qual ele não acreditava muito, apesar do romântico que era, por meio de amigos afins fora convidado juntamente com o pessoal que ela estava presente, a ir terminar o dia, e começar a noite, em uma boate perto de sua casa... não era muito da sua vontade sair a noite em pleno domingo e sabendo que trabalharia de manhã, mas por uma força brilhante esverdeada que lhe acometia os sentidos, seguiu com seus amigos pra balada... e como sempre, no mesmo local ruim de sempre, foram todos que ali estavam. Se fora sorte ou destino, não se sabe, mas como todos no recinto prestavam atenção em uma partida de futebol ali, sentaram todos à uma mesa na ala externa e puderam enfim conversar mais tranquilamente. Um ou dois caras insistiam na corte, e já pelo olhar triste e distante, ele percebeu que ali não estava uma pessoa com o único intuito de divertir-se frugalmente, nem tampouco queria ganhar cantadas ultrapassadas em desuso. Mas queria mesmo era alguém pra quem sabe dividir um pouco das suas agruras, ou somar mesmo um pouco de alegria, que furtivamente, e polidamente, se forçava a parecer. Atento, carinhoso, prontamente solícito deu seu ombro, conversou e merecidamente ganhou a confiança daquela que tinha um brilho agora triste no olhar choroso, que se abriu e mostrou-se insegura e amarga... e lhe foi amigo... por uma longa sequência de horas. Aconselhava e se dava como um bom ouvinte, foi sucinto e direto, e mostrou, após saber da tristeza que lhe acometia, que apesar de tudo, ainda podia se encontrar pessoas de sexo oposto dispostas a trocar alguns momentos de ajuda mútua.

Quando todos se preparavam, findo o jogo, pra dançar aquelas mesmas músicas indigestas, foi surpreendido com um convite um tanto quanto mágico, e não acreditando ter ouvido aquelas palavras, pediu pra repetir ao pé do ouvido, a despeito do som alto que impedia a ouvir direito:

“Vamos passear a beira-mar”?
“Você está falando sério”?
“Sim, mas... desculpe, ah, que bobagem a minha...”
“Não, não, claro, vamos... mas, tão tarde? Ah, vamos”

E saíram... calados, na expectativa Deus sabe de que em seus corações... não, não estavam eles se dirigindo pra uma noite de amor causada por um desejo rompante de primeira vista, mas sim, correndo do trivial, indo pro silencioso, e quem sabe, confidenciar e viver um momento raro que se não impossível, com certeza quase impossível de se ver no ambiente em que vivem...

E desceram a calçada de encontro a areia. À frente, as ondas de um mar agitado lambia a praia com águas espumantes que refletiam as luzes da cidade às suas costas... Ela correu feito criança sapeca de encontro ao mar... molhando seu lindo vestido verde e suas bem torneadas e perfeitas pernas lisas de alabastro. Sorria, se libertava, não se sabe ao certo de que, naquele momento... caiu, levantou-se, um pouco tímida pela queda não programada... molhava-se até os joelhos, até as coxas, segurando seu vestido vaporoso e esvoaçante nas mãos... Deitaram os dois na pedra quente e olhavam as estrelas, e falavam dos seus pormenores, características, gostos, vontades, alegrias, amores, tristezas, dissabores... As mãos se entrelaçavam timidamente e respeitosamente, e olhando pro céu aberto de estrelas, viram, os dois, a cadente estrela do pedido latente, e fizeram, em silêncio, cada qual o seu, em segredo.

Caminharam, por mais um tempo na areia, nessa hora tiveram como testemunha apenas o passarinho, provavelmente um martim-pescador, que buscava pequenas algas e alevinos nas espumas das ondas... e sorriram da simplicidade e do desalinho de seus passos correndo das ondas mais nervosinhas. Sentaram-se no banco de areia molhada, lambuzaram mãos e pernas com a areia fina e cinza, conversaram... e depois de muitos olhares e tímidos sinais.... um beijo único, coroou o encontro de tão distintas e respeitosas pessoas... o calor subia em seus corpos e o toque das peles parecia implorar por mais, e mais... porém, na iminência da chegada dos amigos, ou mais precisamente talvez, pela dúvida e receio de aquilo ser um sonho e poderem acordar tão logo a manhã viesse, sozinhos... impediu que o amor acontecesse de forma plena...

E foram embora... felizes, esperando talvez um dia, que aquela noite terminasse em outro local, e os dois enfim, pudessem se tornar um só, em um só corpo, e delirar do prazer sonhado naquele cálido momento de amor poemado.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h20
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Pensamento Esparso: Tratado Pessoal dos Conflitos entre a Razão e o Coração

Por que será que quando estamos passando por momentos turbulentos em nossas vidas, esses mesmos momentos fazem com que as coisas se reflitam de maneiras negativas naquilo que almejamos fazer de melhor? É fácil nesses períodos percebermos receios e o medos habitando nossas almas e pensamentos... inconscientemente mergulhamos numa vã tentativa da razão encobrir as dores de mais uma decepção... Claro que a vida de todas as pessoas é dinâmica, e estamos sempre conhecendo; mesmo que pouco; outras sensações, nos permitindo sair as vezes da “concha” e nos darmos alguma outra chance de tentar refazer direito... estranho, quando um sentimento nos pega de bem com a vida, enche-nos de caminhares em ovos, visões de flores e jardins de encantamento... esse mesmo sentimento as vezes toma sabores meio amargos quando não estamos assim tão bem. Mesmo que inconscientemente percebemos algumas nuances e compreendemos alguns detalhes, mas nunca deciframos o que se passa de maneira clara que nos impede de visualizar tudo de forma simples. Quando sentimos uma coisa boa, esperamos, contamos as horas, lembramos dos cheiros, dos sorrisos, do olhar distante que escondeu outrora no brilho apaixonado a vontade de uma felicidade... a vontade de nos felicitar nos braços um do outro. Nao podemos ser culpados, nao podemos ser crucificados, em ficar com medo do novo quando há tão pouco tempo estávamos com corações duros e cristalizados por alguma dor. Não sei. Quando conhecemos uma pessoa que nos mostra nas atitudes tudo aquilo que ansiamos encontrar num amor, mergulhamos de fato de cabeça, pulando passos e subindo degraus com muita vontade, sem talvez querer enxergar que com corações assim as coisas devem ter um processo mais gradativo e adaptativo. Nao, não temos culpa disso. Mas quando nos sentimos bem e confortáveis, felizes, amparados, nos deixamos levar rapidamente. Quando são afins, os pares, de maneiras e gostos, gestos e desejos, queremos mesmo logo a relacionar de maneira mais intensa, infelizmente por desatinos dos corações incautos, não deixamos as acontecerem naturalmente. A cada dia, cada coisinha que fazemos, nos fascina, qualquer filme, projetos, e outras coisas. Passeios, vinhos, risadas... o fazer amor, sentir-se desejado e desejar... tocar, cheirar, sentir, provar cada gosto de cada parte da pessoa amada... Quando uma pessoa nos preenche, acontece exatamente assim, seja no início, Sem pensar, ou durante, e depois... A gente se doa, se permite apaixonar... Mas quando de um lado, a razão nua e crua, movida por tantos percalços anteriores, tem voz ativa sobre a emoção, e coloca tudo pra baixo, a outra parte, ou ambas talvez, ficam-se perguntando o que realmente houve. O que aconteceu? A razão argúi: está ciente dessa entrega? Está disposto a investir e deixar-se levar? A razão então, quando vence esse duelo, deixa amendrotado os corações que antes queriam ser um só, os deixam paralisados... mesmo que talvez, com uma falsa sensação de paz, ao sentir que a razão e a emoção já não se conflituam por ora. Mas dado um momento, a paz pode parecer reinar em absoluto em nós, parecemos, sob os comandos da razão fria, encontrar um certo período de tranquilidade. E aqui, cabe um parágrafo sobre uma frase que li muito tempo atrás, de um famoso escritor: “quando abandonamos nossos sonhos, podemos encontrar paz por um certo período, mas determinado momento, os sonhos mortos começam a apodrecer dentro de nós, e paralelamente, a infestar o ambiente em que vivemos”... Em que pese a paz do momento, la na frente, quando realmente e praticamente nos vermos sozinhos e ao olharmos pra trás, e ver que estamos “fora do tempo", começaremos a questionar sobre o porque ou os porquês não nos deixamos vivenciar aquela sensação em que a emoção aflorava, nos realizava, nos fazia bem, por causa de pressão da cabeça racional que nos espetava, dizendo que era melhor ficarmos inertes mas com a cabeça no lugar, em paz racional, em detrimento do bem do coração emotivo. Mas ao mesmo tempo, não culpo essa nossa parte racional, que também, mesmo que não parecendo, age apenas em virtude de nos proporcionar proteção, ora, pois se ela é carregada de cicatrizes, já obviamente sabe o quão doídas são, e vai tentar nos afastar realmente de qualquer ferimento que venha deixar mais uma. Não culpo a razão em algum momento, pois ela é quem define a medida da dor em outros campos da nossa vida, mas, se ela for muito dura e não nos conceder o benefício da dúvida, como iremos, ou irão, saber, os dois, razão e coração, se aquele mergulho no desconhecido em busca da felicidade ia ser bom ou ruim? Nessa dança de sentimentos, de conflitos internos em que ora o coração grita e fala mais alto, e ora a razão ordena as atitudes da vida e em que pese a tristeza, depois, o sol clareia, a gente segue o caminho, se fecha, novamente, e depois, como eu disse no inicio do meu pensamento, acima, com a dinâmica da vida, conheceremos outras pessoas, alegraremos, choraremos, nos decepcionaremos, faremos amor, gozaremos, sofreremos... Assim é a vida que nos compete aqui na terra. O que não podemos ter é medo de encarar os obstáculos que ela nos impõe pra poder chegar ao pódio da felicidade. A busca é assim, sempre foi e sempre vai ser. E solidão, ninguém quer ter, por mais que diga, ah, melhor ficar assim por um tempo... mas sabemos que não é assim. Então, numa situação conflitante de um coração cristalizado, sendo açoitado pela razão a não mais se doar, para não vir a colecionar outra cicatriz dolorosa, e esse mesmo coração, esperançado por novos horizontes, teimando em querer burlar os conselhos da razão insensível, desesperado por amar... Qual caminho seguir?

Não há resposta, há apenas um conselho, que, pode dar tão errado quanto seguirmos unicamente a razão, ou unicamente o coração: A intuição do brilho do olhar. Se consegue perceber o brilho da alma no olhar que lhe compete... pois a alma quando brilha pelo olhar, mostra tanto pro coração quanto pra razão, que a felicidade está ali perto, e convenhamos, as almas conhecem as outras, e mesmo que o resultado não for o desejado, uma alma que brilha, nunca vai fazer mal pra outra que a deixou brilhar, e o máximo que poderá acontecer é o início de uma honesta relação de amizade.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h20
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ILHA DO AMOR

Sou (ou era?)
Um barco à deriva em mar incauto
Procurando o porto seguro de farol luminoso e alto
E as tormentas de ondas que me amedrontava,
Fazia com que meu horizonte de águas não (ou nunca?)
Se acalmava...
Náufrago; triste e desistente
Já não esperava mais terras de uma ilha confortável e quente
Quase no fim, o brilho do seu sol sorriu pra mim
Me ancorou terna e tranqüila, confiante,
E me deu a vida novamente
Enfim.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h19
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DOCE MAR TRANQUILO

Brilhante, de verde, o mar do seu olhar...
Mar calmo, em que momentos marola a me embalar
Em ondas mansas de seus abraços
Que me enlevam nas espumas refrescantes
do calor do beijo seu... mar de tranquilidade
Me faz navegar e esperar, o brilho, do raiar do teu sol
Teu sol que aquece
Teu sol que me apetece...
Que dissipa as sombras, meu dia amanhece...
E que quando, na partida, se esconde e a noite vem
deixa de lembranças meu peito doer, e anoitece...
Vem, meu mar de sonhos, meu mar de amor, meu mar de delicias
acredita, e cruzaremos oceanos
acredita
e acontece!  

Escrito por Alexandre Andrade às 17h19
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ECRÃ DOS SONHOS

O Frio do princípio de junho soprava-lhe bravio pela janela aquela manhã, pousou o envelope oficial sobre o baú antigo e se vestiu com o velho xale que sua mãe bordara quando ainda era menina, único meio de se aquecer um pouco naquelas manhãs de inverno, e olhando o horizonte antigo que sempre se acostumara a ver desde pequenina, se perdeu em vagos pensamentos de nostalgia…
“Da janela via o sol lutar contra o frio intenso, como se quisesse ajudar papai a criar coragem de sair pra mais um dia de trabalho na lavoura. Mamãe sempre feliz a escutar o rádio velho de madeira marfim, e minha janela sempre aberta, já rouca e gasta pelo tempo, ecrã pessoal e portão para o meu mundo de sonhos que se espraiava a minha frente.
Ali tinha nascido e crescido, lembrava dos vizinhos que foram indo embora pouco a pouco, de todas as bonecas de espigas de milho trazidas por papai da lavoura de milho, os pés-de-moleque deliciosos comprados nas milhares de bancas que se multiplicavam pelo velho povoado, que crescia cada dia mais com a chegada daqueles homens de olhos puxados que plantavam canas, milhos, e feijão…
maldosos homens que diziam estar dando trabalho e comida ao país, mas que arrancavam minhas árvores frondosas, espalhadas pelo cerrado à minha frente, dentre as poucas casas do povoado…
Cortaram minha mangabeira predileta, onde aos doze anos gravei o nome de meu primeiro amor, filho do Seu Genaro, que foi embora, um mês após aquele primeiro beijo às margens do pequeno riacho que descia da pedra do ouvidor…
no armazém do Seu Batista, velho prédio que dera lugar aquele suntuoso mercado quando ele morreu, eu podia comprar meus bilhetes de carta pra escrever diários românticos dos namorados fictícios durante os meus quinze anos. Papai se fora logo após a minha festinha de quinze anos.
Tanto lutou! Onde está você papai, que não me trouxe nem mais um pé-de-moleque nesses últimos anos? Vem me acalantar. Mamãe precisa do seu ombro forte, seu sorriso e olhos claros, delineados pela pele morena e enrugada pelo sol forte da lavoura. Papai, onde está seu colo quente que me sentava na beirada da janela nas manhãs das férias de julho?
Seu velho chapéu ainda fica pousado na parede, lhe esperando os dias. As meninas de saia rodada e os rapazes de gomalina nos cabelos agora iam, aos meus dezessete anos, na nova discoteca em frente a praça do chafariz…
da janela eu via vindo o Timóteo, com seu violão a me adorar, com serestas suaves que faziam mamãe resmungar e sempre repetir que se papai ali tivesse, esse moço moderninho tinha que entrar e de suas intenções com ele falar, e sempre falava que o seu namoro não fora assim como nos dias de hoje.
Timóteo se fora também, foi estudar na capital, mas prometeu escrever e voltar pra me buscar assim que formasse. Naquele dia em que pousou um caminhão de mudança na porta da casa dos seu pais, fui correndo pra ver se era ele chegando, e sua mãe dizendo feliz que estava se mudando pro seu novo lar, na capital, junto da nora e do neto que estava já para chegar.
Nessas idas e vindas de alegrias e tristezas, a única coisa que não ia, era meu sereno lugar, e pousada na velha janela, solitária, mas ainda feliz, eu sonhava com o meu príncipe que ainda havia de chegar vindo pela rua de cascalho, rua de pedra, de pé-de-moleque… e que agora, sob marquises iluminadas e postes de luz douradas, era rua preta, de asfalto dura de se andar…”
Acordou de seu devaneio ouvindo sua enferma mãe, impedida de caminhar, arrastando a cadeira que lhe auxiliava a ir da cama ao banheiro no cômodo ao lado. Como se não quisesse sair daquele momento em que tudo era mágico, simples e seu, forçou novamente o olhar além da velha janela, apertando o xale no peito, tentando trazer tudo de volta de novo.
Via a rodovia que vinha em direção a sua casa, quase já de encontro ao seu ecrã de sonhos. Máquinas, homens de capacetes amarelos, alheios à sua janela, que rouca ao se abrir, parecia-lhe o rangir das dobradiças velhas um grito de sofrimento, como se não quisesse sair dali, lugar onde sempre esteve e presenciara tudo…
Ela também não. Pegou o envelope oficial, leu mais uma vez como se pra ter certeza que tinha lido errado, e pela milésima vez chorou, ao ver o mandado de desapropriação, com o pífio valor de indenização e com um parágrafo de menção aos sacrifícios em nome do progresso… e a estrada vinha…
e sua janela, sua casinha, não poderia atrapalhar! Sentiu as lágrimas quentes brotar-lhe nos olhos e rolar pelo seu rosto, o xale molhado já não enxugava mais.
Do quarto de sua mãe pode ouvir o chiado do velho rádio dizer sobre o novo presidente do povo, e o progresso que atravessava o país de sul a norte, o velho construtor de estradas, estradas que ligavam, interagiam, cooperavam pro país sair do buraco…
Estrada que vinha, que derrubava, que tragava, e que também jogaria sua casinha no buraco. Olhou de novo o horizonte, e percebendo a kombi que chegava pra pegar sua mudança e a tirar pra sempre do seu lugar, olhou o velho chapéu do pai pousado na parede, a velha e confortável casa onde viu seu mundo, e a si própria crescer.
E num arroubo de juventude perdida, num movimento que mal ela percebeu que fez, como criança, há belos tempos atrás, pulou a janela e saiu correndo… ali, pela última vez!

Escrito por Alexandre Andrade às 17h18
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O CERCO DE CARMO (Carta aberta aos eleitores)

Por volta dos 300. a.C aconteceu, onde hoje é o Líbano, um fato interessante e que não deixa de ser atual. O CERCO DE TIRO. Tiro foi uma cidade estratégica no que tangia o comércio mundial à época. Lá o povo era resistente à troca de comando, e viviam por isso sob regime de escravidão por não lutar pela troca do poder que o dominava.
Assim acontece com a nossa Carmo do Paranaíba. Vemos hoje um cerco que se formou, que expõe a olhos vistos todos os problemas que assolam a cidade, em que pese o prejuízo financeiro gritante, causa também estragos irreparáveis na honra de um povo que se vê cercado de toda e qualquer possibilidade de crescimento sócio-cultural.
Há, no entanto, aqueles que dizem que a manutenção da cidade em castas é vantajosa. Pode até ser. Mas pra quem? Para tão somente os que detêm o controle e seus fantoches da alta sociedade. Fácil ver em seus discursos a veemente defesa que fazem da manutenção do poder ao que já o detém, e pra isso ser factual, lançam engodos à população, disfarçados de paternalismo benfazejo e assistencialista. Escravizam o povo, cerceiam seus direitos básicos - cultural, econômico e educacional.
O povo do Carmo, de um modo geral, vem sendo humilhado. Vive abafado pelo preconceito velado do interesse dos comandantes, vivem enclausurados, numa cidade mórbida e obsoleta. Humilhados estamos, expostos diuturnamente, aos perigos mundanos, às drogas, à violência. E o pequeno curral eleitoreiro unido a uma minoria que detém voz ativa, camufla a realidade do povo, e permanecem com a manutenção do ciclo vicioso da troca de favores. Faz com que o povo fique cada vez mais dependente dos interesses de uma minoria que acredita, luta e paga para que o poder administrativo e econômico não saia da pequena casta que se encontra.
Como em Tiro, a antiga cidade onde hoje é o Líbano, fomos cercados, literalmente LOTEADOS. Dividiram a Carmo de todos em apenas 5 ou 6 grandes castas. Entretanto o povo não pode permitir. O povo tem que querer mudar essa situação.
Conclamamos, povo dessa terra: gritem; berrem. Façam saber da sua melancolia, do vosso desânimo, inúteis e desgraçados são pra quem lhes dirige hoje. Se inflamem de ininflamáveis. Transformem essa melancolia e este cerceamento que lhe impuseram, em AÇÃO.
Clamo a vós: vejam a cidade; se emporcalha por falta de cuidados que são obrigação de quem está lá e que faz o discurso da “não manutenção do poder”. A cidade está sendo arrastada pelo descaso. A cidade fede; aloja focos de doenças e guetos de vícios e insegurança. Veja, povo de Carmo do Paranaíba: a sua cidade cadeirante. Cadeirante em meio a gigantes pouco preocupados com a responsabilidade sócio-cultural. Ora, claro é, pois a cultura é inversamente proporcional à capacidade de deixar-se convencer por algum movimento propagandista de obras eleitoreiras. E eles preferem assim, que fique o povo, inserido na segunda opção, que é da falta de conhecimento para justamente continuar se levando pelas falácias e vivendo eternamente sob o jugo dos loteadores; cercados e escravizados. Emburrecidos e conformados.
Mesmo cadeirante, o povo do Carmo mostra capacidade de organização, fato visto no último desfile cívico. Se é que podemos chamar de cívico aquela patotada com inúmeros ilustres convidados a circundar os “sem acesso” carmenses. Sem um instrumento sequer, apenas com os uniformes mostramos a garra e a vontade de vencer de um povo que vive espremido entre as grandes cidades e os grandes empresários. Ano que vem podemos sugerir em vez de fanfarras vizinhas: LIVROS. ACESSO. Quiçá nossa honrada e saudosa fanfarra de volta, bem como alguns direitos tomados da população sem direito de reclamação: a casa da cultura, a banda, as oficinas culturais.
O batalhão do povo precisa voltar às ruas em prol do início da revolução cultural e pela volta de investimentos que edifique nossos jovens, que, se não resolver de todo completo o nosso atual e tão claro problema de segurança, ao menos ajude a manter aos que realmente desejam, distanciados daquilo que assola agora nossa cidade.
Não podemos ficar à margem dos problemas, estáticos. O batalhão com vontade é meio caminho andado, mas o batalhão obrigado a lutar sem armas, é derrota na certa. Fato que vimos então, como disse, no ultimo desfile: nossos líderes nos colocam sem armas e sem conhecimento, mas mesmo assim; povo orgulhoso, honrado e organizado, seguimos pra mostrar que os problemas vivenciados ainda não acabaram com nossa fé em um futuro melhor, como já foi, e como ansiamos que volte a ser.
Assim, alertemo-nos: Não sejamos complacentes com o derramamento de lágrimas entre as famílias reféns das drogas, da violência e da falta de opção cultural. Não podemos nos orgulhar apenas de ter o afeto, a hospitalidade e o carisma como patrimônio. Temos de nos erguer em sustentáculos suficientemente sólidos e engajados para promover a virada rumo à vitória do POVO. O poder público precisa despertar em cada um dos cidadãos a capacidade de ser visto com bons olhos, ser visto como gente capaz de se fazer privilegiado pela capacidade de eleger o bom senso. Na ânsia de dias mais seguros e inteligentes, despedimo-nos.
Como em TIRO estamos reféns, à margem de interesses pessoais. Lotearam-nos. Derrubemos o muro do poder econômico a começar pelo muro da casa do povo: A Prefeitura Municipal.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h16
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CRÔNICA DE UMA INFÂNCIA SAUDOSA

Me lembrar da minha infância me faz lembrar de um mundo à parte, onde tínhamos nós, a garotada, tudo à mão: ruas tranqüilas, quintais grandes, fontes, áreas de cerrado natural, campinhos e uma vizinhança que era a oitava maravilha do mundo. Inesgotáveis eram as atividades nessa época, e por mais dinâmico que fosse o garoto, nunca podia provar de todas num só dia, numa só – sem exagero – semana...
As brincadeiras de hoje, existem, mas se resumem a um playground de concreto vigiado, ou em alguma escola tradicional que ainda preza esses valores...
Áquela época, a TV também era uma fonte inesgotável de criatividade infantil. Sem a conotação sexual e de violência desenfreadas que se vê hoje. Os seriados faziam a gente viajar e criar as mais diversas fantasias inócuas... E qual garoto hoje com 30 anos, não sonhou um dia em ser: o homem de seis milhões de dólares, em pilotar o trovão azul, a águia de aço. Não sonhava em entrar pela janela do camaro dos gatões. Em destruir os monstros japoneses junto com o Spectreman e ter a inteligência para criar uma bomba a partir de um palito, um clipe e uma linha, do McGyver. Até mesmo ser o bacana da Armação Ilimitada, pilotar a Moto Laser no super impulso, e cavalgar pelo Far West na Sessão Western.


Uma das brincadeiras que mais me dá saudade é quando a noite a energia acabava (não sei se na cidade de vocês, mas na minha pacata CP era normal acabar a luz por volta da hora do jornal nacional e so voltar ali por volta de 11 da noite as 2 da manhã). Era justamente nessas faltas de energia que se dava o delírio da galera do quarteirão. Passados 5 minutos de luz apagada começavam o zum –zum-zum nas portas das casas e os colegas chamando uns aos outros. O que eu estranhava era que quando ao contrário de ter luz, quando havia o blackout os pais nunca objetavam da gurizada sair pra rua pra brincar naqueles horários e nos deixavam em paz até que a energia voltasse (hoje eu compreendo a liberalidade dos pais quando faltava luz: levante o braço aí quem não ganhou nem um irmãozinho “nove meses” após os famosos e constantes blackouts).
Indiferente do que os pais faziam, a molecada corria por lotes vagos, praças, hospitais, árvores gigantes (não sei, mas tenho a sensação que naquela época as sibipirunas eram maiores do que “as de hoje”), brincávamos de esconde-esconde ou e mais ainda de polícia e ladrão. Ah, e por razões que hoje compreendo muito bem, os meninos mais aerados preferiam ficar com as moças nos becos escuros e sossegados – não consigo disfarçar um sorriso agora – “passando anel”.
Mas sempre as por volta de 11 da noite as 2 da manhã, a energia sempre voltava e acabava a farra da molecada. Logo as vozes de pais e mães começavam a ecoar pelos quarteirões chamando seus filhos pra dentro, e a meninada começava a se debandar: sujas, estropiadas, cheias de ralados nos joelhos e canelas, embora felizes, pro famoso banho da madrugada pós-blackout... ah, e com um detalhe: sempre esperados pelos pais sorridentes, com as faces ruborizadas e as vezes molhados de suor (hoje eu compreendo bem).

Nessa época, em dias de sábado, quando minha mãe dava uma geral em suas panelas e na casa. Tirava tudo pra deixar brilhando, ela me despachava pra rua pra eu não atrapalhar o processo de limpeza. Era nessa época, que gostávamos eu e mais dois vizinhos de fazer fogueiras aos pés do muro da Santa Casa de Misericórdia, minha vizinha de rua. Elder e Lucas viam a sessão western quando eu chamei os dois pra brincadeira pirotécnica... Só me lembro que fui atravessar a rua pra pegar mais uns gravetos secos de sibipiruna do outro lado. Depois só me lembro de acordar de madrugada no hospital, após oito horas sedado, todo enfaixado, com a minha mãe chorosa ao meu lado e eu com a testa cheia de pontos... não me lembro de sentir dor, nem de ver ou ouvir barulho nenhum.. mas meus amigos me contam que uma moto me atropelou ao atravessar a rua sem olhar, e mesmo apesar de ficar privado das brincadeiras e com alguns incômodos ralados que grudavam nos lençóis do hospital que só saiam após jatos de água oxigenada, era tão bom essa época que até disso eu gostei, pois, como era criança e gostava de paparico, meus pais, tios e vizinhos não saiam do hospital, sempre levando com muito carinho guloseimas, carrinhos e brinquedos pro menino arteiro arrebentado e na linguagem de alguns: nascido de novo após o acidente...

Outra brincadeira que me lembro eram os campeonatos de bolinha de gude... aquilo movimentava uma imensa massa de garotos, com campos de “piloto”, jogo de 5 buracos pra jogar na terra, e corridinha, e com urte... com juízes e torcidas... e claro, prêmios como pacotinho de figurinhas da copa de 86 e também prestígios e sonhos de valsa. Eu nunca ganhei um campeonato de bola de gude, era muito grosso na pontaria, mas me divertia demais com aqueles históricos eventos que era assunto do bairro inteiro, bem como os campeonatos de futerrua... As vezes eu me perco em pensamentos pensando quantas bolinhas já rolaram, quantos quilômetros rodados por elas foram ali naquelas ruas de terra e lotes vagos cheios de aventuras e energia infantil...


Tive uma infância muito rica e saudável... fazer isso me dá um misto de alegria e tristeza, ao lembrar, e ver que infelizmente meu filho, nos dias de hoje, é obrigado a brincar praticamente sozinho, preso atrás das grades de casa, por causa da insegurança de um país que não soube preservar sua cultura de país tranqüilo... e derrotados pela violência instalada e a insegurança gritante, uma lágrima rola pelo meu rosto quando penso que meu filho – hoje com 6 anos – não pode ter a mesma alegria que eu, e está condenado a passar a infância em frente a uma tela cheia de raios magnéticos de computador ou vídeo game, desenhos que diferentemente dos nossos, tem intenção de não instruir puramente, onde só mostram guerras e tiros... enfim... de crescer num mundo que mudou tão rapidamente – pra pior – em tão pouco tempo

Escrito por Alexandre Andrade às 17h15
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HELENA E PÁRIS - A HISTÓRIA QUE TODOS NÃO SABIAM

Embora muitos pretendentes pedissem em casamento, Helena não decidia-se por nenhum. Tíndaro, marido de Leda, temendo a irritação daqueles a quem ela recusava sua mão, seguiu o conselho de Odisseus (Ulisses), e fez jurar todos os pretendentes que, quando a sua escolha recaísse sobre algum deles, eles se reuniriam para defendê-lo contra quem quer ousasse a disputar. A escolha acabou sendo a favor de Menelau, que era irmão de Agamemnon e estava casado com sua irmã Clitemnestra.

Os primeiros anos dessa união foram felizes, até que Helena conheceu Páris, filho do rei de Tróia ou Ilion, Príamo e sua esposa Hécuba. Ele foi à poderosa Esparta como embaixador especial para tratar de um assunto delicado.

Quando Páris viu pela primeira vez Helena, apaixonou-se imediatamente pela linda moça, sentindo que não poderia mais viver sem seu amor. Helena não ficou indiferente aos olhares de Páris e à sua corte, tendo, também, se apaixonado por ele.

O Destino acabou selando o amor que já havia sido despertado entre Páris e Helena.

Páris então, aproveita-se da ausência de Menelau, que havia empreendido uma viagem e rapta Helena, conduzindo-a para Tróia.

A disputa pela mulher mais bela do mundo, Helena, desencadeou a guerra de Tróia, pois Menelau, profundamente irritado, convocou todos os príncipes do país, pois havia um compromisso de todos eles, de se unirem, se alguma coisa acontecesse a Helena. Isso porque todos eles haviam desejado casar-se com Helena, que preferira Menelau, porém, e eles, em homenagem à sua beleza, haviam firmado aquele pacto de protegê-la, unidos, em qualquer situação.

A principal defensora dos gregos era a Deusa Hera, que insistiu na continuidade da luta até que Tróia fosse destruída e Helena devolvida a seu marido Menelau.

O Destino acabou selando o amor que já havia sido despertado entre Páris e Helena.

Páris então, aproveita-se da ausência de Menelau, que havia empreendido uma viagem e rapta Helena, conduzindo-a para Tróia.

Os dois viviam juntos , embora Helena estranhasse o hábito que Paris tinha de vestir suas roupas íntimas, e quando ela perguntava por que ele gostava de trajar roupas íntimas femininas, ele dizia que o toque da textura do tecido em sua pele, o excitava.
Com o passar do tempo Helena sentindo-se frustrada pelo descaso do marido que raramente a procurava , começou a compensar suas frustrações comendo tudo que encontrava pela frente. Em pouco tempo ja tinha o dobro de seu peso e Páris parecia não se importar com isso, incentivando-a a comer cada vez mais, desde que ele não precisasse cumprir suas obrigações sexuais. Helefoa (como passou a ser chamada depois de engordar muitos quilos) começou a desconfiar (finalmente) que existia algo entre Aquiles e seu amado Paris, porque os dois viviam praticamente juntos dias e noites, e quando interrogados, diziam estar articulando um tratado de Paz.
Uma noite porém, Helefoa resolve tirar a limpo a ausência do marido e flagra Aquiles e Paris juntos na cama.
-Não é o que você está pensando - diz Paris.
-Ah, não é? diz Helefoa, então me explique qual é a estratégia de paz que exige esse troca-troca de vocês dois?
Nesse instante, Aquiles envergonhado tenta sair rapidamente, porém a Helefoa,para tentar impedi-lo de sair, dá um salto sobre ele caindo com todo o peso sobre a sua perna ,quebrando o calcanhar de Aquiles,ocasionando uma infecção generalizada que por falta de recursos da época, ocasionou sua morte. Daí originou-se o termo :"Calcanhar de Aquiles" pois esse foi o seu ponto fraco.
Paris, desconsolado com a perca do amante, resolve devolver Helena para Menelaus,mas diante da resistência dela em não querer deixá-lo, manda construir um enorme cavalo de pau, para colocar Helena dentro para que Menelau não a recusasse ao vê-la tão gorda e feia.

E assim foi feito. Páris devolve Helena a Menelau, embalada no cavalo de pau.
Ao receber intrigante presente, Menelau desconfiado, manda alguns soldados abrirem o cavalo de pau, fora da cidade.Ao ver a sua antes bela e querida Helena entalada de tão gorda que não conseguia sair do Cavalo de pau, Menelau ordena que a tranquem novamente e a enviem para outro príncipe que outrora a havia disputado.
E assim foi feito sucessivamente, de principe para principe. Cada principe que antes disputava Helena, ao receber o "presente de grego" de imediato enviava para outro reino. Assim foi o fim de Helena , a mulher mais bela.
Quanto a Paris, envergonhado, abandonou Troia, mas protegido pelos deuses, hoje é internacionalmente conhecido como "Paris Hilton".

FIM


Belo texto, copiado, reeditado e sarcasticamente ironizado pela minha doce amiga formiguinha, querida futura jornalista Ariana...

Escrito por Alexandre Andrade às 17h14
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FLOR DO SOL

Lágrimas, que pedem pra ir embora. Não é de tristeza o coração que chora
é de um sentimento que faz bem, e apavora... de um sol que vem a noite
e a torna aurora...
por compartilhar segredos de amor, com você, agora
queria eu suas lágrimas colher, guardá-las de tão preciosas são;
puras de amor e de emoção!
deixe as lágrimas molhar livremente o chão, talvez ali cresça uma flor,
que lhe oferecerei com devoção
Lágrima de ouro... Ouro de grande valia,
o qual nem o alquimista a sua fórmula sabia
quem sabe essa flor de ouro um dia...
mostre ao meu coração, que mesmo que ele ficasse em teimosia,
não teria amado em vão?
o amor nunca é em vão
quando nasce tal qual a flor, a tal flor no coração!
Desse amor eu quero o cheiro, dessa flor que eu cuidei com esmero...
e a pétala tão macia, que é o seu rosto claro, que imaginei um dia...
Me imaginas, me sentes e me ouves,
me vês, tão distante de seus olhos, mas tão perto o coração,
e mesmo assim divides comigo o seu tempo e sua paixão!
sendo assim, dessa flor me torno eterno jardineiro, que cuidarei com meu amor...
regarei o seu canteiro, independente de onde eu for.
grata sou por essa companhia , que me entregas noite e dia,
e que nada pede troca, a não ser a minha alegria
que ao te ter tão perto assim, se transforma em magia
de tão perto que te vejo, flor dourada em meu jardim...
que levarei enquanto o sol brilhar, e esse amor não vai ter fim
flor... flor dourada que irradia e ofusca o sol, traz alegria...
torna sempre tão feliz, e esperançosos os meus dias...
sua flor será eterna, pois estará por ti cuidada,
por tanto amor alimentada e com lágrimas regada
que jamais fenecerá
essa flor se chama sol, e possui todas as cores... mas porém eu vejo duas,
que se fazem tao presentes:
uma branca, outra amarela, és flor única: A MAIS BELA



By: Fabi e Xandy, in 10/08/2008 at: 01:00 AM - Mais uma colaboraçao da musa flor... da dourada luz dos meus dias, motreca musa, que me preenche de alegria. Obrigado, Fabi... por compartilhar comigo esses bons momentos!

Escrito por Alexandre Andrade às 17h14
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AS FÉRIAS DO SOL

E naquele dia a manhã veio escura como breu... o que antes era tão bem iluminado pelos raios da estrela dourada, tornou-se tão somente um vácuo trevoso onde não se ouvia nem se via nada.
O sol sumira sem deixar resquícios de sua luminosidade... e o frio era avassalador... eu pensava comigo mesmo:
"ah, eu me acostumo com as sombras... é uma questão de tempo. Tem outros paliativos pra me aquecer os dias. Cobertores. Aguardentes. Aquecedores dos mais variados tipos"...
Ouvia vozes indefinidas perguntando se ia amanhecer algum dia de sol... vozes da consciencia, talvez... ou vozes do coração?

Um brado ensurdecedor de mim pra mim mesmo colocou fim aos devaneios. E sempre que eu anseiava o sol, gritava meu interior: o sol está de férias...

Escrito por Alexandre Andrade às 17h13
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SONETO DA FORMIGUINHA

Simples atos que compõem sua personalidade,
Natural de uma mulher, em que pese a tenra idade,
Não impede de mostar, veladamente seu encanto
Que me tira a letargia, me dá o riso e leva o pranto

Pequena notável sem esforço me fascina
E não consigo separar, as vezes, a adulta da menina
E é assim que deves ser, nessa meiga oscilação
Que balança e equilibra, o meu alegre coração

Alegre, porque te sente perto
Saudoso, porque tu estás distante
E quando lembra sua presença, tem um bater apaixonante

Bate forte pela doce namoradinha
Faz-me lembrar que o que é mais importante
É brincar de te amar, minha doce formiguinha



Pra minha doce amiga pestinha Ariana, com carinho...

Escrito por Alexandre Andrade às 17h12
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A ESTRELA E O POETA

No silêncio da noite, solitário, o poeta escrevia,
Versos apaixonados à sua musa, enquanto a lua surgia,
Imaginava o sabor dos beijos e o corpo da amada descrevia,
E suspirava sonhando, juntando as palavras em harmonia.
Lembrando de seus amores, passado e presente,
Da menina de tranças, primeiro amor da infância, agora ausente,
Suspirando em cada verso escrito e coração ardente
Paixão incontida, saudade sentida , pulsante, latente
Por instantes parava, olhava a lua prateada, em meditação
Buscando encantado, olhar apaixonado, no luar a inspiração
E distante no céu, uma estrelinha acanhada e cheia de emoção,
Tentava ser notada para declarar ao poeta a sua paixão.
Que amor é esse que queima em meu peito, se interrogava
Enquanto em seus olhos tristonhos, uma lágrima teimosa brotava,
Porque não me enxergas, poeta do amor? Triste se perguntava,
Pra quem entregastes o teu puro amor? Em vão questionava.
Se pudesses saber, meu lindo poeta, do meu grande amor
Não suspiraria para a lua apaixonadamente, me causando dor
Sou só uma estrela na imensidão do espaço, fria, sem calor,
Não sei o que faço para que me vejas, meu poeta encantador,
Desespero ao ver que não consegues me enxergar,
Porque ao meu redor, há tantas estrelas como eu, a brilhar
Como fazer para entre tanta luz, conseguir me destacar?
E triunfante e feliz o meu amor a ti finalmente declarar?
Já me decidi, vai ser essa noite, quando te encontrar
E quando teus olhos buscando a lua, tão tristes a mirar
Notarás da janela, iluminar seus textos, brilho resplandecente,
Me atiro do céu, aos teus pés pra ser só sua, estrela cadente.


*** N. do A.: Ganhei uma estrela, de primeira grandeza. E como já disse diversas vezes, é a estrela mais linda que ilumina, tanto de dia como de noite, minha vida. É mais que o sol, é mais que o mito "à mais bela", é mais que simples estrela então... é a luz de solzinho dourado, que sempre ilumina meu coração. Obrigado, minha estrelinha Fabi, por mais uma jóia de poema... e a vaidade do poeta não pode ser escondida nem diminuída, em novamente, por mais uma grande surpresa, ser fonte de inspiração, dessa vez, da musa que é além de musa, coisa certa, é a mais linda musa, estrela, sol, meu amor... que me realiza... minha musa dourada poetisa.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h12
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CHUVA E LÁGRIMAS

Só, eu olhava a chuva mansa e fina que que caía
Pensamentos dispersos e a tarde tão fria
Em calafrios todo o meu corpo, estremecia,
Sem guarida ,abandonava-me a alegria
Sentimentos de amargura, de vida vazia,
Sem rumo, sem esperança, só nostalgia,
Sentindo o amor outrora tão vivo, em agonia
Despido de toda a esperança e da magia
De ver você voltar pra mim um dia.


(Delicinha de poema, presente do meu solzinho: FABI, que sempre vem e colabora pra que o blog fique brilhante, dos seus raios dourados de luz)

Escrito por Alexandre Andrade às 17h11
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MORANGO COM LEITE

linda... dourada
com seus olhos brilhantes, vermelhos como um morango, de paixão incandescente
minhas mãos, entremeadas entre seus lábios, brincando com morangos grandes e reluzentes...
passeava um morango, suavemente devagar e molhado
suado de gelado...
suado de gelado que esquentava com o toque em seus lábios mornos
molhados, também...
a ponta do morango brincava
brincava e trazia seu lábio inferior pra fora
e você abria a boca, e o morango teimava em sair... brincando
brincando, não deixava findar sua mordiscada desejosa
daquela fruta que lhe proporcionava um prazer de arrepios quentes
até que, num movimento mais rápido, arrancaste a pontinha do morango
e o saboreava entre seus alvos dentes
molhava a boca e sentia o doce em sua língua,
e da sua língua, ele sentia o sabor, contente
e o pedaço que ficara em minha mão
um pedacinho, pequenino, mas suficiente pra pingar gotas de seu sumo,
fazia e me maravilhava com o que eu via
as gotinhas que pingavam em seu pescoço tão alvo
alvo como leite
e a mistura de cores que se fazia, realmente, me deixava em extasiado deleite
roçava o morango em seu peito... entre seus seios, e a listra vermelho viva contrastava com aquela pele de brancura de nuvens nunca antes explorada... arrepiada
listras rubras que subiam seus seios, e escorriam o caldo deles, para baixo
era como se uma montanha de neve de pico rosáceo, vertesse rios de sangue sangue de paixão
sangue de desejo
sangue de tesão, pulsante
eu deslizava o fruto em sumo, deslizava pela planície de sua barriga,
tão clara
que ofuscava de beleza, como areias ao sol do meio dia, do saara
e arrepiava
eriçava-se e contorcia-se em espasmos... um brilho alvo, rubro de sumo,
que ia se afilando, e ao morango mostrando o rumo
o rumo da ilha, à espera... de contraste em sua pele, que eu via
e que exaspera.. ofegante... ia chegando em riscas vermelhas, vermelhas de sumo... de sumo do morango úmido... pois, no final daquele rumo, me esperava o seu amor, molhado!
e mergulhado em seu mar salgado
Me entreguei, extasiado
Num gozo mútuo, e esperado!

Escrito por Alexandre Andrade às 17h10
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MOMENTO

SABE O TEMPO AMIGO DA SOLIDÃO
NÃO ANDO SEMPRE CONTRA A VONTADE DO CORAÇÃO
AMIGA ILUSTRE, COMPANHEIRA INSÓLITA
DE VEZ EM QUANDO SOLIDÃO ME ANIMA
PENSO, PARO, PENSO, FAÇO
O BERÇO DO INIMAGINÁVEL CORROMPE DE REPENTE
MINHA MENTE
PURO AO MENOS DE ESPÍRITO ESTOU
ALGUNS FALAM DA EXPOSIÇÃO AO ANTES DITO
INIMAGINÁVEL
NÃO ACHO ABOMINÁVEL ESSE TERMO
NINGUÉM CONHECE O INIMAGINÁVEL DA IMAGINAÇÃO ALHEIA
PARA OS TRÊS TEMPOS: PASSADO, PRESENTE E FUTURO
NÃO ADIANTA QUERER
VIVEMOS EM FUNÇÃO DOS TRÊS, A TODO MOMENTO
MOMENTO, MOMENTUM, MOMENTANEAMENTE
AH, QUANTO TEMPO DURA O MOMENTO? DIZEM: UM MOMENTO
MAS PENSO, UM MOMENTO! ETERNIZO O MOMENTO
PODE SIM, SER ETERNO
AINDA MAIS QUE SEJA NUM PENSAMENTO NÃO MODERNO
CONSERVADORISMO, ME ACUSAM DE PRATICAR (NÃO É DE MA FÉ)
AINDA ACHO QUE TENHO MENTE ULTRA-MODERNA DEMAIS
PARA O MOMENTO, MOMENTUM, MOMENT
ATÉ

Escrito por Alexandre Andrade às 17h09
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PRECIPÍCIO

A MENTE SE PERDE AO REDOR DAS INTUIÇÒES
MEUS ATOS SE TORNAM IMPENSADOS, OBSOLETOS
PARALELO AO DESCASO DA VIDA, QUE SEGUE
VEJO A FRIEZA QUE ARREBATA OS CORAÇÕES
SEM CORAGEM, FICO À ESPREITA
DE ACHAR QUEM SABE
NUM PONTO QUALQUER DESTE LUGAR
UMA PESSOA DE CONSCIÊNCIA PERFEITA
MAS DESILUDO NO MOMENTO
QUE PENSO REALMENTE NA VERDADE
DESSE TODO MESCLAR DE ARTIFÍCIO
E A MENTE SE PERDE
DE NOVO
COMO SE ENTRASSE
NUM PRECIPÍCIO

Escrito por Alexandre Andrade às 17h09
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PENSAMENTO ESPARSO: PARANÓIA, SONHO, ILUSÃO

Irresponsabilidade de um jovem frustrado com tudo e com todos. Ninguém tem mais o brilho que há pouco conheci. Tão somente o egoísmo que parece não ter fim. Depois que deixei de sonhar, pareceu melhorar. Mas, inútil fantasia, não melhorará. Tudo se finda, não sei como pode, algo sumir assim. O brilho no olhar, que eles não têm, não posso perder. Mas mesmo cansado, me sinto assim no caos. Caos digno? Não, sou diferente de todos. Não posso me deixar levar pelo egoísmo dessas pessoas cegas. Tentarei ser então aquele ser que eu era antes da desilusão. Nunca fiquei tão triste assim. Depressivo talvez. Mas um dia retomarei aquela alegria, o brilho, o sorriso. Fitarei agora melhorar de novo, para isso nem que machuque alguém, não quero é me machucar. Talvez desdiga o que eu disse, serei um pouco egoísta também, mas quem não o é? Serei feliz, pouco importa o resto, serei feliz. Me dêem um pouco de atenção por favor. Não sei ser rancoroso nem mal agradecido. Não adianta, preciso que vocês melhorem também, só assim, passo a ter a liberdade com alguém. Melhore mundo, que eu melhorarei também.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h08
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SEU SIM OU SEU NÃO

À VOCÊ QUE TEM JEITO DE MENINA, SORRISO DE MENINA
E OLHAR DE UMA MENINA
E COM CERTEZA ASTÚCIA E PAIXÃO DE UMA MULHER
ESTRELA EM ASCENSÃO, BRILHANTE COMO O SOL, GIRASSOL
SIMPLICIDADE NO OLHAR QUE TOCOU MEU CORAÇÃO
SEU OLHAR
BELEZA RARA, ÚNICA NESSA INTENÇÃO DE AMAR
AMAR VOCÊ? NÃO SEI AO CERTO, POIS TUDO É INCERTO
AQUELE SORRISO METÁLICO E MEIGO, MALICIOSO E GOSTOSO
QUE SÓ VOCÊ TEM
O FASCÍNIO DA ADOLESCÊNCIA EM SUA TURGESCÊNCIA
ME INCORPORA UM SENTIMENTO SEM O SEU CONSENTIMENTO
MAS TALVEZ ACONTEÇA MÚTUA LIGAÇÃO, DESSA VEZ
QUE TIRARÁ SOLIDÃO, PERMANECERÁ PAIXÃO
PAIXÃO COM ARDOR, SEM RANCOR, SÓ AMOR
À VOCÊ, NOVA DESCOBERTA, FAÇO LETRAS
TALVEZ SEM CONTEÚDO NEM CONTEXTO, NEM NADA
MAS SIMPLES, SINCERA E APAIXONADA
ME DÊ UM BEIJO SE SEU DESEJO É SIM
APERTO DE MÃO, SE SEU DESEJO É NÃO
MAS NUNCA, NUNCA DEIXA NOSSA AMIZADE, PELO MENOS
ACABAR, COMO AS ONDAS QUANDO NA PRAIA ACABAM AO CHEGAR.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h08
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À PODRIDÃO DO MEU PULMÃO

Serosas sadias é o que eu não tenho mais
Os brônquios já não respiram mais
Meu pulmão é um receptáculo cheio de catarro
Pus e muco. Ele é porco, ele é impuro
Não sinto o gosto do ar puro há tempos
Há tempos que eu não tenho ar puro
Mas mesmo assim vou levando a vida com exageros
Álcool e tabaco, nunca deixo
Não saberia viver sem esses amigos fiéis de todas as horas
Aliás, eles que dão a única esperança de um dia
Poder morrer com felicidade
Isso mesmo, felicidade
Por que? Ora, é simples
Cirrose hepática e enfisema pulmonar
São as duas únicas coisas que um dia irão me derrubar
Meu corpo agora aloja um vício que me faz bem
Se não bebo, se não fumo, não sei como me arrumo
Dizem que é feio, um jovem pervertido assim
Mas não é perversão, é apenas vocação
Dizem-me: seu corpo era bem feito, você tinha ar no peito
Hoje é barrigudo, e seu ar é rarefeito
Mas não me importo com meu jeito
Pra mim o que vale é o espírito
Minha alma é pura, isso é o que importa
Pra mim o resto é bosta
Não dêem palpites de como eu deva me comportar
Pois na minha vida mando eu
Quero paz, nada mais
Ah, e meu pito e minha birita, nunca são demais.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h08
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LONGE DE TI, MAS PRA SEMPRE TEU

TANTAS FIZ, QUE HOJE ESTOU ASSIM
COMO DIREI, UM TANTO INFELIZ
NÃO TINHA RAZÃO
ERA APENAS PAIXÃO

EU SEI QUE FORAM LAPSOS, COISAS SEM NEXO
DO MEU CORAÇÃO NO INSTANTE DA AGONIA
PEÇO À VIDA MINHA UM REGRESSO
QUE ME TRAGA NOVAMENTE A ALEGRIA

JURAS EU FIZ, PROMETI, TENTEI
MAS NÃO CONSEGUI, ME PERDI, SEPAREI
NÃO FOI MINHA INTENÇÃO
ACHO QUE FOI MESMO UM PORRE DE ILUSÃO

NÃO QUE SEJAS TU ILUSÃO, NÃO
MAS O QUE PENSOU SEU CORAÇÃO?
AO ME VER COM EMOÇÃO
NA HORA SE SUA SEPARAÇÃO
AH, DEVE SER QUE NUNCA ME AMOU
APENAS ME QUERIA COM UM BREVE AMOR
NUNCA TIVE NINGUÉM ASSIM QUE ME LEVOU
AO ÊXTASE DE UMA QUERÊNCIA SEM RANCOR
ME DIGA ENTÃO, O ERRADO SOU EU?
OU SEU AMOR PERECEU?
OU OUTRO ALGUÉM EM SEU PENSAR APARECEU?

TENHA CERTEZA DISTO, SIM
SEM ME DIZER A LÓGICA DA RAZÃO
VAI TE PERTENCER SEMPRE MEU CORAÇÃO
E TE AMAREI AO INFINITO, PRA SEMPRE, SEM FIM

Escrito por Alexandre Andrade às 17h06
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A HISTÓRIA DO CARA QUE VIROU PÉ DE FEIJÃO

A HISTÓRIA DE UM CARA QUE VIROU FEIJÃO

N do A: "ESSE TEXTO FOI MINHA SEGUNDA INCURSÃO NO MUNDO DOS CONTOS, DA ESCRITA, E DE CERTA FORMA O QUE ME FEZ REALMENTE OPTAR POR CONTINUAR ESCREVENDO, FOI FEITO DENTRO DA SALA DE AULA DO CURSINHO PRÉ-VESTIBULAR ANGLO DE UBERLÂNDIA, NOS DOIS HORÁRIOS ENTEDIANTES DA AULA DE MATEMÁTICA, DE 19:20 AS 21:00 APROXIMADAMENTE, DO DIA 5 DE AGOSTO DE 1995. TEXTO ORIGINAL REGRISTRADO E TODOS DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS"



“Na próxima encarnação serei… um feijão! Ou melhor, um feijão preto. Ah como eu gostaria de estar em sua feijoada, aí vc sentiria meu gostinho e diria:
- Que gostoso esse neguinho!!!”



*****************A História de um cara que virou feijão********************



Noite de 5 de agosto de 1995, 20:17 horas. Tempo bom e temperatura agradável.

Eu ia andando tranquilamente para o ponto de ônibus e, confesso, com algumas cervejas na cabeça. Tudo tranqüilo até que, sem perceber o sinal para pedestres fechado, atravessei a rua num ato absurdo de não olhar o que vinha trafegando pela mesma.
Quando dei por mim e fui olhar para os lados, já no meio da rua e sem chances de escapar, vi aquele veículo rústico e forte em alta velocidade vindo em minha direção. Já consciente de que não tinha chances de me esquivar do veículo, apenas fechei os olhos e esperei o impacto da colisão.
- Poft!!! Senti meu corpo sendo lançado ao ar. Contrariando as leis da gravidade, ele ia subindo, subindo, subindo. Até que finalmente, respeitando as leis da gravidade, desceu. No tempo decorrido da descida , pude perceber a força da colisão: Vi – meu Deus, que desgraça – o veículo perdendo o controle e foi direto ao encontro de um poste. O veículo, lotado e sem chances também de se esquivar da estaca de concreto, se arrebentou, lançando o motorista pra fora. Vi também, pelas laterais do veículo, um líquido vermelho, que escorria até o chão. Eu ainda descendo, e já bem perto do chão, vi ainda o motorista se levantar, meio tonto pelo impacto da batida, olhar para o lado e... num grito ensurdecedor, ajoelhou-se ao chão, dizendo:
- Não. Meu Deus, não pode ser!
Tive então tempo de olhar para o seu lado e ver que – Meu Deus, não pode... mas era – O seu cavalo esfacelara-se no poste, e não pudera escapar. Na certa morreu de traumatismo craniano. Nesse mesmo instante olhei para o lado e vi que o líquido vermelho que pingava ao chão, descia de muitos corpos esmagados no interior do veículo. E ainda ouvi o motorista gritar:
- Meus tomates, meu Deus, esmagaram-se todos! – passando ao mesmo tempo a mão na polpa vermelha que escorria pela lateral de sua carroça.

De repente: CAPLUM. Finalmente cheguei ao solo, batendo co a cabeça no meio-fio. Senti meu corpo paralisar e minha alma desprender-se dele.
Já no hospital pude perceber o médico dizer:
- Não há mais nada possamos fazer. Pode desligar, enfermeira.
- Morri? Morri. Meu Deus, nããããão...
Foi então que já pude perceber meu velório: muita gente triste, chorando. Mas também alguns, assim, não muito tristes, e outros até por assim dizer, contentes. Também, eu não era nem um modelo de santo, não é mesmo?
Começaram então o cortejo funeral, saindo com o féretro com destino ao cemitério... e quando vi minha sepultura... – Que massa!!! – pensei comigo: - mamãe cumpriu meu pedido, mandando lapidar no sepulcro o meu pensamento sobre a morte.
Sepultaram-me e foram todos presentes embora, e eu fiquei sozinho ali. Eu e minha sepultura - um pouco fria, mas confortável.
Quando pensei em dar uma volta e conhecer alguns assim, digamos, “como eu”, notei um clarão vindo do céu, e vi São Pedro surgir por entre as luzes. É gente, o Pedrinho, surgiu e me chamou para acompanhá-lo até “lá em cima”
Falei:
- Poxa, Pedroca, tinha uma gata no sepulcro ao lado, não dava pra ir mais tarde?
-Não meu filho, você tem de ir já. Ordens do Todo-Poderoso...
- Mas por que ela então não subiu ainda, se já morreu há mais tempo que eu, como pude ler no seu jazigo?
- Porque meu filho, ela era uma... uma... p... pecadora, e tem que ficar no intermédio; por vocês chamado de purgatório, para se purificar. E você; bom, você sempre foi um rapaz... é... como direi... ham... equilibrado...
E quando desviei os olhos do Pedroca...
- aaaaaaaaaaiiiiiiiiiiii... caraaaaaaaca! – estava a uns dois mil metros de altura.
- Calma, filho, agora você tem o dom de voar, é um espírito – disse São Pedro, calmamente
Foi então que liguei meus “motores e comecei a fazer manobras radicais, enquanto subia aos céus
- Iurruuuuuuuuu, iupiiiiiiiiiiiii, que legal – cortava os céus a uns 300 km/h – ooooooooops – quase trombei de frente com um Boeing 747-300 que passava por ali
- Credo, se bater nesse daí não sobra nem pena das minhas asas – e continuei com meus malabarismos aéreos e...
- HAM, HAM, HAM...
Olhei e vi Aquele Ser Magnífico, Divino, e...
- Esta é sua nuvem, meu filho – disse Deus
Olhei para o meu novo dormitório e até que era agradável aos olhos. Agradeci ao Senhor e... ZUPT, sumiram, Pedroca e Ele. Fiquei ali sozinho. Comecei então a fazer umas bolinhas de nuvem e... BLARGH, CUSP. Não eram como algodão doce, como diziam meus pais quando eu era criança.
Olhei para baixo e pude notar umas pessoas ao redor ta minha tumba. Dali de cima, tão longe, não dava pra notar quem era. Seriam meus pais? Meus amigos? Mas que agonia, quem poderia ser? E aproveitando que Pedroca e Ele não estavam por ali, resolvi descer e conferir.
Liguei meus “motores” e VRUUUUUUUUM, quando cheguei, vi que eram quatro rapazes em volta da minha tumba jogando truco. Minha tumba servia de mesa, e amparava as cartas do baralho, copos de – oba, que delícia – vodca, carne seca, alguns objetos e o que??? Parafernálias para o uso de... Maconha?
Sentei ao lado de um deles e fiquei observando aquela farrinha. Até que, conversa vai, bebida vem, fuminho vai, viagens vêm, resolveram ir embora. Ao recolher as coisas, um tento usado na contagem dos pontos do truco, necessariamente um bago de feijão, caiu. Caiu e rolou até um buraquinho bem ao lado da minha sepultura, certamente feito por algum besouro rola-bosta. O baguinho de feijão entrou por esse buraco e caiu então sobre o meu... – AAAAAAAARGH – cadáver.
Nossa, eu estava todo podre, preto-arroxeado e fedendo, fedendo – UGH – a rato morto. Nos meus restos putrefatos, dançavam livremente os vermes, as varejeiras, os bichos escrotos comedores de matéria orgânica decomposta.
Então: PLUFT. O feijãozinho preto, usando como tento se aninhou em cima do meu – se é que se pode chamar aquilo de corpo – meu corpo putrefato.
Logo após, precipitou-se uma chuva forte, e com a infiltração da água no solo, encharcou todo o espaço onde estava depositados os meus restos. E aquela água acumulada, junto com o movimento dos vermes, colaborou pra que aquilo tudo virasse uma tremenda papa preta, de carne podre, ossos, vermes, terra, e... o feijãozinho preto.
Quando a chuva se foi, surgiu um sol intenso e rapidamente a água evapourou-se dali, ficando uma pasta orgânica e nela, o feijão preto. Aquilo ali, apesar do odor desagradável e forte, representava literalmente um ambiente propício para... – PLOC – e o feijãozinho brotou. Também, com aquele adubo orgânico que se formara – e modéstia a parte, se formara do meu corpo – com certeza era um excelente adubo, e só podia era brotar mesmo.
E o brotinho de feijão, por intermédio de um raio de luz que se infiltrava pelo mesmo buraco buraquinho do besouro, começou a crescer, e subir em direção à luz. Foi subindo, crescendo, em direção ao orifício que iluminava a cova, quando de repente – TUP – saiu para a superfície. E com o passar do tempo se transformou num lindo pé de feijão preto.
CABRUM. POU. TRUM. – escutei assustado. Era o Pedro, atrás de mim, furioso
- Como pôde sair do céu e vir para este reduto do pecado? Como?
- Mas Pedroca...
- Nada de mas, ELE tem uma surpresa pra você. Vamos.
Subimos aos céus de novo. E lá estava Ele, com os Seus Olhos fixos nos meus e com Ar de descontentamento. E disse:
- Você, filho, infelizmente desobedeceu as regras e desceu ao reduto do pecado, e como castigo terei de reencarná-lo. Só que dessa vez sua vida terá um curto período, e você morrerá esmagado, para aí então poder ficar lá, preso no intermédio, para se purificar de seu erro de agora.
Então, pensei no meu acidente ocorrido há pouco tempo. Ele que já fora violento, imagine o próximo então? Com certeza haveria de ser esmagado por uma Scania, ou coisa assim.
- Não, meu filho. – disse Ele – você não irá voltar como humano, e sim como feijão, e agora... vá!
De repente vi que não estava mais nos céus. Estava descendo novamente e, ao longo da descida, imaginava como é que, sendo feijão, poderia, e iria morrer esmagado? Também, nem sabia que feijões morriam. Fiquei tentando entender aquilo tudo, até que... espere... este lugar eu conheço!
Era a minha tumba. A mesma em que presenciara os caras jogando o truco...
E surpreso ao olhar pra mim mesmo, verifiquei que eu era o mesmo pé de feijão que crescera na minha tumba, o mesmo adubado por mim; quero dizer, pelo adubo formado a partir do meu corpo podre. Mas... será possível?
Daí, passaram então três meses. Pensava muito em quando eu era vivo e humano. As coisas que eu poderia estar fazendo agora. Meus amigos, família, projetos, e principalmente naquela garota. Ah, meu Deus, que garota. Ela era tudo pra mim. Sempre sonhei em poder tê-la, e ser dela... sua boca, lábios, seu corpo, sentidos.
Meus dias agora se resumiam à solidão do cemitério. Apenas alguns insetos pousavam em mim, e só. Ninguém passava por ali, ninguém visitava minha sepultura. Comecei a sentir um vazio imenso e pensava se eu não representava nada naquele mundo, naquele mundo que como diria o Pedroca, era o reduto do pecado...
Minha vontade agora era de ter sido mais direto, prático, atencioso, mais direito. Me consumia os dias nesses pensamentos: pensava nos sonhos que não conquistei, me contorcia de remorso. Principalmente quando lembrava que deixei de falar com a pessoa que mais sonhava, e a perdi para todo o sempre. Aquela garota, meu Deus. Meu desejo era agora morrer o quanto antes, e pagar com toda eternidade no purgatório, pra aprender a não deixar de, ao menos, tentar realizar os meus sonhos. Ah, e como eu queria que...
- Mas o que é que? Como pode? Será que?... não, não pode ser... mas é. – é sim é ela, é ela.
De repente eis que surge ela, e senta em minha tumba e começa a rezar baixinho para minha alma. Dizia que queria sempre ter me conhecido melhor, ter tido a chance de poder conversar mais comigo.
Eu não podia acreditar no que presenciava: a mulher que eu mais desejei, sentia alguma coisa por mim, e eu não me conformava agora em não ter dito para ela o que eu sentia, e ter quem sabe, conseguido seu amor.
Após algumas orações, ela se levantou, despediu-se com carinho e num ato incompreendido por mim, colheu-me e levou-me junto com ela. Mas que bom... sentia sua mão deslizar pelo meu caule. Sentia seu perfume. E eu não podia entender mesmo assim o seu ato, de colher um simples pé de feijão na beira de uma tumba. Foi então que um murmúrio seu cortou minha alma, bem fundo. E me mostrou como eu era um ser egoísta, me mostrou como eu não reparava que as pequenas e simples coisas, como um pé de feijão podiam representar muito para as pessoas que gostam, que amam.
E foi isso. O que ela disse foi exatamente que com aqueles grãos de feijão, dos quais eu era um e ela não sabia, por estarem ali na minha última morada, estavam me representando, e com eles ela faria uma feijoada em memória de mim e a comeria, e mastigaria devagarinho, para que sentisse aqueles feijões como se estivesse me sentindo.
Assim como eu imaginara senti-la, ela também imaginava a mesma coisa comigo. Meu Deus, era a glória esse momento. Estava feliz, sem arrependimentos, sem remorsos.
Ela me preparou com carinho e capricho. Cozinhou-me e colocou-me em seu prato. Pegou o garfo e ah... me levou de encontro à sua boca. Meu Deus, agora eu sentia sua boca, sua saliva, sua língua... que sonho bom era aquele momento. Ela me mastigava devagar, enquanto dizia baixinho me sentir; e sem saber que, sentia mesmo. E eu, estava no céu agora... mas tudo então começou a escurecer, me senti entorpecer, perdendo os sentidos, parecia que... ah, agora me lembro: ELE disse que eu iria morrer esmagado. Mas eu me sentia era vivendo, vivendo intensamente, e não morrendo. Vivia. Vivia agora maravilhosamente extasiado entre seus dentes, sua boca, até que... tudo se acabou novamente.
Voltei ao meu estado de espírito e novamente á minha boa e velha cova. Agora estava eu ali, sozinho novamente. Mas feliz. Muito feliz em ficar no purgatório, pois aquela foi a melhor coisa que me acontecera até então. Senti a garota, ela me sentiu.
De repente me dei conta que as maiores coisas, as mais belas coisas, estão nas menores representações possíveis, desde que haja amor. Aprendei que nunca é tarde para amar e que quando se tem algum sonho, algum desejo, é preciso batalhar para conseguir, sob pena que depois ter de ficar se remoendo de arrependimentos. Mas se batalhar com amor, haverá a recompensa, como houve agora. Agora eu pensava em passar o purgatório todo feliz, quando escutei:
- Filho!
Olhei e vi o Pedroca, com um semblante feliz, sereno, e fiquei surpreso
- Vamos filho, Ele o chama.
- Não, Pedro, tenho que ficar para...
- Não, filho, Ele o perdoou, pois você viu, sentiu e arrancou o remorso, o arrependimento de dentro de ti. E era isso que Ele queria.
Fui para o céu, e voltei para minha velha e macia nuvem, com a certeza de que qualquer coisa que se faça, deve ela ser feita com AMOR. Pois se há amor, não há a mínima chance de haver arrependimento.

Escrito por Alexandre Andrade às 17h06
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GRACIOSA NAMORADA

 

 

Ela, que poderia ser
E não é
Mas é, sem saber.
Ela, que me tem todos os dias
Perto
Não sabe que eu a tenho como amor diário e
Certo
Ela que ri das minhas piadas sem saber
Que rio das suas risadas
Que fazem sorrir o caminho de minhas passadas
Em toda, e qualquer hora, da minha jornada
Ela, que sente minha falta, mas
Não sente a dor em mim
Quando me falta.
Eu que a sinto perto, na falta, e dói
Sua ausência que em meu coração
Corrói
Ela, que fez dos meus dias, raios de sol dourados
Paz regozijada, alegria almejada
Ela, que clareia, com seu claro de tom em cor
Ela, que em suas curvas, me alucina
Em sensual deliro de desejos e torpor
Ela, e seus detalhes
Que a mim não são despercebidos, mesmo pequenos
Até aquele do queixo, o entalhe
Por grande que seja, ou muito menos
Ela, diuturna, que preenche os meus momentos
Sem, saber, que quando a noite preencho os seus
Sempre raia, dentro de mim, amor puro em sentimentos
Ela, presente dado, pra mim, fruto de Deus
Ela, que me gosta e que sabe
Do tamanho que sinto
Ela, que das minhas raivas já escolada
Até quando minto
Sabe se fazer serena e fala certo, e alivia
Nossa relação tão doce, deixa minha alma extasiada
Ela, que sem saber disso tudo
Sabe ser a minha, que só eu sei
Graciosa Namorada

Escrito por Alexandre Andrade às 16h49
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DOR

O que dói mais no coração, certamente
não é a falta do amor, ou a tristeza e a solidão
São as pessoas que amamos
saber que são amadas e por esse amor nem demonstrar gratidão.
Não é fato de cobrar amor, porque o amor não são trocas pré-estabelecidas
Mas sim ser grata, as demonstrações de afeto
de amor, por quem que seja, recebidas
Congelo o coração, agora
Vou seguir incólume, sombrio e frio
Pelos menos se eu fico triste e não sorrio
Mantenho ao menos de dor meu coração vazio

Escrito por Alexandre Andrade às 16h42
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EU

Sou Quieto,
Triste
Faceiro
Mente Inquieta.
Sou doce
Ácido
Seu amigo,
sou Poeta.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h42
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PENSAMENTO ESPARSO - DA FACILIDADE DO POEMA

A facilidade dos versos é encontrada no poder inigualável que vem da musa que tu és... pensar nos mares azuis de grandes ondas, nas brisas suaves que sopram dos tropicos, e nas palmeiras da minha terra onde canta o sabiá... dariam letras, como já deram, de valor pequeninho, comparadas a qualidade dos poemas inspirados pela musa do poeta canarinho...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h41
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RIMO AMOR COM NUVEM BRANCA

Sangue que pulsa forte na veia da rima que se edifica
gelo que causa na gente, quando te vê e se petrifica
Minha musa, que as vezes vai, mas mesmo assim aqui sempre fica
toca a mente do poeta, que pra ti escreve, e simplifica
És amor, virtude e docilidade
A feminina forma que inspira minhas letras
és meu impulso, força motriz que dá saudade
és meu poema, verso meu de rima perfeita...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h40
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MUSA DE ALABASTRO

Entre as flores a mais bela, de cheiro doce, perfume de mulher
Entre as mulheres a mais deliciosa, mas criança, quando quer
Feminina, no ponto exato, e se porta como tal
Ora Terna, meiga motreca, ora fera, toda força sensual
Ah, como és perfeita, em seus defeitos mil
Pois que demonstra, com o ímpeto juvenil
e quando adulta, de ideias e ideiais formados
Me embriaga, me deixando os sentidos apaixonados
Ofuscas tu, sim, as tentavivas vãs das outras que aproximam
e o que sobra, então, em suas maneiras tão só suas
é a sensação de que perto de você
O restante das mulheres
São tão insípidas, de formas cruas...
Ah, paixao estontenante que o dourado que apresenta
Configura nesse instante no poeta que te tenta
lhe dizer, modo incessante, que vc é ideal
pra formar qualquer poema, és a musa, mulher vital.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h39
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FELIZ DIA DAS MÃES

Mãe


Gostaria de que o tempo voltasse... que o relógio corresse ao contrário, e que os dias fossem contados regressivamente. Ah, imagino como seria bom daqui uns poucos anos eu me ver sendo acarinhado pela minha chegada, e não pela saída de casa... Que aquelas lágrimas fossem pela emoção de me ter de volta... e não de uma despedida que sabia a pessoa que vertia as lágrimas, seria definitiva. E dali não mais me veria sozinho, no mundo amendrontado, sem saber começar a me virar com coisas tão banais e que ela conseguia fazer com tanto esmero e rapidez. Agora me deliciaria com os saudosos quitutes e com as roupas tão bem arrumadas nas minhas adolescentes e rebeldes gavetas. Saberia olhar com outro olhos a falta de sono e o esperar preocupado quando eu nas minhas primeiras saídas, chegava depois do horário. Voltaria pouco tempo depois, voltando, a ter as lições tomadas no fim do dia, ela ali à beirada da máquina de costura, e eu doido pra ir pra rua jogar bola, mas não sem antes terminar a lição. As reuniões de agora no colégio e eu entendo aquele olhar reprovador e envergonhado, por tantas traquinagens eu ter feito... e voltando ainda mais, nossos sorrisos, meu e dela, a cada início de ano fazendo as compras do material escolar. Mais um pouco e agora eu me vejo pela primeira vez com vergonha de ficar sem roupa na frente dela, um pequeno homem que estava se formando, mas que mais um tempinho já nem me importaria, pois criança de novo estava ficando... as surras iam voltando a ficar mais constantes de novo, ai ai ai, como doía, mas agora eu sei, como me disciplinaram. Sem perceber, ali estava eu pulando de dor nos seus braços, naquela primeira vacinação de campanha, no posto de saúde... e ela coitada, sentia mais dor do que eu, por me ver chorar com aquela agulhada... mas sabendo mesmo assim que era pra eu lá atrás (ou na frente? ) ter sido o homem saudável que fui. Olha lá, que lindo, agora eu estou sendo carregada por ela, de onde chegamos? Ou melhor, pra onde estamos indo? Ou é mesmo o contrário? Ah, agora me lembro, voltamos do aniversário do meu melhor amigo... com presente na mão. Vejo agora o balbuciar das minhas pequenas palavras, e em sua imensurável paciência, me ensinando a andar... o que fazes acordada a essa hora chorando??? Puxa, está a beira do meu leito minha febre e bronquite a zelar... num hospital frio e solitário, enquanto meu pai estava a trabalhar. Que sorriso lindo que ela tem agora nos lábios, e olhando mais abaixo, posso ver eu ainda sujo de sangue enrolado nos lençóis no meu cordão umbilical a contorcer... era sua alegria, de me ver finalmente nascer... Depois de tantas dores no parto, eu lhe acometer, via que mesmo lhe fazendo sofrer, desde as contrações, até hoje, quando homem formado eu sou... ela sempre, por mim se alegra, e fica feliz em me ter... ah mamãe... como eu gostaria de voltar pro seu útero hoje, e recomeçar tudo de novo... Pois cada segundo daqueles que só essa historia de ficção nos faz voltar e sentir... eu realmente amaria repetir... mas como não posso, lhe dou esse singelo presente, essas letras que me fazem viajar por todos os minutos juntos que estivemos, ou melhor, que a senhora, unicamente, esteve do meu lado, mesmo sem eu perceber... seus dias de sol, lutas, preocupações, noites insones, e dor... pra me mostrar que eu sou verdadeiramente filho do seu amor... FELIZ DIA DAS MAES.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h38
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FABIANA

A cada olhar, o brilho raro se torna altivo
Me perco em suas cores, multifacetadas
De branco alvo, por degradês de faces avermelhadas
E do humor que a cada dia me torna emotivo!

Ah, quem pode pintar perfeito o céu de estrelas brancas?
Tão formosas quanto o branco em que te vejo?

Ah, mas quem pode me impedir de continuar...
veladamente, ver crescer, e querer, esse desejo?

Não quero que parem, nem que me tolham dessa liberdade inexata

De sonhar a cada minuto com seu tom sobre tom
Liberdade do carinho que pra ti dispenso,
na forma sensata do meu coração, de quando te penso
de sorrisos eu vejo o quanto isso é bom

Portanto, em tentativas vãs... porém recheadas de alegria...

vou tentando aqui, titubeando, te fazer em altura, a poesia

Mas, pobres letras, nessa minha mente apaixonadamente insana

em querer se comparar ao seu brilho, estrela, FABIANA

Escrito por Alexandre Andrade às 16h38
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EXPLÍCITO AMOR

A rosácea pele de candura
Revestida
Sorriso doce e espontâneo de uma criança
Ofusca o sol
Quando o dourado que se balança
Dos seus cabelos, irradiando, em linda dança

É alegria, pura e profunda
Amor folgado
Amor desejo
Amor peralta
Amor mulher
Amor perfeito
Amor que exalta
Que chega, embora, impermissivo
E nos inunda

Se o mundo é triste
E complicado, por natureza
É que não sabes, de todo ele, a sua beleza
Beleza única, que vem de dentro
Do fundo d’alma
Percebem todos, que te conhecem
Mantém a paz, mantém a calma

Tentam achar, em consultórios
Em teorias, televisão
Mas é tão fácil, direi tão simples, a ele achar
Está no brilho e na beleza do teu olhar
Está na cor, na cor perfeita, de sua tez
E no dourado, dos seus cabelos, digo outra vez

Mas mais visível, está
O amor buscado
Tido em questão
Tá no carinho, é tão explícito
Em seu coração

Escrito por Alexandre Andrade às 16h37
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AMORES AMIGOS, AMORES

Amor ou Amizade?
Os dois seus encantos tem,
Ambos se vão e vem,
Podem magoar também,
Igualmente, não poupam ninguém,
Amizade que a todos encanta,
É como o amor,mas sem cobrança,
Consola, aconselha, acalanta,
Terminada não desencanta,
Mas e o amor, sublime amor,
Sentimento egoísta,arrasador,
Disfarçado em amizade,entra no peito,
E vai modificando o sujeito,
O que era eu,se torna meu,
Se torna em meu, o que era seu,
Conjugando o verbo possuir,
Transforma seu modo de agir,
Ser correspondido,passa a exigir,
E quando a resposta é não,
Magoado fica o coração,
Ao descobrir que para ser amado,
Não basta ser conquistado.
(by Fabiana 12.O2.08)

Escrito por Alexandre Andrade às 16h36
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ILHA DE PRAZER

Nadar no mar claro e calmo de sua pele

percorrer os caminhos de seu amor mais puro, mais forte, mais amplo

ver de alto mar, os dois faróis, que se erguem por sobre o corpo da praia

dois faróis que avisam, a mim, navegante de seu amor

pra nao me naufragar nesse seu cheiro de sedução

nesse mar tão calmo, e ao mesmo tempo bravio

vendo ao acima dos seus faróis, casas, repouso... terra firme

seus olhos que convidam pruma estada tranquila, em seu abraço

ancorado, pela âncora forte de teus braços

mas, mesmo assim, logo após um tempo, volto-me pro seu mar

e vou aportar na tua ilha

num monte distante dos faróis, onde as árvores escuras convidam pra que eu

a penetre e a desvende, e desbrave os sabores íntimos de tua ilha de prazer.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h34
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VALENTINE'S DAY #2

Andando sobre os trilhos dourados pelo pôr do sol adiante, refletido nos dormentes perto da estação, chutava pedras e pensava que seria do meu pobre coração, nesse mar de tristeza, friagem e solidão, quando, frutos apetitosos e sombra acolhedora me chamou ao lado, onde fincada ao leito cristalino de água da serra, estava aquela "arvinha" que ali morava... me convidando pra subir e tentar apanhar o mais alto dos seus frutos e matar minha fome de amor... o cenário, e as rimas, não podem ser dignos de um poema ou coisa parecida, mas a intenção é demonstrar algumas coisas que vc, e eu, só nós dois, sabemos bem um do outro... feliz dia 14 de fevereiro.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h34
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PENSAMENTO ESPARSO - DAS ARVINHAS

A cor dos teus olhos é como a terra que recebe a semente... semente que entrou em meu coração, displicente... como terra ela se fez, germinando seu amor, contente! E o brilho do sol, refletido em seus cabelos dourados, iam dando força a "arvinha" que crescia... o dia claro, ensolarado, nuvens brancas, como o algodão de sua pele, o jeito moleque, a voz rouca que tocou minha emoção, e frutificou em mim sentimento sem igual.... foi assim você, que veio e se tornou a Helena de minha tróia pessoal.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h33
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NÃO CORRA AGORA

Se tocas o coração de um homem com o brilho alvo de tua pele e faz com o dourado do fogo de sua paixão ferver em suas veias esse sentimento que aflora, por que corres na hora que ele lhe pede uma posição agora??? Amor... não corra, não fuja do meu olhar, que te namora...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h32
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HAPPY VALENTINE'S DAY

Dizem, tantas pessoas, que o amor não deve ser longínquo, no sentido de distância... e arrematam afirmando que nunca poderia um sentimento de troca sobreviver sem o toque real de sangue pulsante! Eu, poeta amador, afirmo que o sangue pulsa também quando esse não está tocando ou sentindo calor irradiado, pois, mesmo assim, sente o calor emanado de tão longe... por que será que as pessoas tem medo de amar??? Acho que o mundo as faz amedrontar, e fugir de sentimento tão benfazejo... Distante e o modo que eu te gosto, e distante, no momento, é a única forma que eu te desejo, e distante, e a única forma de ficar perto de você, que eu vejo...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h32
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HELENA DE TRÓIA

Felizardo o homem que tem o prêmio de um beijo seu. Possuir-te então seria como subir ao olimpo dos antigos mitos gregos. Seus lábios com sabor de ambrósia, na sua saliva o puro néctar dos deuses, e seu hálito como o bálsamo dos eflúvios daquelas paragens divinas. Creio que tocar sua pele alva e suave seria eternizar o momento no gozo dos deuses, a esse prazer, sonham todos os homens... Afrodite teria ciúmes!

Escrito por Alexandre Andrade às 16h31
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ME CATIVA

Caí...
e não foi nos teus braços
você, que me cativou
e agora é responsavel por mim
você, que me deixa sem ar
voce que me faz bobo assim
você, quer feliz, brava, ou com pirraça
e que as vezes, com um simples beijo
me deixa todo aqui, sem graça
você... que sonho tocar... e sentir
você, que sempre que aqui vem me fazer sorrir
eu não sei o que fazer, se eu ao menos faço por merecer
essa sua compania, tão doce, que me faz viver...
quando nos encontramos aqui neste "PC",
é assim que é, que torna, que fica, a vida, com VOCÊ.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h30
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M DE MARRENTIM E DE MINEIRIM

Sabe bem fazer picuinha,
De manha, conhece a arte,
Marrento me deixa sozinha,
Brigar com espelho, faz parte.
Ranzinza? Que é isso, imagina!
É um amor, esse rapaz,
Teima, briga, faz beicinho,
Mas nem considero mais!
Sua marra tem ternura
Só faz birra com carinho,
Nesse encanto de loucura,
Eu adoro o mineirinho!

(by Fabiana: 20-02-2008)


Escrito por Alexandre Andrade às 16h29
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PENSAMENTO ESPARSO (DA CONSTÂNCIA DE VOCÊ EM MINHA MENTE)

Um tempo bom que se foi… e me restam doces lembranças da sua voz serena... e o acento forte da letra i em lugar do e, do meu nome: um doce Aliiiixandre... Onde estiverdes, meu pensamento contigo andará... eu juro, em nome do amor, que hei sempre de te bem querer... mas infelizmente o destino me quis sem contigo viver...   

Escrito por Alexandre Andrade às 16h28
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SONHO

Eu tenho um sonho.
Minto. Eu tenho vários sonhos. Mas gostaria de falar do meu sonho profissional:

Quero me formar em direito. Não, não quero advogar. Quem sabe, eu mude de idéia até lá, mas o meu sonho é ser promotor de justiça. Soa piegas? Mas eu gostaria de levar um pouco de alento pro povo que se sente injustiçado, eu queria ser o defensor dos direitos do povo. Fazer valer a moral e os bons costumes na sociedade. Lutar pra equilibrar o convívio social, impedir que houvesse tanta injustiça pra nosso tão sofrido povo. basicamente é isso. É o meu sonho... vcs acreditam em destino? Em Deus? Acreditam em coincidências ou em intervenções Divinas? Indiferente disso, vou contar um passamento que teve comigo quando eu tinha 6 ou 7 anos de idade:

Era desfile de 7 de setembro. eu tava na primeira ou segunda serie do primário. Naquela época, tinha desfiles magnifícos que louvavam a nossa pátria. e os alunos tinham que escolher alguma coisa pra se "fantasiar", pois iam representar aquela função no desfile... bom, eu era tímido de dar dó, e os coleguinhas mais assanhados, foram escolhendo as profissões legais: eu lembro que o william foi goleiro do bela vista, uma menina que nao lembro o nome mas lembro bem da cara dela, foi tenista, outros foram motoristas, professores, nossa, o médico, foi tudo né... e eu lá, querendo ser um jogador de futebol ou um marceneiro (meu pai é marceneiro, e eu achava o máximo, queria orgulhar o papai né). Mas não teve a profissão de marceneiro (o que eu achei uma afronta, pois é uma profissão que o pai de Jesus e o próprio Jesus praticaram na terra...) e não consegui falar nenhuma, pois nao abria a boca. Sobrou só eu lá... e a professora (naquela época TIA) Fátima, me lascou essa: vc vai ser o promotor. Nossa, uau, eu era o promotor (o que era aquilo?). Até então nunca tinha visto falar disso. Tudo bem, saí animado, dei a notícia pra mamãe... e o papelzinho do molde do meu "uniforme". Eu todo empolgado, quando vi aquela "batina" preta, com uma cinta de cetim vermelha de arder o olho... eu pensei que promotor era uma espécie de padre (se fosse roxa a cinta, eu diria bispo)... mas nem era por isso, eu gostava demais do Frei Tibúrcio (um falecido padre lá cachaceiro que fazia a missa das crianças na igreja sao francisco, ele era o máximo). O que achei inconcebível era que eu, hominho que era, usar aquele vestidão preto... fiquei tão triste... mas tudo bem. O que a gente não faz pela pátria não é mesmo? E imbuído do espírito patriota, lá vou eu encarar minha seara no meu primeiro passo ao Ministério Público (momento reflexivo: oh meu Deus, faça com que essas palavras sejam proféticas). Lá na escola, antes de ir pra rua, pro desfile, a tia Fátima me deu uma balança (é, igualzinha a balancinha que tem no signo de libra, do horóscopo, ou pra quem ja viu, de pesar ouro, enfim, a que representa a justiça) dourada, um pouco pesada pra minha idade. Puxa, pensei que promotor era funcionário de venda, que pesava o trigo, o fubá, o polvilho... mas eu nunca tinha visto uma balança daquelas, a do Tristão (falecido dono de vendinha que tinha no meu quarteirao, e todas as outras da época: do coelho, do dorvalino, do leao) era uma filizola de bandeja prata, uma só, que tinha um ponteirao que ia do 0 ao 5 kilos... bom, pensei que era isso... Fiz o desfile debaixo de um sol de uns 35 graus, totalmente revestido por uma túnica preta do pescoço aos pés, um legitimo vestido de padre, preto, que retia o calor... quase morrendo, segurando aquela balança que deslizava em minhas mãos suadas... mas o pior nao foi isso... eu via que os expectadores (a galera nas calçadas, pais, irmaos, etc) achavam muito legal olharem os futebolisticos, os doutores de branco, as meninas bailarinas, etc... e do bobao de roupa preta, so ficavam rindo (ou será que era fruto da minha imaginação?)... Só sei que odiei... meu pai tirou uma fotografia... tenho a prova viva dessas palavras... um dia posto no blog, ela tá la no CP, de papel, dentro de alguma caixa onde minha mae guarda as fotos. Enfim, odeiei aquilo né... jurei que nunca ia ser promotor, coisa ridicula aquela: pra ser operador de balança de venda precisava um homem usar vestido??? Quando acabou o desfile, os futeboleiros foram jogar bola, e eu tive de ir pra casa, tirar aquela roupa ridícula... e perdi a comemoração no final do desfile, pois não estava suportando o calor, e depois meu pai ficou com preguiça de voltar lá...


Essa foi meu primeiro contato com o mundo do MP. Lógico que eu sequer sonhava o que era um promotor. Desfilei sem saber de nada, o que fazia, o que representava. Meu pai, homem humilde, de poucos estudos, não sabia me responder exatamente o que era um promotor, e mesmo assim, se quisesse, eu não ia lhe dar ouvidos, pois tinha detestado "ser promotor"... Queria ser como o William, goleiro do Bela Vista Esporte Clube de Carmo do Paranaíba...


Hoje... pensando de modo mais transcendental... eu creio que estava escrito. Deus me colocou no caminho do MP antes mesmo de eu saber o que era isso (bom, assim eu penso)

Escrito por Alexandre Andrade às 16h27
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CAMINHOS

Caminhos, livre arbítrio, decisões a tomar
A escolha é sua. Qual caminho trilhar?
A sua frente se abrem, e cabe a você decidir
Ciente de que, poderá chorar, ou sorrir.

Eu a escolho, pois sei que não adianta meu amor renunciar
Se em meu caminho, não houver seu coração pr’eu amar

Caminhos que podem ter voltas, e o tempo é o preço a pagar
Estaria esperando em outro caminho, o amor que foi procurar?

Como quer que espere eu, em outro caminho?
Pois se a certeza é o que eu percorro pelo seu carinho.

Certezas e incertezas. Dúvidas e acertos;
Pode ser que errando o caminho, seja tarde, e não haja conserto.

Novamente insiste que eu possa errar a direção
Só há um, o que me leva a você; ao seu coração
Nesse trajeto não há curvas hostis, pedras ou encruzilhada
Seu caminho é reto e tranqüilo: o caminho da pessoa amada.

Caminhos retos? Sem curvas? Nenhuma surpresa encontrar?
Num caminho assim previsível, poderia se desencantar

O que acomete ao desencanto? Senão a tristeza, a dor?
Impossível desencantar, nessa estrada com seu esplendor
Isso é redundante dizer, mas é necessário eu expor:
O que me encanta na vida é seguir o caminho do seu amor!


Poesia da série: virtual de dois (Fabi & Xandy) in: 21/01/2008 (obrigado por ceder o texto pro blog, fabi)

Escrito por Alexandre Andrade às 16h27
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NOITES SEM VOCÊ

Quando anoitece,
Um calafrio envolve meu corpo,
Tão só me sinto gelar,
Meu corpo nu estremece...
Lembranças que me entorpece,
de um tempo bom bem recente,
de um amor agora ausente,
da tua saudade presente.
Quando anoitece,
Meus olhos te buscam na ânsia,
do estar com você em constância
encurtando a grande distância,
que me separa de ti;
Mas o silêncio anuncia,
A solidão me sentencia,
As noites serão vazias,
Agora que te perdi.
(by Faby 17.1.08)

Gentilmente cedida pela Fabiana, minha doce amiga poetinha. Fabiana, como estava ela sem título escolhi esse, se vc quiser, posso mudar depois... obrigado por colaborar com o blog!

Escrito por Alexandre Andrade às 16h26
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OUTROS CAMINHOS

Longos anos se passaram, desde então... o personagem promotor que outrora fez parte efemeramente da minha história, desapareceu da minha memória e eu cresci, e na minha adolescência zarpei pra estudar fora de casa aos 15 anos. Meus pais contrariando tudo que eu imaginava que iam fazer, admitiram eu ir estudar em um Colégio Interno, fazer o curso de Técnico em Agropecuária, em outra cidade, sozinho. (Sozinho e Colégio Interno é um modo de falar, porque lá eu estava cercado de uns 400 jovens de todo canto do Brasil, e o interno, não era tão interno assim, haja vista que eu saía todo fim de semana pra encher a cara de pinga e paquerar as mocinhas da cidade, que eram bonitas e dançavam bem)

Sem querer encher muita linguicinha, mesmo tendo aprendido essa técnica no meu segundo ano no colégio agrícola, na matéria de Indústrias Rurais – Abatedouro, eu arrisquei uns passos na carreira, após formado. Fugindo da ordem cronológica da narrativa, posso citar os meus mergulhos nessa carreira bonita, mas que não me satisfazia em nada pessoalmente:

Fui Técnico em Agropecuária da Agroceres Pic – Suínos e Biotecnologia Animal – Granja Núcleo – Genética. Em Patos de Minas. > Passagem rápida, porque como eu fazia um cursinho no objetivo a noite pra tentar vestibular (nessa época pra Medicina), eu sempre chegava cheirando porco, e não tava conseguindo arrumar nenhuma namorada por isso. E também, dentro da minha condição de técnico, eu gostava da parte de agricultura, não de pecuária. Uni o útil (as meninas) ao agradável (sair da pecuária suína) e vazei fora (mesmo bom tempo depois, certo de que joguei uma grande carreira fora, porque essa empresa é uma das maiores multinacionais no seu segmento.

Fui Técnico Agrícola numa fazendinha de café de um produtor lá de São Paulo, mas a fazenda era em Presidente Olegário. Lá eu fazia o que sempre gostei na área técnica, trabalhar com cafeicultura (em tempo: fiz estágio em cafeicultura na segunda maior cooperativa do país, e obtive a maior nota de estágio no meu ano). Mas como eu era o segundo técnico, me via sob a sombra de um bicho sonso lá, que achava que sabia, mas o que ele tinha melhor do que eu era lábia, mas saber mesmo, sabia nada... e como eu não admito injustiças no meio profissional, usei o lema do capitão nascimento: pedi pra sair...

Fui trabalhar então como técnico em cafeicultura pro maior produtor de café do Brasil, à época, um tal de Áureo Ferreira. Lá era super legal, tinha uma cidade no meio da fazenda, casas pros funcionários, hospital, supermercado, etc... éramos 10 técnicos, cada um responsável por um setor dos 55 milhões de pés de café. Mas, como Agricolinos (os acadêmicos da Escola Agrícola) e os Técnicos solteiros, nunca tem juízo, resolveram que nós não poderíamos morar no meio da cidade. E construíram uma casa (até grandona, legal até, no meio do cafezal próximo ao campo de futebol... Mas aí, o espírito justiceiro mais uma vez baixou em mim, e promovi uma greve geral de técnicos em prol de melhores condições de moradia e respeito à classe. Não durou muito, os bundões desistiram rapidinho, ficando só eu e o Luiz, firmes no propósito. Como 2 pessoas não é número suficiente pra greve, fomos demitidos sob alegação de insurreição e desrespeito hierárquico (dá até vontade de rir)...

Cheguei em casa, minha mãe já tinha entregado pra Deus... eu não tinha jeito... e depois disso aconteceram vários passamentos, que vou salientar a medida dos desdobramentos dos tópicos... mas, o que veio depois, no meu último emprego como técnico agrícola, calou a boca de muita gente que já achava que eu era um vagabundo nato: Fiz um concurso muito tempo depois pra prefeitura de Uberlândia, por uma vaga apenas disponível, pra o cargo em questão: Técnico Agrícola. Antes de formular meu calendário e me forçar a disciplina de estudos, esse ano, lembro-me perfeitamente que essa foi a única vez que eu sentei pra estudar seriamente sobre algum tema. Estudei 3 semanas, 12 horas por dia. Resultado: a vaga ficou pra mim. E trabalhei na prefeitura 8 meses... pq eu saí??? É uma longa história. Nos tópicos seguintes vou falar sobre isso. Só adianto que foi uma das grandes burradas que fiz na vida pra querer viver o mundo dos outros, salvar o mundo dos outros, sem pensar em mim. Mas, por um lado, foi um aprendizado muito bom. Falaremos disso em outra oportunidade.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h25
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QUERENDO NÃO PENSAR EM VOCÊ

sozinho... longínquo... a te admirar!
triste... cabisbaixo, sem o seu olhar...
pra mim nao tens o brilho que outrora via...
e pra outro entrega-te toda em alegria
meu coracao bate em altissono, ultimo volume
e por vc nutro, cultivo, silencioso ciume
e solitario, chuto pedras duras pelo chão
e vou tentando te ocultar, do meu pobre
bobo, apaixonado coracao

Escrito por Alexandre Andrade às 16h22
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LONDON BRIDGE

Os sons dos passos ecoavam e reverberavam na estrutura metálica da velha ponte. O frio intenso fazia com que o casal se abraçasse forte, e o vapor expelido pelas suas respirações formavam um só chumaço, que se misturava rapidamente ao denso fog que impedia a nítida visão do rio que corria revolto e gelado, abaixo dos seus pés. O silêncio da noite fria, ao longe, permitia ouvir vez ou outra uma voz no idioma estranho, que ganhava o ar vinda de um quarteirão ou outro logo ali à frente. Ao longe, as luzes dos monumentos históricos, e castelos turísticos, era de um dourado opaco, ocasionado pelo mesmo fog que cobria o rio. Estavam sós, e o céu não os permitiam ver as estrelas, testemunhas do acontecimento que mudaria suas vidas desde então. Gentilmente, ao meio da velha ponte, ele retirou o braço que cingia a cintura da sua amada, e encostando sobre o peitoril de aço gelado, a puxou docemente e um beijo longo envolveu os dois naquele momento... ao pararem, ficaram longo temo somente olhando-se, o brilho mútuo dos olhares, esperando uma palavra que pudessse quebrar aquele clima... e a palavra não veio! Numa fração de poucos segundos, que pareceu uma longa eternidade, puderam os dois, viajar cada qual no reflexo dos seus olhares. Um reflexo que refletia as suas histórias, e contava de como o tempo, foi tão generoso e também tão maldoso ao deixá-los distantes por vários anos, mas em também aproximar-lhes em tão exata hora, de suas vidas, um do outro. Viram as angústias, as alegrias, as companhias, os carinhos, o companheirismo que os permearam sempre mesmo estando longe um do outro... viram também os amigos em comum, diferentes, também distantes, que tanto os ajudaram a estar ali, agora, juntos. Viram os bons momentos de alegria, cumplicidade, amor, sensualidade, trocas, dificuldades, projetos, tristezas, e principalmente respeito e sinceridade, também, de quando efetivamente assumiram aquele amor... seus olhos agora eram telas de uma TV imaginária, que mostravam um ao outro a breve mas linda história de suas vidas. Dos mesmos olhos que brilhavam, desceram então lagrimas agora, mas lagrimas de contentamento e agradecimento. Contentes por terem suportado tudo, terem acreditado nos seu sonhos, idealizado, e ido juntos, buscar suas realizações. Agradeciam com lagrimas de alegria aos Deuses, anjos, protetores, ao universo por ter conspirado pra que esse tão desejado momento de felicidade se realizasse. E estavam ali, após longos dias, meses, anos, enfim, uma vida de espera, um pelo outro, para o grande momento de suas vidas... Em baixo o rio que arrebentava em correntes geladas contra a margem pareceu silenciar. O fog por um momento deixou que a luz das estrelas, mesmo fracas, fossem testemunhas dessa felicidade. Os quarteirões que vez ou outra lançavam vozes indistintas, silenciaram-se... a natureza se calou, e tudo que os oprimia, medos, angústias, incertezas, dores e cicatrizes, caíram e se afogaram nas águas geladas que corriam – agora silenciosas – sob seus pés. Os únicos sons quase inaudíveis agora ouvidos pelos dois, eram o ofegar de suas respirações, o bater acelerado dos seus corações, que incrivelmente batiam no mesmo ritmo, o ritmo de seus amores, totalmente, um do outro. A boca queimava de desejo, os corpos ardiam a despeito do frio. Como um cavalheiro romântico que olha sua princesa, sem tirar os olhos dos olhos dela, retirou ele a pequena caixa azul veludo do bolso, abriu-a, sem olhar, como se soubesse retirou o objeto certo, sabendo pela circunferência um pouco menor, e sempre, se olhando, rasos d’água de olhos, os dois, colocou a aliança dourada que brilhava agora mais do que um farol a beira mar indicando aos navegantes um seguro abrigo, e quebrou o silencio com as mais esperadas palavras de sua vida: - Quer se casar comigo? E novamente, quebrado o silêncio da mais bela noite em que seus mútuos sonhos ousaram supor, respondeu ela com voz doce e cristalina que lhe encheram de sorriso e torpor: - Eu aceito, sim, quero, meu amor!

Escrito por Alexandre Andrade às 16h21
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VIRTUAL DE DOIS

Enquanto te espero me inspiro,
Solidao, companheira constante,
Lembrancas das horas felizes,
Perdidas em tempos distantes.

Enquanto vc se inspira, eu te espero
Com a constancia da sua mesma solidao, eu tenho
E feliz fico, com suas lembrancas, que quero
Achadas sempre com vc, por isso que aqui eu venho

Saudade louca de ti, vida minha
Os segundos parecem parar
Paixao incontida, se revela em mim
Desejos de te ver, te abracar

Abracar-me podes quando desejar
Pois revelada essa paixao ja esta em mim tambem
Mas com voce os segundos nao me deixam pensar
Em sair do teu lado, ficar com vc meu bem

Sintonia perfeita, magia indescritivel
Em ti conheci, do amor o encanto
Amor sem razao, sem tempo ou nocao
Preciso, incontido, perfeito acalanto.

E e nesse acalanto embalado com emocao
Que de irracional eu encontro minha versao
De descrever pra voce com todo amor
Isso que causas em mim, feliz torpor

Entao vem, nao deixe o tempo passar
Traz de volta o amor, o qual me ensinastes
Traz contigo o calor, a alegria infinda
Que por longo tempo me acostumastes

Se te acostumas comigo, me acostumas tambem mal
Pois a felicidade que me traz e tambem reconfortante
Mas nao lhe ensinei, so te amei
O que apenas fiz, foi por ti me apaixonar

By: Faby & Xandy. (in: Sunday, 29, april. At: 2:00 AM.) - poema escrito em conjunto com minha grande amiga motreka fabiana, a qual eu dedico os créditos do texto.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h20
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CONHECENDO O AMOR

Em suas letras há uns quatro invernos
descobri uma mulher inteligente e de modos ternos
Num ritmo que mesclava o impetuoso e o devagar
de repentemente me deixei em de você perto chegar
Num instante, em tempos depois, um som marcante que entrou em meu ouvido
Marcou de forme diferente, e se tornou, um dos melhores, por mim percebido
E dali, de sonoro, não tardou, a impressão veio visual
E confesso, de muitas belas, princesas e moças, pouco então eu vi igual
Foram tempos de espera, esperanças, dissabores, e raivas até
Por vezes eu lhe irritava, com músicas, não largava do teu pé...
Sabia das condições adversas, do coração que já se fazia ter alguém
Mas não podia de perto sair, nao conseguia, não achava jeito
E bem sei que que não me vejo em ruim, pois sei que não feri ninguém
e de consciência pura ficava, pois sabia, o meu respeito
E assim o tempo passou, e por debaixo, aguas rolaram pela da vida ponte
E eu sempre buscava-te, vislumbrar, em você o meu sonhado horizonte
E como navegante, fui por então te procurar, seja por ar, terra ou mar
Eu via obstáculos gigantescos, mas eles não me faziam desanimar
E venci rio, mar, atalho, mata, pedra, morro, montanha e monte
E hoje descanso, feliz por saber prudentemente poder esperar
E deito nos teus carinhos, e vivo a delícia que é te amar
E do mundo sou, o mais feliz, dos homens, em seu esplendor
Pois enfim tenho real, o meu sonho, do teu amor...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h19
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PENSAMENTO ESPARSO (DAS MISTURAS DE SENSAÇÕES DA VIDA)

... e a vida segue bela em seus caminhos tortuosos, e segue feia em seus caminhos tão seguros. Hoje bem, amanhã quem sabe também; mas os dias desconhecidos, podem ser enfurecidos, tristes, indecisos... não preocupeis tua mente com porvires imprevistos, aprenda do que foi, siga forte, decidido... as vozes que se passaram, não machucam, não imperam, no entanto, se quiseres, elas fazem e também operam, operam conhecimentos, e te preparam pro desalento, e se de alegria podes sorrir, saiba que em algum momento de tristeza há de chorar... aceite e vença, nao pare nao esmoreça, no final a luta compensa, e o retorno é garantido, contando que haja amor, o tempo não é perdido. Não se deixe abalar por tristezas ou frustrações, pois a vida é assim mesmo, esse mix de emoções...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h18
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31

Madrugada fria… a friagem que se diz não é exatamente a que se nota pela climatologia, bom, afinal, estamos em pleno verão e as temperaturas já estão excedendo aos 30 graus já faz tempo. A friagem que se abate sobre a madrugada em questão é aquele ligada a um sentimento de tristeza... talvez, tristeza não, solidão, seria a palavra certa.
A véspera desse dia 4 de julho até que começou alegre, o despertador foi um telefone com mensagens de alguém muito especial, e o dia foi de folga, e pensando, até fiz compras... como diria meu amor: só bobagens!!!
A noite caindo e junto com ela veio um pouco da friagem anunciada... talvez esquentada por ver meu filho em tempo real, movimentos e sorrisos – bendita tecnologia que eu não domino (já diria minha pretinha: você tem de querer aprender mais sobre, deixa de preguiça Alexandre – amo quando ela diz Alexandre), ele tá grandão, um presente e tanto vê-lo assim, após tanto tempo. Mas, confesso com certa vergonha que às vezes prefiro não ver, pois sendo assim, “parece” que sofro menos sua ausência... Bom, foi rápido, uma hora... e me vi sozinho. Pretinha foi ao cinema... assistir, ora vejam só: 13 homens??? Rio, mas pinta até um ciuminho, é verdade. Tudo bem, eu sei que ela viria, queria me alegrar, hoje, véspera do meu dia... saio de novo, resolvo comprar um vinho, não satisfeito, lá vai eu trazer as deliciosas vodkas de romã. Tudo bem, são fracas, parece suco... e quem sabe não fariam as vezes de companhias reais? Os amigos, esses, conto em dedos, e olha que esses dedos seriam em menor número do que aquela mão do nosso iletrado presidente da mão que lhe falta um... vejam só, eu lembrando de política de novo, bom, não é hora pra isso. Me perguntaram, me ligaram, me aconselharam: saia, vá se distrair, passear... Infelizmente não entendem o quão são superficiais as relações feitas aqui nessa terra vil, que empresta o brilho do olhar somente pro vil metal... se você tem: Welcome... senão: Silêncio!!! Prefiro a solidão do meu quarto. Já dizia os mais sábios: Antes só do que mal acompanhado. Vi meu quarto meio sujo, e pensei, que tal começar nova fase de cara limpa? E limpei, ficou um brinco, brilhando, cheirando ao novo desodorizador de morango, direto na tomada e tudo... dura quinze dias (e a pretinha ainda fala que não uso tecnologias). No ínterim que sucedeu ao “clean-up” eu escutei uma nova voz da MPB brasileira: Vanessa da Mata. Me surpreendi, canta bem a menina, tem voz, timbre, tenacidade, e as letras são uma delícia (influência da pretinha? Acho que sim...).
Terminadas as tarefas de limpeza, me sentei diante dessa tela que me traz várias nuances diárias, loguei nos endereços de costume. E enquanto falava com conhecidos, ia ouvindo das clássicas do sertão, passando pelos meus gostos indefectíveis – a saber: o Zegê e a Legião – e também as delícias sempre bem indicadas, novamente, pela pretinha. E por falar nela, olho o relógio heim... músicas vão e vêm, e já beiramos a meia noite... e de repente uma tristeza solitária bateu em meu peito... mais um aniversário nessa modorra. Será sina? Toque a vida adiante... foi uma opção, não foi?
E as lágrimas da solidão desceram mesmo quando à meia-noite, um atormentado amigo que só dorme a base de remédio, já exausto por esperar, vem me dizer que ficou até essa hora pra dizer: Feliz Aniversário... e lá vai o manteiga chorar. Valeu, Epíti... e a surpresa, maior, talvez, ficou por conta das minhas duas madrinhas – Paula e Nana – com aquela mensagens... sinceramente, a solidão doeu mais fundo... não por que eu estava me sentindo só agora, mas porque não poderia abraçar essas pessoas que se manifestavam tão amigavelmente, demonstrando todo carinho por esse serzinho que vos escreve... Mas o sorriso maior aconteceu, quando, diferentemente do seu vermelho habitual, minha pretinha, entrou, de pretinho básico mesmo... ah, presente melhor? Não havia né... mas, de repente, me bateu um vazio, uma impotência tão grande em não poder receber um abraço dela... egoísmo? Puxa vida, pode ser... mas deu raiva de mim mesmo, raiva por estar só por opção... por estar só mesmo não estando só... Eu sei que sou abençoado, por ter vocês do meu lado... Mas chorei, chorei muito por não poder receber de corpo quente um abraço ao menos, e triste, tive de sair correndo, fazendo uma desfeita praqueles que me amam, que me querem bem... Pensei nos meus pais, queria ter gente perto... e estou só (mais uma vez digo: não o “só” físico, pois pelas demonstrações de afeto recebidas, seria ingrato dizer isso, mas pelo “só” casual...)... E deitei a cabeça no travesseiro, e comecei a decidir o futuro, breve, a curto prazo... voltei rapidinho, não podia deixar minha pretinha ali, preocupada, mas ao falar um pouco, novamente as lágrimas rolaram, em maior quantidade, num misto de vontade, saudade, e raiva, por não receber aquele afago pessoalmente. Tudo, menos tristeza... e saí... e saí e pensei: nessa vida, tudo que fiz... foi tão bom e merecedor... tenho amigos (poucos) e tenho amor (pretinha, pais, filho)... não posso de jeito nenhum me entristecer e ser ingrato, mas me desculpo e agradeço, e me explicando, me perdoem, meus amores, sou apenas um... e não é fácil, nessa situação, chegar sem choro, aos 31...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h17
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(IN)SATISFAÇÃO

Eu fico imaginando como um presidente igual ao indigníssimo Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, não tem um mínimo de vergonha na cara em ir aos programas em que faz, e dizer com a boca cheia de que o Brasil está indo bem como “nunca antes na história da república”. É repugnante ouvir a voz desse sujeito mesquinho, que pretende tapar o sol com a peneira ( o sol dos iletrados e humildes, que acham que por causa de um mísero aumento e de algumas bolsas sabe-se lá o que, o colocam nas alturas ) de todo o país. Será possível que realmente as pesquisas de opinião apontam seu governo como satisfatório? Converso com várias pessoas, mas, dentre a maioria, logicamente que são pessoas mais bem informadas sobre a política real, não a de palanque, não os fanáticos partidários-panfletários, e o que vejo é um uníssono “sim, estamos insatisfeitos”. Acompanho como posso pelos noticiários on-line e por artigos repassados por cicerones internautas e o que vejo é tão somente escândalos, desonestidade e apadrinhamento. Os casos da última hora, e os que já foram do ano passado, não conseguem atingir o presidente santinho, e isso me enerva. Será que pra um presidente ser tido como ruim tem de congelar cadernetas e rendimentos da população? Será que os brasileiros não enxergam a calamidade que está os atendimentos de saúde, as instituições governamentais, e a pouca vergonha despudorada que impera no mar de lama no antro do PT e seus comparsas em Brasília? Não acredito que o (in)digno dezenove dedos não consegue perceber o caos que o Brasil do POVO (o seu povo) passa atualmente. A crise aérea, que os jornais gastam horas e horas cobrindo, as filas e horas intermináveis nos aeroportos… A classe média sofrendo o que antes era do gosto só das baixas, as filas dos SUS, filas da previdência, e fila nos terminais de ônibus e metrô. E lá vai ele alisar a cabeça dos loucos fantasiosos Evo Moralez e Hugo Chaves… Por que esse homem não olha pros problemas internos do seu povo? Por que será que não vejo os políticos tomarem uma atitude responsável? Por que o Brasil está tão mal e a mídia governamental insiste em dizer que o Brasil está crescendo a toque de caixa? Sinceramente, são coisas que não dá pra entender. De certa forma começo a acreditar que cada país realmente tem os representantes que merecem. É repugnante. E coloquemos os narizes de palhaço, pois, as leis, nunca mudadas por eles, pra se beneficiarem, permitiram mais uma vez outros safardanas renunciarem ontem pra não ter os seus direitos cassados… e mais uma vez a pizza esfriou nos casos Renan e outros mais. E continuamos sendo o país do futuro… do futuro dos sanguessugas que nos dirigem… nada mais. Era só um desabafo…

Escrito por Alexandre Andrade às 16h16
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PENSAMENTO ESPARSO - DA FALTA QUE VOCÊ ME FAZ

Já saio hoje pensativo (já sei, vai dizer que penso demais não é?) sobre os difíceis cinco dias que estarei arrastando caminhões de saudade pela sua ausência... Nesses monturos de construção, acostumei com o movimento das letras, cores, sons e sabores que sua presença me traz... é tão bom você por perto que às vezes me esqueço que o relógio não pára, e quando olho... ih, lá vem a hora ruim. Mas essa hora por ser ruim, não afeta tanto, pois sei que o apito da obra novamente toca amanhã, e lá vem de novo o caminhão de alegrias e sorrisos, fazer mais uma parede, mais um alicerce, mais um cômodo nesse sentimento tão gostoso que é te amar e ter você por perto. Bom, mas como toda empresa, toda obra, e todo (ou quase todo) mês, têm-se as férias, licenças e feriados, é claro que os operários deixam a construção de lado e vão se deleitar um pouco, amenizar a cabeça, passear e rever parentes distantes... Espero com meu caminhão de saudade... a sua volta... e você nem foi... mas puxa, não poderia ficar sem esse sentimento costumaz, afinal: você sabe a falta que você me faz???

Escrito por Alexandre Andrade às 16h15
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ESPERANÇA PRÁXIS

Mensagens
Café
Bolo
Beijos
Amassos
Sonhos
Pontes
Frio e calor
Cobertor
Simplicidade
Desejo
Amor
Vontade
Saudade
Encontro
Telefone
Presentes
Letras
E contos
Alegria
E pensamentos
Lágrimas
Fortaleza
Cumplicidade
E confiança
Está tudo tão bom, que por esse amor encho meu coração de esperança...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h12
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PENSAMENTO ESPARSO - DO BAÚ DE BEIJOS

... As pessoas que se amam se permitem beijar, beijar, beijar e beijar até que os lábios fiquem dormentes. Se, estão perto. Sinto pelas pessoas que se amam, e estão longe, impedidas de realizar esse ritual romântico e benéfico... o beijo... Qual o som, o gosto, a intensidade dos seus beijos? Seria por demais injusto que durante esse tempo que dispensamos tantos e tantos, milhares, milhões de beijos, um ao outro, mesmo distantes, deixássemos eles somente no âmbito do pensamento... Por isso necessário foi, e genial, assumo com modéstia, a criação do nosso baú de beijos imaginário... Aqui guardaremos todos os beijos dados, prometidos, sonhados, oferecidos (os teremos em pensamento, mas após, vão pro baú). E quando juntos, nos sentirmos pele com pele, e boca com boca... reaveremos nosso direito de reclamar esses beijos, pois, se fomos amantes, apaixonados, não podemos deixar que eles se percam no ar... e abriremos a tampa do nosso baú, e pegaremos aqueles beijos, um por um, e faremos deles a mais pura realidade, até esgotar todos, e não houver mais nenhum no baú... provaremos todos, do mais simples ao mais profundo, do mais romântico ao mais pervertido... e enfim, mataremos todos os nossos longínquos e recíprocos desejos, pois vamos acumular por direito, e tornar real, nosso baú de beijos...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h08
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RIACHO DE ALEGRIA

Não disfarço o sorriso que brota cristalino
Puro e transparente como uma fonte, em meu rosto
É como se tornasse a ser de novo menino
Por ter essa alegria, do seu amor, o gosto
Gigantescos montes eu corri, escalei, procurei
Esperançava, me lançava, as vezes por certo
Declarava
E então, como o sol que rompe a manhã, vislumbrei
Quando vi o seu carinho, esperado, de mim, perto
Eu ofegava
Rio, rio de sorriso e que corre em minhas veias, da alegria
é uma corrente forte, intensa, por ter você, dia a dia
E pra te ver feliz, como sou, farei por ti, tudo que for
Pois a quero como dou, de modo pleno, todo inteiro, o meu amor!

Escrito por Alexandre Andrade às 16h08
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DA ALEGRIA DO QUERER

Jogo as tristezas pra trás, agora
Que te encontrei e te conheci
Nem me lembro mais os motivos pelos quais me entristeci
E ao te ver, já vem logo o meu sorriso, sem demora
As nuvens que antes se esfiapavam cinzas, lá no alto
Fazem desenhos brancos, lindos de algodão
Desenham por inúmeras vezes, teu retrato
Refletido puramente dentro do meu coração
O que era tempestade, já se fora, embora
Ficando com você, alegrias e desejos em encontrar
Mas ainda não estás, por aqui agora
Senão dentro do meu desejo, puro, te amar
Mas a força indescritível desse sonho bom
Faz as noites de minha existência ter realmente novo tom
Tons vibrantes, como sua voz timbrada, pele morena
E dos olhos brilhantes, e da saudade não pequena
E o que eu posso dizer dessa coisa tão gostosa?
Sinto, melhoro, não consigo mais parar
Em pensar na sua figura sempre simples, e formosa
E de quando ouvir o teu falar, me apaixonar
Mais e mais apaixonante tu te tornas
Na medida em que fica nem tão longe, não demais
Fecho os olhos e imagino suas formas
De jeitos meigos, atitudes naturais
É um jeito de ser que se destaca, diferente
Dessa forma nunca vi mulher até, em minha frente
Mulher feliz, mulher, loba, bruxa e menina
Mulher que a cada dia, mais e mais vem e fascina
Não posso jogar fora, essa vontade de ter
Não posso, tenho que correr, fazer por merecer
Pois assim, muito tempo, não me via tão feliz...
E é você, que assim me deixa, meu amor, que eu sempre quis

Escrito por Alexandre Andrade às 16h07
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PENSAMENTO ESPARSO - DAS TORMENTAS NOTURNAS

... Mal ele enfunou as velas sob o sol escaldante daquela manhã, revigorado de bom ânimo pra seguir viagem, a noite caiu depressa sob a força de nuvens negras que tolheram o sol mais cedo... longe da ilha, as aguas se agitaram, em ondas violentas e espumantes que chacoalhavam o seu navio. Sozinho no meio da tormenta, guiava cego o leme do navio, apenas pensando em não afundar. Sabia ele que ia sair do rumo... Sabia ele que o caminho ia ficar mais distante de novo... O sextante quebrado na última tempestade não o ajudava a medir a direção, e nem lhe contava se realmente estava fazendo a coisa certa. Apenas ia, segurando firme, o leme, seus braços doíam, mas a vontade de chegar era maior... Mas a desesperança estava de certa forma se apoderando dele, em meio àquela tempestade súbita... Os ventos urravam a soprar, as ondas lambiam o seu casco a lhe balançar... mas ainda temeroso e incerto, o que se ouvia naquele barulho ensurdecedor do bravio mar: "é preciso esperar, é preciso chegar"...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h07
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PENSAMENTO ESPARSO - DA ORLA

Vento morno em meu rosto, maresia salgando a boca…
Nuvens brancas de algodão se formam, em traços
Onde parece que lhe levo nos braços
E as ondas parecem dizer ao chegar, que enorme
Saudade louca
Vago pela orla sozinho e viajando longe
Em devaneios que exasperam o sentimento
Quase padeço o dia, em que não te vejo perto
Em nenhum momento
De manhã a brisa salga, ardendo o meu olhar
E a noite a lua vaga, no céu a te relembrar
Parece que estás aqui, parece que estás que tão distante
Parece que estás no céu, parece o inferno de dante
É um ter que não se tem, mesmo tendo e assim sabendo
Mas tenho querendo ter, vou lhe tendo, assim vivendo
Busque-me em seu sonho, dia e noite
Use a saudade como amiga, não como açoite
Queira vir pros braços meus, seja frio, verão, quente, inverno
Queira estar num abraço meu, fazer esse o momento eterno
Pois assim vai ser nosso amor
Sim, como todos, chama, pode chamar
Mas como o poeta, também será pra sempre
Até quando nosso sempre durar...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h06
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NOITES INSONES

Nas noites insones, procurava uma razão pra tanto dissabor. Onde estaria então o tão sonhado amor perfeito, senão apenas em músicas e em alguns jardins e vasos? Rodei e vivi a grandes momentos, mas, que vistos sem emoção, por não serem ideais, me voltava então ao velho estado latente da procura pela mulher, a mulher que mexesse comigo de uma forma inexplicável, sem palavras, sem formas, e até sem gosto, imaginária...??? Falam que não se pode ter assim um devaneio tão profundo, e o intitular real... mas eu os conclamo aos termos:

As famosas válvulas de escape me davam algum prazer? Se sim, momentâneo, quiçá nem isso, e logo a madrugada vinha rosnando, arrebatando meu sono e me fazendo imaginar o porque ela ainda não aparecera...

Os vinhos e amigos, risadas disfarçadas, onde, me via sem um braço alçado ao meu... que sorrisse com cumplicidade e fechasse os olhos nesse durante, demonstrando a alma pura de uma menina bem amada

Herói da resistência? A solidão, que dizem, fazer bem pros poetas e escritores, é de certa forma uma verdade, mas não a solidão vivida, a solidão efetiva, solidão cativa, não é de forma alguma uma companhia agradável... a não ser aquela solidão pragmática, existente somente na hora do ofício do escrever, planejada e temporária, sabendo-se que logo logo ela irá terminar com um abraço surpresa e um beijo acompanhado de uma risada gostosa...

Hoje já não insone pelos dissabores, tão somente pela saudade que faz bem, o bem pensar, o relembrar, o querer estar... por ter te encontrado subitamente e de forma incomum... lhe conhecido... lhe adorado, aproximado, declarado, até não entendido, por hora, mas depois, agraciado com seu carinho e atenção, amor, compreensão, cumplicidade, tesão, sua razão, seu coração. Você apareceu no momento ideal, em que meu coração se abria prum novo amor... E lhe escolhi, e fui escolhido, e agora, mergulho profundo nesse sentimento, sem medo. Perguntam-me do medo, do incerto, e respondo que o não posso ter, afinal, se o tiver, posso sofrer mais tarde em não ter tentado, não ter provado. Sei bem que as vezes, nem sempre, o sofrer acompanha o amor, a distância, mas ele não vivido é também uma forma de sofrer... e quero viver, sonhar, abraçar essa causa, planejar, estar do seu lado, hoje com esse pensamento, pra todo o sempre, lutando, apoiando, amando e sendo amado, ajudando, ajudado... viver nesse gostoso sabor de a cada dia um novo sorriso, uma nova carícia, um novo amanhã vislumbrado... Achei você, doce morena, e por ti vou sendo descoberto... Nessas idas e vindas, os dissabores ficaram esquecidos, e uma nova janela se abre pro horizonte que buscava, cheguei enfim ao fim da estrada, ao fim da viagem pelo mar bravio... e hoje descanso em teu horizonte, tua ilha, tuas paragens cálidas e refrescantes... Deixa eu viver e sonhar, deixar eu amor te dar, e confie que nosso amor irá perdurar, pois real e sincero, puro e simples, todos sabemos que ele o é... incerto? Não, pois no amor não há incerteza... só há unicamente uma certeza que digo agora, pra vc, o sonho e a sinceridade em com você, ser feliz...

E nas noites insones, continuo... mas agora, feliz... feliz em esperar, pois esperar é acreditar, e acredito que isso, o que o destino quis, é simplesmente vivermos juntos, e pra sempre, ser feliz...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h06
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BARULHENTO CORAÇÃO

O barulho inquietante à noite, que vem
Sempre nas horas em que sozinho me reservo
Atento estou, e sombrio no quarto, observo
Num desatino de pensar, você, meu bem
É mistério, que preocupa e que amedronta
Tento imaginar outras coisas, desisto, não dou conta
E exausto e tenso, deito, adormeço
E nem nos sonhos, do barulho, me esqueço
De sobressaltos espaçados, vez ou outra me desperto
As vezes sem noção, pareço em lugar incerto
Fecho os olhos e tento me reencontrar
E novamente o barulho, torno a escutar
Já é dia, os olhos pesam, o corpo padece
Acordado, o corpo parece que sonha, que adormece
E as vezes, um peso no estômago, feito embrulho
Escuto altissonante, novamente, o barulho
Faço uma batalha, com a mente, em desvendar
O que é esse som, que dentro de mim, sempre ressoa
Vago e procuro, em hora ruim, às vezes boa
E chego perto, e já começo, a situar
E num súbito e rompante, parecer surpreso
Me vejo então, que pelo barulho, já estou preso
Eu não domino, pois dele agora, eu sou refém
Mas ele é meu, como se fosse, preso também
E mais calmo, em conhecer a realidade, então
Já não preocupo, com o barulho do coração
Pois ele reflete, o puro sonho, a densa paixão
Daquela menina, que vem e vai, faz ter saudade
Mas faz ter também, uma esperança, forte vontade
E agora gosto, desse barulho, pois é um fator
Que representa, por ti, meu puro amor.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h05
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PENSAMENTO ESPARSO (DA PREOCUPAÇÃO E PREOCUPAÇÕES)

Olho na janela, distante vejo meu sonho, preocupado estou, com os objetivos, as conquistas, as perdas e ganhos, do que vem, do que passou... Vejo cada minuto de cabeça quente, olhando pros acontecimentos, tentando entender o que vai ser de mim, vai ser da gente... Espero ansiosamente o melhor. Mas quando também, penso em que tão ruim é essa vida de preocupação, faço uma descoberta, com você, que me alegra o coração, é um enriquecer de sentimentos bons, pois noto claramente, do seu amor, o tom: Não é só por mim, que simplesmente, tu te preocupas, e eu sorrio, quando em teus olhos eu vejo o brilho, das preocupações, com minhas coisas, e principalmente, a minha maior, que é o meu filho. E agradeço, com lágrimas boas, e sem palavras, pois torno a constatar, que feito tu, não há igual, e a cada dia, pra mim te tornas, o meu amor, mais que amor, especial...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h05
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PENSAMENTO ESPARSO - DO OUVIR

O som que faz as vezes de vinho, que em altas doses
inebria...
é ouvir assim a tua voz, rindo, que me enche de alegria...


Escrito por Alexandre Andrade às 16h04
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POESIA E PROSA ANTAGÔNICAS (POESIA)

cheguei aqui, com a intenção de brincar
te conheci, num instante a teclar
te aborreci, e vi seus toques a queixar
não me venci, e continuei a zoar
as letras corriam soltas, jogadas na rede
tal qual moscas voando, sem contenção, nem parede
mas, de um súbito o colóquio tomou
um rumo então, que nem um de nós preparou
sem querer, contamos vontades
sem querer, entregamos detalhes
até sem querer, começou em inverdade
e foi crescendo, o querer, curiosidade

primeira vez, voz doce e intrigante
qual seria a tez
naquele primeiro (sonoro) instante?

ao som de sua voz, me deixei ir levando
não previ o futuro, tampouco o envolvimento
mas ao ve-la em pranto
fiz da verdade o momento
verdade doída, mas que não deu pra negar
e você solitária, com voz triste a chorar

mas, conforme os ditos
amor, louco amor, entender?
de meiguice e atritos
não deu mais pra esquecer...

um amor tão distante
impossível talvez
uma dor incessante
o que a gente fez?

a razão nua e crua
me atordoava como choque violento
no passeio, na rua
só você, pensamento

após longa demora, de melhoras também
o telefone que toca
a esperar, (o) alguém?
me ouviste dizer, coração que pipoca
e me ouviste dizer, menina bonita
e me ouviste dizer, meu amor, meu prazer
até ouviu-me dizer, com seu jeito de aflita
que a razão desconhece, este verbo - sofrer

razão... coração... projetos... vida
onde dói, é tal qual "tic-tac"
na memória sofrida
você merece destaque
no coração dilacerado
você é o verbo encantado
nos projetos... crueldade (cruel)
e estar dividido entre a terra
e o céu

onde vai felicidade? quem te traz?
desconheço quem ama, e assim se compraz
sem sofrer um bocado, sofrimento voraz
não consegue sequer, um minuto de paz

na labuta, na matuta
vou tentando arranjar
palavras e versos
sem querer machucar
ó tentativas vãs
com o amor se machuca
se der mole, caduca
entre versos e prosas
de um bater descompasso
mente laboriosa
de preencher seu espaço

mas... como trevas e luz
tem duas coisas que não se dão
são elas que expus:
- razão - coração

Escrito por Alexandre Andrade às 16h04
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POESIA E PROSA ANTAGÔNICAS ( PROSA )

" Aquele moço anda meio desconcertado, andando pelas
ruas enculcado com um troço esquisito na cabeça... uns
dizem que é "droga", outros "solidão", tem até quem diz
que é falta de "opção... he he he... mas quem sabe faz
tum tum... ah, também dá descargas elétricas prum tal de
neuronio... sacumé??? "

hã???

é... quem sabe, não é um, mas duas coisas... ah, e dizem
também que num bate de jeito nenhum umas c'as o'tra...

sabe... ainda não to te compreendendo

êta consciencia... prest'enção: eu to aqui te falando...
você me conhece... sou o coração... pelo menos lembra
disso?

lógico né. também não precisa apelar... ou se esqueceu
que me chamam razão...

hehehe, tá bom... você é metida, cheia de jeitos... mas
vou te explicar... tem coisas, que os sábios ignoram, na
mais complexa de suas razões... uma sou eu...

tá, mas o que eu ignoro?

ai ai ai... óia aqui... o rapaz anda cabrero... por sua
conta... o coração quer, e você não deixa...

to começando a te entender...

tá vendo? dá uma chance pro menino

puxa, eu sei que é doído pra ele, coração... mas, não é
assim jogando sentimentos e vidas pro ar... entende?
mas, bem que ele merece... vou pensar... mas preciso
pensar um jeito certo e correto, com "razao" de
estabelecer as coisas...

você??? te conheço razão... poxa, tende a ser mais
compreensiva... ouça a voz que vem: (olha a falsa
modéstia) de mim, do coração...

coração, dá um tempo tá? agora tenho que ir... preciso
estudar uns linfonodos ali, senão o rapaz perde o
emprego...

é vai lá... sua cdf... vai que enquanto voce estuda
linfonodos eu vou ficar aqui pensando...

só não me atrapalhe demais... pense "de leve"

como? a loira deixa, razão?

coração.... olha os cabelos brancos do rapaz... olha que
o rapaz tá ficando lelé...

hehehe

e o pior é que se ficar doido, fica doido é da "cabeça",
nunca do coração... e na maioria das vezes, é você o
culpado...

pois é... sou assim.

ah, chega de papo... vou ir...

pensa bem, tá razão?

pó'deixá coração...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h03
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ME ENSINA

Tira minha timidez... não que eu não saiba fazer nessa ocasião; mas com vc eu perco o chão.... e aqui, talvez, menos ansioso e mais decidido, eu possa expressar realmente o que eu queria quando te pedi pra me ensinar... me ensina... me ensina a saber de teus desejos de mulher... me ensina a sentir de novo o prazer que me proporcionou aquele dia mágico, que eu vou guardar pra sempre comigo. Me ensina a ser menos travado... me ensina a entender de você... eu sei, vc mexe comigo... eu gosto demais, mas agora alojada em mim está uma vontade de te ter mais perto, cada dia mais, pertinho, sentir sua respiração, seu falar doce, seu sorriso sonoro... seu calor sensual... seu pulsar tesão... me ensina a sentir aquela coisa da respiração que eu tanto quis e senti sem fazer. Me deixa provar mais uma vez, do que eu gostei, a sensação de amar você? É pedir muito? É ser vulgar? Se não for, me ensina... mas se for, bradarei com marchas solitárias pela solidão descompassada, gritando pro meu eu entender que amar não é bom... mas, tenta, antes de dizeres o não, enxergar em mim o desejo puro e verdadeiro. Consegue ver? Olhe dentro de mim, feche os olhos, respire, consegue imaginar agora, eu, onde eu estiver, pensando em você? Como um drogado abstinente me vejo pensando em você toda hora, incontinenti... Te conheci apelido, cresci vendo o mix de mulher-loba-menina... Mas, da sua paixão de novo, provar, me ensina?

Escrito por Alexandre Andrade às 16h02
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UM PAI FAZ, PELO FILHO

... Bem antes de eu e sua mamãe lhe fazer, eu já sonhava com o dia que estaria junto com você, brincando e correndo, jogando bola, molecando e aprendendo: eu com você, você comigo. Já era um desejo, que você viesse menino, mas se viesse menina, ia ser a princesa do papai, mas melhor ainda que veio menino. Lembro-me que nem conhecia sua mãe ainda, eu já chorava e sonhava, quando via na TV a propaganda da gelol (acho que você não conhece), e eu já me imaginva com meu filho correndo, e eu lá do lado, não só sendo pai, mas participando. Talvez seja a presença tão presente do meu pai na minha infância, sempre me ensinando, paciente, e me repreendendo também, quando precisava, fez com que eu anseiasse tanto a sua vinda. Quando eu soube que você estava a caminho, me pegava no trabalho pesquisando tudo sobre bebês na internet. Chás, roupas, vacinas, brinquedos, ensino, aulinhas de futebol, e o uniforme do nosso time. Só não pesquisei sobre seu nome, porque esse eu já sabia mesmo, bem, bem antes de você aparecer. Lembro que eu cantava pra você, quando tava na barriga da sua mãe, e você chutava de alegria ao me ouvir... Noites e noites eu passei em claro, só pra sentir seus chutões nas minhas costas. E sempre o acarinhava antes de sair, quando chegava, todas as horas que estava com vocês. Aquele dia, foi tão tenso, acho que a dor foi maior em mim do que em sua mãe, que estava lá dentro da sala de cirurgia, anestesiada. Você nasceu na hora da Ave Maria, numa segunda-feira... e eu lá, com um terço na mão, ajoelhado no corredor do hospital, o pessoal que passava na certa pensava que eu tava esperando uma cirurgia pra salvar alguém com risco de saúde, mas, não, eu tava ali rezando pra que nada desse errado na sua chegada a esse mundo que lhe receberia. Quando você saiu do seu mundo perfeito, onde nada pudesse temer, você gritava, alucinado, eu afirmo que até nervoso – Acho que você puxou a mim, deve ter ficado nervoso com o tapinha no bumbum, do médico. É, foi até bom eu não presenciar essa cena – e não parava... Eu sabia que era você. Não conhecia sua voz, mas sabia que era você. O terço na minha mão escorregava, e também as lágrimas de felicidade no meu rosto, rolavam, foi uma molhança só. Quando eu vi a Anestesista sair da sala, ouvi ela dizer que você era um menino nervosinho... eu sorri, e logo veio a enfermeira me mostrar você. Sinto dizer, não tenho palavras aqui pra descrever o que senti naquela hora. Só não vou mentir, você tinha cara de joelho amassado, mas era lindo... e eu atingi o nirvana. Lembro quando você chegou em casa, a primeira noite. Sua mãe na cama de solteiro, mais confortável, no quarto de visitas, e você, dormindo e mamando, e eu sentado na beirada da cama, como um cão vigia, até as oito horas da manhã, lhe amando em silêncio... velando seu sono! Você crescia, e comigo aprendia, me esperava chegar do trabalho, comigo sorria. Eu ia me realizando e aprendendo que a vida poderia ser muito melhor, e acreditava em tudo de bom pra nós. Do jeito que eu imaginava, você me correspondia, confesso que fico com medo dessa nossa ligação. Mas o destino me fez distanciar de você. Ouço-te todo dia, e a cada dia me impressiono com sua inteligência, seu carinho para comigo. Choro a distância, e ninguém sabe o que sinto. Acredite, alguns até me perguntam como tenho coragem... simples, isso tudo é por você. Não fiz ainda a pipa que sonhava, nem construímos nosso carrinho de rolemã... não chorei e corri pra você, vendo cair num jogo de futebol e se machucar (como aquela propaganda que me fazia chorar e lhe anseiar), nem também vibrei com o seu primeiro gol no campeonato dente de leite... Sou um homem a que o destino tirou um pedaço de mim. Somente por ficar longe de você. Mas ao mesmo tempo não posso ser egoísta, porque tem tantos pais com tantos problemas com os filhos não é, e você é um anjo abençoado, saudável, e sapeca! Mas esse sofrimento que digo é o que os outros não conseguem perceber: o sofrimento de não poder estar de forma efetiva participando de tudo que eu sonhei pra nós dois. Mas calarei a boca de muitos e você um dia saberá que o que eu faço é pra lhe proporcionar um futuro melhor. É o sacrifício que pago, pra te dar tudo que sonho, e o meu país e sua realidade não deixa. Quando você nasceu você me ensinou a ser homem, e mesmo longe de você, prometo lhe fazer ser outro. Corri, andei, esperei, vacilei... agora fico louco de saudade de você, em silêncio, mas sabendo que um dia encontrarei de novo o meu caminho, e seguirei reto, ao seu encontro, como um trem segue reto no trilho... E feliz novamente, ao seu lado, estarei, meu filho...

Escrito por Alexandre Andrade às 16h01
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Soluções Práticas para Mudar Políticos (sonho, desilusão, desespero)

De todas as correntes temáticas sobre o fator principal para o desenvolvimento social de um país, a que toma maior amplitude lógica sem dúvida é a educação. Mas não adianta os eloquentes de palanque encenar o teatro habitual, fazendo alianças e lançando engodos sobre a população, se eles não resolverem o fator, ao meu ver, o principal de todos pra que essa mudança seja atingida: A Educação - DELES.
Esse ano o Brasil está passando por momentos críticos em todas as áreas imagináveis, mas de todas elas, a que precisa ser mudada o mais rápido possível, é lógico, sem discussão, a política e toda sua forma de se fazer. Bom, a educação leva um país ao progresso e a uma igualdade substancial, mas, sem a educação dos seus dirigentes, não adianta querer educar seus cidadãos. E o que vimos esse ano foi mais uma vez o despreparo e a emoção da população em achar bonitinho eleger um presidente irresponsável, mentiroso, aliancista, corporativista, e que não tem ética nem moral pra falar o que fala nas seus desastrados e iletrados discursos. Era pra ser irônico, se não fosse tão triste, ver o presidente da estrela popular falar sobre qualquer assunto, pois ao passo de acontecer sua primeira empolgação, começa a mostrar o seu despreparo. Mas, até aí tudo bem, dá pra entender até quando os seus defensores falam que não adianta, ter educação se não tiver boa vontade, que não adianta só ter diplomas e também não fazer a coisa certa. Concordo plenamente, sem demagogia partidária, não defendo o oponente vencido nas últimas eleições, pois também sei que ele, de certa forma, iria por o poder estatal do País em risco, nem também, defender os estilos dos outros, pq de radicais, e socialistas, basta, pois todo sabemos: é um regime que não dá certo. Mas o que fazer. Primeiro passo: punir. Punir bem punido todo e qualquer ato de corrupção. Acabar com essa legitimidade do roubo, e por fim na banalização do colarinho branco. Pra isso, necessário seria alguns parlamentares corajosos em mudar certas leis que os beneficiam (sim, tem sim parlamentares honestos). Segundo passo: Banir, uma vez comprovada a participação inescrupulosa, como a que assistimos durante todo esse ano - o que fica então redundante citar aqui de novo - a todos os condenados de tais práticas, da vida política (banir mesmo). Terceiro: Acabar de vez, com essa tal reeleição, de todos as esferas políticas. Quando os políticos se conscientizarem que a câmara, o senado, as prefeituras, a presidência, etc, não são galinhas de ovos de ouro pra sua eterna linhagem existir, começarão a enxergar (pois estão sendo educados a trabalhar) os problemas do povo que deposita o voto, colocando eles como seus representantes. Dessa forma, lenta e gradativamente, muito a longo prazo, começaremos e sentir as mudanças, e começaremos a ver o país caminhar pra ser realmente um país de Ordem e Progresso.
A coragem eu sei que falta, nesses sugadores de benesses perenes pra viver bem, mas se algum grupo honesto se unir, e começar a fazer isso, quem sabe teremos um dia, ou nossos filhos, ou nossos netos, a felicidade de ver o Brasil livres de tais notícias, quem sabe veremos uma justiça social, pois, se os nossos representantes souberem que terão de trabalhar pra viver após cumprirem seu mandato, logicamente, no seu - repito - "ÚNICO" mandato, trabalharão em prol de realmente beneficiar o povo, pois saberão que daqui alguns anos se tornarão povo também, pois não voltarão mais ali, a não ser como cidadão pra cobrar resultados. Se educando assim, teremos então, pra daqui uns 100 anos, o começo de uma nova era na nossa tão rota política, e enfim, teremos justiça e equilíbrio social. Mas... se realmente não funcionar, sinto muito... acho que teremos de ser recolonizados por um povo mais educado. Sem jeitinhos.

Escrito por Alexandre Andrade às 16h00
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PENSAMENTO ESPARSO - DAS BRUXAS

Eu sou uma alma perdida pelos jardins imaginários, onde as bruxas e o mistério das almas pairam sobre o ar do mesmo... já sem ilusão de reencontrar a saída daquele mundo insano e obscuro, encontrei uma bruxinha com alma e rosto de fada... que me mostrou novamente o caminho do amor... não, eu não sei se é feitiço, talvez um feitiço de amor, mas sei que o bem que ela me faz não me envergonha de dizer que me fez apaixonar, e a ter uma outra visão desse mundo sobrenatural. Oh bruxinha morena com sotaque tão gostoso, e risada tão sonora... Não me leve daqui, me deixe nesse jardim hoje tão lindo, junto de vc... se não com vc, apenas a lhe admirar e a sonhar com dias em que eu beijarei sua boca e direi: te amo!

Escrito por Alexandre Andrade às 15h59
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Tratado Simples da AutoConsciência - Estados Alterados da Mente e do Coração - Luta, Embate, Bom Combate... Conflito de Eus

Estados Unidos - Bom Viver - Dólares - Poder de Compra - Facilidades
Pressão - Falta de Recursos do Estado - Raivas - Saudades
Solidão - Festas - Paixões Efêmeras - Sexo - Abstinência - Porres
Tristeza - Rompantes - Euforia - Castigo - Paranóia

SERÁ QUE É DISSO QUE EU NECESSITO?


Escrito por Alexandre Andrade às 15h56
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CADERNO DE VIAGENS - CAPÍTULO 1

Amanhã sairás por estradas sinuosas, cheias de curvas acentuadas, mal sinalizadas, e um trânsito caótico é até capaz de encontrar. Mas sei que além desses pormenores negativos, belas paisagens, à frente, no seu pára-brisas também há de enxergar.
Amanhã nesse horário, a solidão me pegará de surpresa. Normal, pois a gente se acostuma tanto com as maravilhas que sua presença nos dá, que já é esperado que esse sentimento venha, a incomodar.
Mas também é claro de se deixar que amanhã, nesse mesmo horário que a solidão apertará, aqui meu coração, alegre estarás, se refestelando junto aos seus, com comidas, sucos, bolos, e as mais variadas guloseimas que nossa infância sempre recorda, ah, com certeza estará. Cheiros deliciosos no ar, aquele velho fogão, aquela tia quitandeira que faz as mais diversas delícias... e isso com certeza a alegrará.
Amanhã é o primeiro dia, dia de agonia... pra quem te quer bem, que aqui ficará. Mas também é o dia em que você deixa pra trás toda pressão do dia a dia de trabalho, cobranças e obrigatoriedades, onde nada disso a importar-se terá.
Amanhã... com certeza a estrada estará alegre, pois dentro do carro a mais bela das criaturas estará, não de partida, mas já rodando rumo à pequena pausa merecida...
Boa viagem...

Escrito por Alexandre Andrade às 15h55
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CADERNO DE VIAGENS - CAPÍTULO 2

Segunda-Feira é talvez o melhor dia pra se voltar de viagens. Tudo bem, os caminhões no trecho, o vai-e-vem dos viajantes que tem em viagens seu ganha pão, certamente é um perigoso companheiro de viagem. Mas pelo menos aquele fluxo insuportável de veículos de passeio, que tem de nos fazer quadruplicar a atenção, não estará tão forte, tanto como num domingo à tarde. Por esse motivo fico mais aliviado em pensar que vc está vindo numa estrada mais tranquila.

Cinco dias... cinco dias sem te ver, sem falar. Imagino como foram seus dias no interior. Com certeza revigorantes. Tá bom, lhe conheço bem, vai falar que está cansada né? Ora, mas é um cansaço de bem estar, que se desfaz com um bom banho, ao chegar. Hoje você está vindo, dirigindo, ouvindo quiçá aquela nossa música. Ou aquela que eu penso que seja nossa. Pra trás deixou com certeza familiares saudosos, mas alegres, pelos dias em sua doce compania. E sem querer exagerar, acho que esse ponto de adoçar vidas, só você tem.

O caminho de volta não é tão belo quanto o da ida, porque infelizmente, mesmo tentando não pensar, nossa mente insiste em lembrar, em pensar no trabalho de amanhã... Mas eu sei que vc gostou, está no teu sorriso, no teu olhar, no teu assobio despreocupado escutando a canção do cd que toca... E a alegria daqueles que ficaram a te esperar heim... Essa é incomensurável. Não posso descrevê-la em palavras... Mas sei que vc pode senti-la. Um pequeno trânsito ao entrar na capital. Ruas, buzinas, gritaria, sinais, lhe tiram por instantes a paz angelical, e fazem até lhe arrancar um murmúrio não habitual. É a cidade grande, lhe engolindo, com as responsabilidades de volta... algumas esquinas, está perto de casa...
O feriado acabou! A viagem correu tudo bem! você descansou! E meu coração, ao te ver, apaixonado suspirou: Que bom, você voltou!!!

Escrito por Alexandre Andrade às 15h54
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VIDAS E LAÇOS

Ele tinha dito a ela, no seu último encontro, o qual lhes tiraram um do outro, que ainda, longe daqueles olhos cheios de maldade que os separavam, que ainda iam se encontrar novamente e poder viver seu lindo amor, tão sonhado e tão maravilhoso. Ela se foi, e ele ficou sozinho, a esperar...
Passara-se muito tempo, e hoje ela se lembrou com tristeza de quando foi abandonada pela primeira vez, aos três anos de idade. Seu pai, figura distante, que pouco se lembrava, mas muito sonhava, a tinha deixado e foi viver muito longe. A tristeza e ausência de sua referência paterna talvez lhe dava aquele sentimento de carência, tão acentuado hoje, quando já mulher, independente, feita, e realizada profissionalmente, sentia. Sua vida não lhe fora nada agradável por isso, e ainda, sentia um desapego e quiçá uma rejeição da mãe, que lhe evitava, as vezes com ofensas, com ressentimento, lhe culpando pela separação do seu novo amor. Não, realmente ela não dava sorte com a figura paterna, e o padrasto os deixou também, mas ela não era culpada, e sua mãe a injustiçava por isso.
Os irmãos, tão amados, viviam distantes, por esses caminhos que a vida trilha pra nós, sem a devida permissão. Ora, lógico, que é a vida que nos dá, ou não, permissão pra alguma coisa... Ela se sentia tão só. E aliado ao sentimento dessas duas figuras paternais, parece que algo dentro de si lhe corroía, pela ausência de um grande e verdadeiro amor, que ela imaginava, nunca ainda tido. Seus aniversários e natais, diferentemente da grande maioria das pessoas, eram, dias tristes e desejados de passar rápido, ou talvez passar e nem os ver, dormindo quem sabe... talvez apagada numa embriaguez que a fizesse esquecer. Mas nem isso era possível, ela detestava álcool.
As vezes uma alegria efêmera tomava conta de sua solidão diária, quando em férias, ficava uns tempos com o pai que se fora pra longe há tanto tempo. E mais uma vez, o destino, a desgostou e lhe tirou tambem essas raras alegrias, tendo assim, o levado do seio da vida, fatalmente vitimado por um câncer mortal. Não aguentava essa tristeza. E no vai e vem dos encontros e namorados, sempre era, por ironia do destino, “presenteada” com caras totalmente diferentes do que ela imaginava pra suprir seus sonhos e desejos, e então, vivia ali, a espera. Parece que alguma coisa, mas muito distante, que ela não sabia explicar, lhe dizia, ou melhor, lhe fazia sentir, e lembrar, que estava prestes a ser encontrada, e encontrar, alguém que já a conhecia, e não se sabia porque, não lhe estava perto, mas também nem se importava, tamanho já era o sentimento de perda que a assombrava por dentro.
Ela, espiritualmente discernida, sabia que essa vida, não se resumia aqui, e sabia que um dia, no passado teve, ou no futuro teria, um amor pra felicidade. Mas não imaginava que o ia encontrar aqui, ainda... e foi que o destino os uniu... Ela sorriu, e mesmo a razão lhe dizendo que não,sua alma e coração, lhe diziam que era ele. Se deixou, mesmo a contra gosto da prudência, levar por tamanha surpresa agradável, que lhe enchia os olhos de alegria, lhe fazia sorrir, brincar, anseiar por tudo aquilo que sonhara ter e encontrar, nos seus devaneios de solidão.
Ele sabia que era... ele a tinha perdido, por mãos maldosas, naquela oportunidade. Tiraram-na dele, sem piedade, por diferenças materiais, costumeiras... e ele sabia, que há tanto tempo, era ela, só de vê-la pela primeira vez. Se aproximaram, criaram expectativas, e se apaixonaram... Mas um medo, dela, grande e compreensível, por parte dele, a afastava, lhe dizia pra manter distância. Não que se sentisse insegura, incerta, mas sim, por mundanilidade de sua alma, acostumada a tão somente sofrer por perdas e desencontros. E pensava que ia sofrer de novo, que ele não era pra ela, e ela sumiu, preferiu ficar sozinha, de novo... sonhando. E ele, porém, antes, da sua partida, olhou em seus olhos e disse com o amor e certeza que resistira há 450 anos que já a maldade que os separaram, não persistia mais, e finalmente se encontraram, e que, pra que aquele amor tivesse continuidade, bastaria que agora eles deixassem seu livre arbítrio funcionar, e ela saiu, escutando ainda suas últimas três palavras: vou te esperar!!!

Escrito por Alexandre Andrade às 15h53
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CARTA PRA MIM MESMO

E ai cara? como vao as coisas? Puxa vida heim, quanto tempo!!! Pois e meu velho, o tempo passou rapido mesmo, cada um tomou um rumo diferente, e logico, envelheceu um pouco ne? Bom, gostaria de saber de suas novidades, afinal, nos conhecemos ha tanto tempo e voce sumiu cara. Amigo, tanta coisa aconteceu nesse tempo que se passou, que hoje olho pra tras e fico me recordando daqueles bons tempos de outrora... Pois e, daqueles tempos de farras nas republicas nao sobrou quase nada... nossa, como mudei. Lembra das festas nas republicas? As meninas "serias" do curso de direito? As gatas da Odontologia? Caramba, se lembra quando voce bancou o mestre sala praquelas coroas da Pedagogia? hahaha, voce lembra daquilo? Voce era um "porra-loka" cara; nao somava muito nao. Dom Juan da pedagogia... Aqueles "sex and drug's com muito Rock'n'Roll" era o que havia de bom mesmo. E os Luais? Lembrei dos tempos do colegio agricola onde o que contava mesmo era a quantidade - tanto de pingas como de mulheres - e com voce nao tinha cerimonia mesmo, amigo, que buscava sempro o topo da cadeia alimentar no inicio da noite, e ia descendo a piramide. E me lembro de algumas vezes ver voce voltando das UTI's (Ultima Tentativa do Individuo - aquelas boatezinhas chinfrins de fim de noite) revoltado porque nao tinha conseguido fisgar nem uma banguelinha ao menos... pois e cara... as dancas e as cervejas continuaram rolando por muito tempo ainda... e hoje, me lembrei de voce, dos seus pileques e causos. Dos torpedos pelos bares das cidades, e das festas de peao. Lembra das festas de peao? As menininhas caipiras timidas? Timidas ate a quinta ou sexta "baruiada" ne? As brigas na Fenamilho... paiolao tem saudade de nos... a Expozebu em lembro bem, perdido, tonto e fudido, sem carro e sem dinheiro, nas pensoes de quinta categoria. Depois que voce se formou,lembro que comprou aquele chevetinho (o nosso cheVECTRA)... tanta fumaca fazia aquilo!!! Litros e litros de vodka barata abasteceram aquele carrinho nas estradas da vida, nas festas da espuma... e quando voce dava birra pra nao ir assistir ao rodeio? Me lembro que nem a "top" das "tops" da noite fazia voce se assentar numa arquibancada de arena de rodeio. Preferia ficar ali, paquerando garconetes atarefadas nas barracas variadas. E as pescarias onde so pegavamos "grau"? (porque peixe mesmo so na sexta-feira da paixao comprados nos pegpag's da vida)... No Onhas do Jequi a filosofia rolava ate altas horas. E as gatas intelectuais que lhe deixavam em parafuso? Apesar de voce nao fazer cerimonia com tanta coisa naquela epoca, bem que ficava caidinho por uma intelectual ne? E se a gata tivesse beleza e conteudo, ai sim voce "voava" longe... a Tres Lobos e o rio Arruda, se falassem teriam historias pra contar...
Pois e... o tempo passou, e os carnavais ja nao tem mais a alegria daqueles tempos, amigo... hoje eu tenho um filho, cara, ja ta com quatro aninhos o "mutreko", coisa mais linda, precisa ver. E eu? Senhor responsavel, ate comecei a constituir familia, mas nao deu certo, mas a responsabilidade e o amor zeloso de pai permaneceram. Arranjei empregos serios, ate passei em concursos publicos... Uberlandia perdeu um boemio de mao cheia nesse ultimos tempos... mas o pior nem te conto: viajei pro exterior, sabe como e, juntar uma grana pra uns projetos aqui e outros ali. Fui na romantica - e escrevi - Londres, hoje to no USA, sim, os USA do Bush... Muita agua rolou por debaixo da ponte velho. Hoje ja nao sinto tanta falta daquelas farras exageradas nao, mas com sinceridade, uma saudade aparece vez ou outra, como hoje, que me lembrei de voce, jovenzinho maluco que tocava o terror sem medo... muleke doido que nunca deu problemas pra ninguem, mas que tambem nao dava o braco a torcer nao. Hoje bateu uma ponta de tristeza, uma ponta de saudade... amigo, talvez sejam os cabelos brancos que insistem em cobrir os pretos na cabeca, ou os trinta que chegam em julho... quem sabe ate mesmo a falta real de uma rodada de cerveja com amigos na mesa de um bar, numa sinuca... tanta coisa mudou caro amigo... namoradas, amigos, colegas, pessoas, garcons, garrafas, estradas, afagos, afetos, sabores e risos passaram aos montes em minhas maos, mas hoje, me vejo sozinho aqui, com saudade de voce, velho amigo, das coisas que se passaram... Mas, e a vida, o bonde que passa, o tempo que nao para, o relogio que corre, e ela nao anda pra tras... vida... senao apenas em pensamentos saudosos. Mas lhe garanto amigo, velho companheiro, uma coisa ainda nao mudou dentro de mim: Esse amor pelas coisas simples e boas da vida, que estao acabando a cada dia, que me entristece - Um beijo apaixonado e silencioso no portao, um olhar pro horizonte no banco da estacao, um suspiro, uma risada gostosa sem preocupacao, uma amizade sincera e um amor pra recomecar... e sei, que em algum canto, em algum lugar, ainda hei de encontrar isso de novo, amigo. Um dia...

Escrito por Alexandre Andrade às 15h53
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ROSA MANCHADA

O apito da obra zuniu pelos quarteirões cheios de máquinas e operários, avisando aos operários que era hora do almoço. Nesse instante um pelotão de roupas amarelas e capacetes brancos segurando suas marmitas amarradas em panos e sacolas, marchou rumo ao pátio da construção. Claudemilson estava cabisbaixo, sentindo uma dor de cabeça terrível, e mesmo sendo um funcionário que até então nunca tinha faltado a um dia de trabalho e mesmo as vezes doente, não resistiu e pediu ao seu chefe pra liberá-lo pois estava se sentindo mal. Pegou sua Monark azul 78 e partiu pra casa, triste por não terminar o expediente, pois era um funcionário aplicado, mas alegre por que ia ter Tereza mais cedo. E mesmo com a cabeça doendo estranhamente, não disfarçou um sorriso ao pensar que ia passar a tarde toda ao lado dela, e ato contínuo, apanhou uma rosa vermelha no jardim do escritório da construtora, e seguiu seu caminho.
Ele era um homem de fibra, trabalhador, honesto e humilde, bem como sonhador. Casara-se com Tereza há apenas dois anos e meio, e em meio a dificuldades, lutava pra dar ao seu amor uma vida de rainha, no que cabia as suas possibilidades. Mesmo com a casinha pequenina récem-construída no lote doado pela prefeitura, ainda no reboco, e com o baixo salário que ganhava, não abria mão de deixar sua Tereza em casa, cuidando de si mesma, pois, se dependesse dele, não precisava dela trabalhar. Saía cedo para a obra, e depois de chegar em casa, ainda fazia um biscate arrumando eletrodomésticos dos vizinhos, e as sextas, sabados e domingos trabalhava tambem a noite como garçom na churrascaria tropeiro. Tudo isso pra construir seu castelo da melhor forma possível pra sua rainha Tereza. Sua casa ainda sem móveis, apenas com uma mesa na cozinha ao lado de um fogão velho doado pelo seu tio, e um colchão de casal no quarto junto a um varal onde penduravam as roupas, era o seu castelo. Ele se sentia triste ainda, mas tava trabalhando duro pra comprar aquela televisão 14 polegadas colorida, o tanquinho e o sofá, sua cama e o guarda roupa... sim, até o fim do ano ele estaria providenciando tudo com seu décimo terceiro salário. E chegando em casa, suspirou ao ver de longe o muro de arame simples, imaginando sua Tereza lá fora, sentada ou costurando alguma roupa sua mais precisada.
Desceu da bicicleta. E entrou pela porta da cozinha, que estava fechada, mas não travada, estranhou pois tereza nao se encontrava ali. Onde ela estaria? Foi que escutou um barulho vindo do quarto, e sorrindo, pegou um copo na pia ainda não acabada ao lado do fogão, encheu com água e colocou carinhosamente a rosa de sua rainha ali, e foi ao seu encontro. Ela nem imaginava que ele chegaria mais cedo hoje, pois sabia que o marido nunca, desde que o conheceu, nunca faltou nem se atrasou as responsabilidades do trabalho. E foi assim, pensando em fazer uma surpresa a sua Tereza, que foi devagar pro quarto onde os dois passavam suas noites de amor. Puxando a cortina azul que separava a porta do quarto para a cozinha, ficou pálido... suas pernas tremeram e numa volta, tremendo, voltou a mesa da cozinha, arrancou a rosa do copo e jogou-a ao chão, apertou o copo com força até quebrá-lo em sua mão, e com um caco afiado se dirigiu ao quarto, e, cego pela dor, avançou por sobre Tereza, ali, deitada sobre o seu vizinho Rosival, cavalgava alucinada, numa sensualidade e desejos até então nunca vistos por ele... e sem chance de defesa, vazou as costas de Tereza com duas estocadas fortes, e sobre Rosival, transpassou a jugular do pescoço com sua faca improvisada. Mortos, ficaram, empapados de sangue, um sobre o outro, e ele, mudo e transtornado, fitava a mao ensanguentada, com o sangue daquela a que ele prezava tanto... e devagar, foi a cozinha, agachando-se e pegando a rosa no chão, e a segurando com a mão suja de sangue, sentou no banco improvisado de lata a beira da mesa, e olhava atentamente aquela rosa manchada, tentando entender o que aconteceu.

Escrito por Alexandre Andrade às 15h52
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SURFISTINHAS E MARISES

Há um tempo que venho escrevendo e tentando concatenar opiniões, sentimentos e cotidiano, tentando em cronogramas nem sempre cumpridos (ou quase sempre), mostrá-los às pessoas que porventura se interessem pela leitura. Vários arquivos criados, blogs, rascunhos, folhas soltas pelo quarto, guardam minhas idéias e devaneios, que, devido às dificuldades sempre ficam por ali, encalhados, lidos vez por outra por algum amigo, colega, e outros visitantes. Interessante também é dizer que não só a escrita, fonte de imenso prazer, também procuro ler fontes sobre diversos assuntos, que passam desde história da humanidade, poesias, passando por textos informativos e técnicos e por que não dizer folhetins (que televisivos, pelo vício, os transformo em texto – na minha cabeça)... Dado a esse gosto, e porque não dizer “dom”, me prendo cada dia mais, com a vontade e idéia fixa de publicar um livro, ou vários, mas primando, lógico, com uma linha de estilo e de qualidade que ao menos interesse o público. Mas o bloqueio me bate à porta, agora com mais constância, sempre quando me sento em frente ao computador... Por que? Ora, lendo sempre meus livros didáticos de literatura e alguns romances de conceituados escritores – Joaquim Manoel de Macedo, Álvares de Azevedo, Drumond, Graciliano Ramos e outros mais – me pego sempre imaginando naquelas épocas em que eles retratam em seus escritos, e com alegria quereria viver àquela época, pois nota-se que realmente, o povo dava o devido valor ao bom texto, ao refinado do escrever. E hoje, o que vejo? Pilhas e pilhas de livros amofinados em bibliotecas escolares, dos mesmos autores acima citados, vários compêndios que são verdadeiros “cruzeiros” pela imaginação, estagnados, mofando, e se perdendo sem os cuidados necessários. Fico triste, mesmo, ao ver que em livrarias e bancas de jornais hoje, os campeões de venda são revistas com foto-fofocas e cultura do lixo... O bloqueio persiste... não há mais espaço pra alguém querer fazer literatura de bom gosto e viável hoje em dia, ainda mais se o assunto tratado for poemas e versos. Desisto de escrever... ligo a televisão.
A tristeza se completa ao ver num talk-show da TV brasileira, uma ex-garota de programa “jabazando” seu livro, onde conta suas aventuras e imoralidades, e ainda tendo em seguida, com certeza, um sucesso de acessos em seu site (onde resuma o livro talvez). Tudo bem que a licença poética nos permite escrever sobre coisas dos mais variados temas, sem precisar ter lógica ou outra coisa do gênero, mas o que a entrevista deu a entender, é que o livro, tirando apenas o deleite da curiosidade mórbida da sociedade atual em saber o proibido dos outros, refletindo em sim mesmo seus desejos, não há, digo, com certeza, mais nada que se aproveite dali daquele conteúdo.
Talvez eu esteja parado no tempo... É isso: de acordo com a didática, as épocas literárias mudam, e hoje eu vivo em outro mundo. Ah, com essa vontade que tenho de escrever... quem sabe faço um regime, pego uma academia, faço alguns programinhas por aqui (que além de me dar dinheiro) poderá me render algumas historinhas pra eu poder escrever um “besta”-seller e ainda aparecer na TV pra “jabazar” meu projeto. Vou lá...

Escrito por Alexandre Andrade às 15h52
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A CURA

"Hoje acordei com os pardais". Thamine acordou e este foi o seu primeiro pensamento que lhe ocorreu, antes mesmo de fazer sua oração matinal, bem como acender UM cigarro, como era de seu costume. Antes diria que ela não acordou com os pardais, mas sim que "acordou os pardais". Coitados... nem sequer foram testemunhas de sua eterna noite insone; melhor dizer que foram os morcegos e as estrelas as testemunhas daquela noite mal dormida. Se bem que eu poderia dizer que estrelas ela viu, muitas estrelas (mas não as do céu que brilham lá em cima) mas sim estrelinhas de uma dor de cabeça insuportável que lhe roubara a noite de sono... e de sonhos.
Levantou-se lastimavelmente devagar, olhos queimando e mãos frias... ainda teve tempo de tirar sua temperatura - nossa, 39,5° C - É, estava mal - precisava ir ao médico - pensou e tremeu de um súbito calafrio, e se dirigiu ao banheiro, desanimada, se arrastando.
Abriu o chuveiro, e o som da água caindo lhe parecia dizer que a consequência dessa febre talvez seria aquela tosse que a acometera há uns cinco dias. Realmente ficou preocupada, pois de ontem pra hoje a tosse ficou mais carregada, pigarreante e dolorida.
Já nem conseguia precisar há quanto tempo não ia ao médico, começou a se irritar, pensou em acender UM cigarro - Riu de si mesma: Que besteira, estou no banho - ao mesmo tempo lhe ocorreu uma vaga lembrança da última vez que esteve ali acompanhada, e sozinha agora, tentava relembrar dos bons momentos em que ela e seu amor se banhavam juntos, os dois naquele pequeno espaço. Uma ponta de excitação teimava em querer aparecer, ao mesmo tempo que a febre lhe tirava o ânimo de querer continuar naqueles pensamentos... -- Que solidão meu deus. Um grito de contrariedade ecoou no banheiro -- fechou a torneira e se enrolou na toalha e novamente seus pensamentos se perderam, enquanto fitava o espelho embaçado, ia riscando qualquer coisa, e disse pra si mesma: -- O reflexo da nebulosidade --
Se arrumou com muita indisposição, e impelida pela própria indisposição se encaminhou para o hospital, a fim de se consultar.
Sua fobia de agulhas e aquele cheiro característico lhe fizeram correr um frio pela espinha, mas fortemente deixou-se picar, para ser coletado o sangue para os exames.
No exame clínico o médico não coseguiu constatar qualquer indício de enfermidades -- Acalme-se, talvez seja uma virose, essa época do ano é comum. Em todo caso, aguardemos os resultados dos exames --
Passou na farmácia, comprou antitérmicos e analgésicos, sombria, se dirigiu ao trabalho, ligou o som do carro, olhou o cigarro, pensou e acender UM -- não, melhor não -- o medo de ser algo relacionado a isso a impedia de fumar naquele dia. Queria voltar pra casa, se jogar na cama e passar o dia inteiro trancada no quarto... Mas o profissionalismo a fez desistir da idéia; e foi trabalhar. Antes de subir pra sua sala, comprou um sanduíche, mas sem fome, jogou ao lado do computador.
Via seu reflexo na tela do computador, e não conseguia concatenar as idéias... estava preocupada com a tosse... e o peito doia.
Cumpria a risca suas obrigações no trabalho, apesar de não ter o mesmo entusiasmo dos dias normais, e olhava o relógio e os segundos se arrastavam.
Fim de expediente, sentiu uma melhora em relação a parte da manha, até pensou em acender UM cigarro, olhou para o sanduíche ao lado do computador, teve fome, mas não teve vontade de comer. Jogou o lanche no lixo e saiu... tinha de passar no hospital para pegar os resultados dos exames.
Esperou meia hora (que lhe pareceu uma eternidade) e o médico a chamou. Estava ansiosa, tensa, preocupada e esperando pelo pior quando ouviu do médico -- Nao se preocupe, nada há de errado com os exames, pelo contrário, tudo anda bem... Mas pelos sintomas, tome apenas os remédios recomendados, evitará assim a indisposição e não se esqueça de retornar caso se sinta mal. No mais, cuide-se, evite o cigarro (o que conseguiu fazer fielmente durante todo aquele dia), não tome friagem, nem gelado, repouse, tome bastante líquidos, e em dois dias estará melhor -- então saiu do consultório e foi pra casa.
Entrou em casa, não entendia aquela dor, aquela indisposição, febre e tudo mais, já que clinicamente não havia nada consigo. Suspirou, deitou-se no sofá... chorou... irritada, olhou o telefone ao seu lado... se sentiu sozinha e triste, mas o que a inquietava nem tanto era a saudade ou a indisposição, mas sim o fato de não ter medido suas palavras naquela última vez em que esteve ali acompanhada, se sentia culpada por ele ter ido embora...
Tossiu e sentiu novamente o pigarro e a dor no peito, mais fortes agora.
Olhou o telefone novamente -- Alô??? Por favor, me desculpe... foi ciúmes... entenda... eu te amo! (continou falando um tempo, se controlou... -- desligou o telefone. olhou o relógio, correu pro banheiro, seu coracão apertava. Tomou um banho, se arrumou, voltou e sentou-se no sofá, seus olhos olhavam pra porta da sala como se ela fosse apenas um vidro transparente. Nao, ela não via a porta, via suas culpas, seus lamentos, ao longe... Suava frio e tentava não chorar. Quase caiu de susto ao ouvir a campainha, e viu a maçaneta da porta girando devagar.
Lá estava ele... se sentiu bem, se amparou nos seus braços e um beijo acompanhado de um giro nos calcanhares nao lhes deixaram dizer palavra.
Se amaram... Se perdoaram...
Acendeu DOIS cigarros. Estava curada!

Escrito por Alexandre Andrade às 15h51
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INCOMPLETA

Seus olhos castanhos fitavam além da cerca de alambrado que corria a lateral do trailer, e seu namorado ao lado, nem se dava conta de sua tristeza. Antes preferia se embebedar de álcool e besteiras junto com a turma de amigos. Todos sorriam, falavam e tentavam chamar mais a atenção querendo ser mais engraçado em seus discursos. E no vai e vem de casos e exageros, risadas e egos, mais cervejas iam caindo na mesa amarela enferrujada pelo tempo. Lá fora chovia fino, sem vento, e Daiana absorta em pensamentos, não entendia bem porque – o que vivia se perguntando – não estava completamente feliz. Tinha amigos e amigas engraçados, seu namorado, alto, moreno e bonito, não era aquele tipo que podia-se falar que “era de se jogar fora”, e muitas outras meninas o queriam. Em seus pensamentos que fluiam com a serenidade do chovisco lá fora, tentava entender o por quê não se sentia bem, então. Ao fitar os pingos amarelados pelo neon da placa da lanchonete lá fora, um vulto cortou seus pensamentos, e olhando pra cima, recebeu um cumprimento da pessoa que acabava de entrar. Rapidamente ele se reuniu com os amigos, e também, por consequência, ao seu namorado – Mais um boêmio inútil, pensou – e por altas horas ainda, madrugada a dentro, beberam e sorriram, falaram, e Daiane, sempre caindo junto a chuva, longe de si mesma. O que não supunha ela, que sequer mais uma vez olhara para aquele que a tinha cumprimentado há pouco, era que, observada estava sendo, e entendida também. O Rapaz via e não admitia de bom grado tal forma de pares. Queria aproximar, conversar, e mostrar que podia a entender. Mas recuava ao notar um beijo despreocupado vez o outro de seu namorado, que o mínimo fazia. Ah como era bela, e ah, como era merecida, e quem a tinha não o fazia, esperou até tarde, contemplando tamanha beleza, tão pouco aproveitada.
Nesses bares, nessas mesas, nessas festas, a vida corria e o tempo não perdoava, amigos se foram, outros vieram. De maneiras comuns, e alguns insusitados, uns palpáveis, outros nem tanto. Tanto tempo de espera, olhos tristes, do escanteio do amor ficou pra ser cobrada e não foi. Seus olhos ainda são castanhos, a beleza igual, mas o motivo do olhar, parece não ter sido nunca mudado, e a mesma chuva de outrora, hoje ela vê ao seu lado, caindo mais forte, com vento pesado... Não tem neons pra por dourada as gotas que a faziam viajar, não tem sorrisos dos amigos em volta, e sozinha, do mesmo jeito que estava com seu namorado, ainda está. E seus olhos procuram, ao longe... mas não vê a chuva lá fora. Janela trancada, só ouve o barulho, o que vê é a chuva de mensagens na tela, pisca-piscas alucinantes que apesar de parecer, não desconcentram seus pensamentos... Fotos e sorrisos, são paradas até, mas não representam demais. Olhos que buscam, quando estava tão perto... quando está tão perto... quando está tão longe.
E absorta olhando novas luzes, dessa vez azuis, na chuva que não molha, viu de novo, o mesmo vulto passar por ela, e um cumprimento a tirar por momento de sua viagem. Olhou, e falou, dessa vez participou e observou... não foi apenas observada, e aquele mesmo rapaz, que a notara tanto tempo acompanhada no bar, hoje podia falar, e se aproximar... Se sentiu afagada, se sentiu bem tratada... até sorriu que tirou a procura infinita em seus olhos... mas infelizmente, não pôde ser tocada... e de uma mescla de curiosidade e tristeza, comparou de novo as duas emoções constatadas, uma que de perto não se fazia de nada, e a outra que de boa, tão longe que não lhe adiantava... e concluiu que a busca de seus olhos castanhos, por fim, ainda não estava terminada...

Escrito por Alexandre Andrade às 15h50
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VELA DO TEMPO

As vezes meu olhar vagueia
Procurando estrelas no céu
Procurando pegadas na areia
E ele sente que a vida é teia
Que emaranha vidas sem jeito
Ou as separa, ou faz um concerto
Tudo vira deserto, vida ao léu
Esperança no corpo incendeia
E queima o óleo, como candeia
Candeia que acaba, se apagando
Que torna escuro, o que era claro
E a saudade vai aumentando
Dor de amor, do que é raro
É o tempo a luz da vela
Que aquiesce-me então
E assim vou curando a dor
A dor do meu coração.

Escrito por Alexandre Andrade às 15h50
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ESPELHO QUEBRADO

O Valor de um olhar, existe,
O espelho não o reflete, que triste
Mas busco no fundo do espelho
palpite...
Quebrá-lo-ei, acredite
Talvez esteja entre os cacos
Valor imaginário, mas que existe
Sei que não vês, meu valor
Sei que não sentes, meu amor
Mas tal qual o valor do olhar
ele existe
Lembra-se das palavras? Bocas e jeitos?
Lembra-se da cara?
Traços perfeitos...
O que é uma cara diante um espelho quebrado?
Várias caras?
Cara, coração. Forma um cado
Um cado de cada, uma cara pra cara
Um dedo em riste
Um valor, existe.
Junte-se os cacos então.
Deixe a cara, olhe o coração
Cole com amor, trabalho artesão
Entre os ranhos verás
uma única intenção
Mesmo sem jeito, e sem voltas intactas
e se não vir, de novo ponha o dedo em riste
e grite pra ele
existe.

Escrito por Alexandre Andrade às 15h49
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OS MUROS DO CASTELO

Os olhos do camponês olhavam todos os dias, ao longe, de manhã bem cedo, as torres altas do castelo... em sua lida diária na lavoura ou na caça, aproximava-se sempre que podia, o mais próximo, pra olhar aquelas torres. E todo dia ele a via, olhando pra longe, como alguém que se prepara pra reinar, tentando quem sabe conhecer o seu reino.
A vida dura e o futuro incerto, gravado já das gerações passadas, nao tiravam o brilho nos olhos do camponês. Brilho esse que radiava puramente quando a via, em sua torre, mesmo que de longe, em seu vestido alvo, seus cabelos negros e seu rosto liso e perfeito. E a cada brilho intenso, a esperança se fazia crescer, como que uma força, em quem sabe um dia, poder vê-la de perto, por além daqueles muros, daquela torre, da distância que os separava.
A princesa, por decretos e normas, nao descia às vilas nem aos campos, não acompanhava o rei e a rainha em suas jornadas pelos rincões sem fim das glebas de suas posses. Ficava ali, de cima, observando e participando apenas das confraternizações dentro dos tão bem guardados muros e portões do castelo. Ela era um rosto a distância pra ele, e ele, um rosto sem rosto pra ela.
Mas, mesmo ciente de que nunca a veria de tal modo perto de si, encontrava-se então, com seu semblante ali, de manhã, dia a dia. Dali, ao menos, os guardas e a nobreza não o incomodaria, nunca, tampouco saberia dos seus íntimos e puros pensamentos. Contemplava a beleza de sua princesa sozinho, porém livre, livre até de si mesmo, já que sendo, voava do chão à torre em devaneios cálidos e impossíveis.
Apesar do sonho bom, à tarde, na volta do dia, seus pensamentos tristes o empurravam para a realidade da vida, onde, sem chão, sem berço, sem história, esbarrava em sua parte e também na parte do dia que mais detestava: a parte onde se lembrava de quem era, e onde estava. Então, adormecia, sozinho, mas não mais livre, e sim aprisionado e sufocado por uma realidade crua, triste e impiedosa.
Ao acordar, sempre, não se sabia porque, a disposição já era a melhor possível, e a esperança e o brilho o impeliam a ir em frente, e sonhar, tentar, ao menos, voar na liberdade de seu pensamento... e seguindo o ritmo alucinante do trabalho e da disposição, voltava ao seu sonho, e a ficava olhando, novamente, de longe.
O tempo passou grandiosamente rápido, mas o camponês mantinha o coracão jovem, e vendo a princesa de longe, hoje, tão mulher, tão feita, já se preparando pra reinar, ainda mantinha igual o jeito de vê-la: a bela menina de traços perfeitos de outrora.
Um dia, já perdido em pensamentos práticos dessa vida, cabisbaixo e não tão sonhador, o camponês parstoreava perto do riacho que vinha dos rumos do castelo, junto a margem da estrada florida do bosque esverdeante, quase na divisa com o território real. Distraído em seu trabalho, vez ou outra abaixava-se e colhia alguma rosa, e a ficava olhando e apreciando suas cores, sua beleza, seu perfume. Num vago e rápido pensamento, lembrou de sua princesa distante, e num suspiro entristecido, olhou ao longe a estrada florida.
Sua imaginação já estava lhe deixando louco??? Estava vendo quem realmente pensava que via??? ali??? Tão perto???
Não. Não estava louco, vindo em seu cavalo branco em crinas esvoaçantes pela brisa perfumada do bosque, via a princesa e sua dama de compania, e um sem fim de guardas reais e sentinelas da corte. Tonto e sem rumo, sem sentido e emocionado, não viu que caminhava devagar para o leito da estrada, para vê-la, como sempre quis, de tão perto... Mas o "tão perto" que nunca imaginava ser assim tão real, o deixara meio sem noção, e já à beira da estrada, tropeçou em uma pedra escondida em meio as flores, e sem ter tempo de se apoiar, dando por si, caiu na estrada, empoeirando-se na frente dos cavalos e guardas reais.
Sem tempo de ao menos se levantar, logo foi cercado não se sabe por quantos guardas, e tendo a visão bloqueada e em perigo iminente de ser preso, quiçá morto pelos guardas, só tentava olhar além da parede humana de caras blindadas que se formou ao seu redor, pra ver seu sonho distante... Mas, ao se dar conta do que aconteceu, de súbito, ajoelhou-se e esperou ser batido, amarrado. O que realmente o iam fazer. Quando de repente então, algo tão inóspito e inesperado aconteceu. Estava ele tendo alucinações? Estava morrendo e ainda não tinha certeza do que se passava? Mas o que ouviu foi real. A princesa, conteve o ímpeto de seus guardas, e surgiu, com voz doce e macia, dentre os homens, ali ao chão, em sua frente, estendendo-lhe a mão para que ele se levantasse. Ao que levantou, perguntou-lhe onde tinha encontrado aquela flor tão bela... e atordoado pela pergunta, não sabia responder, mas ao olhar a sua própria mão, viu que carregava uma orquídea que tinha colhido há pouco e, sem jeito, sem olhar, ofereceu a flor a princesa. E pegando ela a flor, disse nunca ter visto assim dentro do castelo flor tão linda. Ele, tremulamente e também timidamente num murmúrio disse que talvez por ela nunca ter saído a passeio pelo bosque, nunca passeava às margens dos campos floridos além dos muros do seu castelo.
Ela por sua vez respondeu que não, que nunca teve um passeio sozinha, sempre ia dentro das carruagens, acompanhada de mil guardas e pessoas da nobreza, que a sufocavam.
Ao olhar os olhos de sua princesa diretamente, pela primeira vez, notou que um sentimento simples e uma vontade de liberdade irradiava, o que não era feito, pensou ele, pelo simples fato de ela ser uma mera peça de um sistema pré-estabelecido. E, já sem notar a presença dos guardas ali, pediu-lhe, convidou-lhe para um passeio no bosque... ver as coisas do seu "além muro".
O que a princesa, a contra-gosto da dama e seus guardas aceitou, só pedindo que esperassem ali, no mesmo lugar, e junto com ele, partiu a passeio bosque adentro. Olhavam as flores, os campos, animais, rios e pássaros... o ar tinha cheiro de natureza pra ela, e pra ele, cheiro de princesa... agacharam-se juntos e colheram rosas, orquídeas, flores e frutas silvestres. Num campo de grama florida, correram contra a brisa fresca e com os pés sob as painas rosáceas da grama, caíram juntos e deram risadas largas e gostosas, puras, espontâneas... nos olhos da princesa uma alegria nunca dantes vista dentro daqueles muros, se via agora, e nos olhos do camponês, um sonho de que não queria ser acordado, se via... principalmente após a princesa o dar a mão, e juntos correram com liberdade pela terra, bosque adentro, de mãos dadas, falando e sorrindo. Ele, guiando sua princesa pelos caminhos do bosque, e ela, contando sua vida enfadonha e ritual de dentro dos muros. Ambos felizes, por saírem momentaneamente dos seus mundos de sonhos e estarem vivendo suas realidades desejadas: a liberdade da felicidade.
Ela, já atrasada, pediu que a levasse aos seus, ele, não aceitando acordar do seu sonho de agora, chorou e lhe disse que aquele dia tinha sido o mais feliz de toda a sua vida. O dela também... e montando em seu cavalo, partiu, levando dele a orquídea tão linda, estrada a fora, com seu cabelo revolto ao vento em cima do cavalo, e ele, ficou de novo em sua realidade crua e impiedosa... e por todo o seu sempre, aqueles campos floridos tinham a partir daquele dia, pra ele, apenas o cheiro daquela flor, aquela flor simples, linda, suave, que o destino quis que nascesse dentro dos muros do inatingível.

Escrito por Alexandre Andrade às 15h48
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SOFRENDO EM CANÇÃO

Tão longe sinto seu coração bater
Tão longe, triste, sei que não é pra mim
Vejo em seus olhos, pelo papel, a alegria de viver
E os meus olhos, hoje sem céu
choram por eu não lhe ter.

Faz muito tempo que ouvi e acreditei
O seu sorriso, parecia não ter fim
Que então, tão rápido eu me apaixonei
Mas o engano, me fez sofrer
ele era seu, e não pra mim

Pensei que estavas tão perto de mim
Pensei que nós por um momento
Éramos dois apaixonados enfim
Mas o amor, cruel amor
É uma via de duas mãos
Não tem sentido, buscá-lo então
em uma só, de contra-mão

Não vire pra trás, não olhe pra mim
Continuarei sem sua pena
Eu sei que vou me encontrar
E também a alguém que valha a pena
Mas se o destino quiser assim
me dar você; pode até ser
Mas serei feliz
Serei feliz...
mesmo sem você!


Escrito por Alexandre Andrade às 15h46
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PENSAMENTO ESPARSO #1

Conectado por cabos, fibras e fios, aos poucos a tristeza vai se esvaindo e o coração vai voltando ao velho estado poético-esperançoso-apaixonado. De caminhos, idas e vindas, minha vida expus... e agora longe, novamente os olhos reveem a luz... a luz castanha que brilha e faz brilhar. O mistério não impede o navegador de ir além-mar. O mistério seduz. O mistério fascina. O que seduz, sua luz, fascina também. E vejo em mim o reflexo da esperança e a alegria do amor. E de "Belle Epoque e HI-TECH" vou vivendo a sensação de amar você...

Escrito por Alexandre Andrade às 15h44
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FRASES

Há um mistério apaixonante em sua voz
Que de doce, terna e meiga
abraca os ouvidos de todos nós
Quem seria essa menina moça
que nos faz sentir saudade?
Saudade de um bem querer
Saudade, a palavra exata
que com vontade e amor
nos leva a uma tristeza de repente
e arrebata
mas, que de triste é só pela falta
Menina dos olhos multicor
quem, me conte, inventou esse amor
que carregamos todos por você
e não nos deixa por minuto lhe esquecer?

Escrito por Alexandre Andrade às 15h43
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BONECA DE PORCELANA

O sótão empoeirado e com sedas de aranha denunciava a solidão que reinava ali há tempos. A organização prática do interior não afastava a visão de abandono do lugar. O pó cobria os panos que cobriam as mobílias, e não havia luz, senão apenas alguns filetes que atravessava algumas frestas do telhado, aqui e ali.
Entrei com cuidado, retirando uma ou outra teia de aranha que caía do teto, soprando e espanando o pó que jazia sobre alguns objetos. Com cuidado, fui dando aos poucos, ao lugar, uma cara mais visível e menos sombria. Em pouco tempo já nao se fazia triste e começava a se mostrar de uma beleza rara a ser descoberta.
Totalmente limpo, pude ir visualizando e me encantando: móveis finos e rústicos, misturados ä objetos de decoração antigos e quadros variavam o toque, que ia do rude ao suave, sempre muito belo. Num canto esquecido, ao lado de uma lareira inativa provavelmente há muito tempo, vi um baú trancado, todo em couro trabalhado e com cantoneiras em bronze. Curioso, quis saber o que podia se encontrar ali dentro... parecia um baú desses que aparecem em contos e filmes, e com paciência, fui trabalhando as dobradiças enferrujadas e duras, e abri o baú. Lá dentro, totalmente coberta de poeira fina, encontrei-a quebrada, seus cacos espalhados no fundo... mesmo assim, visualizei a beleza por completo, pelas partes, e com uma calma e amor artesão, fui colando os pedaços, devagar, com paixão...
Grande tempo levou, que até mesmo me fez ver, que difícil que foi, mas, o trabalho valeu, pois do quebrado há pouco, o que vi, não me continha, diante de tamanha beleza. Inteira, ela, agora se mostrava, refeita e de grande valor aparente, valor de fato aqueles que amam. Dos cacos que eram, inteira ficou.
Importante, bela, brilhante, hoje embeleza com viço minha casa. Apelidei-a de pequena juliana, com carinho conquistada, a bela boneca, de porcelana.

Escrito por Alexandre Andrade às 15h42
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LÁBIOS DE CAPUCCINO




Rapidamente abri a porta e entrei depressa, fugindo da chuva forte que caía lá fora. Ao entrar e olhar dentro do Caffé D'itállia, percebi que o ar estava diferente dos outros dias. O ambiente estava completamente opaco, onde se misturava a fumaça exalada dos cigarros junto com o calor úmido desprendido das pessoas que conversavam animadas, dando um ar de típico café italiano dos velhos tempos. Também, não era de se estranhar pois hoje estava lotado ao extremo, e todas as janelas e portas fechadas devido ao forte temporal do lado de fora. Girei os olhos rapidamente a procura de uma mesa livre e constatei que até o balcão estava totalmente tomado de pessoas, mas para minha alegria ainda tinha uma mesinha perto da "juke box", ao lado da porta de entrada principal. Sentei-me e pedi capuccino com croissant, abri o jornal e comecei a ler as notícias do dia (apesar de ser fim de tarde, era a hora que gostava de ler o meu jornal ali no café). Mas não conseguindo me concentrar na leitura, sempre olhava sobre o jornal pra ver como estava bonito e diferente o Caffé. Aquele temporal no fim do expediente trouxe muitas pessoas pra dentro, coisa que nunca tinha visto até então. Voltei a vista pras notícias e senti o jornal quase vir ao meu rosto devido a rajada de vento que veio da porta, ao ser aberta, juntamente com borrifos da chuva, que estava muito fria por sinal... Ao enxugar o rosto com o lenço, olhei de relance pra porta e vi aquela mulher entrando imponente, de cabelos negros e brilhantes, seu rosto molhado e sua pasta pingando, e ela tentando inutilmente se enxugar com as mãos, em igual estado. Passou a mão pelas pernas morenas, tirando o excesso de água, balançou os cabelos, e olhando em volta, localizou o banheiro feminino atrás da minha mesa, porém, o semblante mostrou desapontamento ao ver que não tinha sequer uma mesa livre. Mas vindo em direção ao banheiro, e tirando o paletó de seu tailleur, deixando a blusa branca ensopada mostrar toda a beleza de seus seios quase a mostra, pediu-me pra deixar o paletó na cadeira ao lado, enquanto se enxugava no banheiro... Nisso chegou meu capuccino, juntamente com ela, já com rosto e pernas secas, e o cabelo molhado. Pediu pra sentar-se, o que atendi rapidamente, puxando sua cadeira. O brilho dos seus olhos negros refletia descontentamento ao olhar sua pasta com documentos toda enxarcada ali em cima da mesa. Levantei as sobrancelhas e cerrei o cenho como se dissesse: "fazer o que? Esperar a chuva..." e perguntei se não queria um café. Com um sorriso amarelo ele acenou que sim, perguntei qual, ela disse o mesmo. Quando chegou o capuccino, ela me explicava que ia embora, normal pra aquela hora, hora de fim de expediente, e praguejou contra a chuva, sorriu pelos seus cabelos, de seu estado, mostrando a blusa molhada, que insistia em mostrar seu belo corpo... as pernas arrepiadas pelo frio... ela ria, e praguejava, num misto que me fazia alucinar com tal beleza. Conversamos sobre trabalho, ela sobre trabalho, eu hipnotizado pelo seus olhos. Ao ver as pessoas saindo, do bar, automaticamente ela se levantou, dizendo que tinha de ir. Mas, e o café, você nem tocou - disse eu - ela sorriu. Agadeceu-me com uma meiguice sem tamanho, pegou o paletó, vestindo-se, levantou a chícara de capuccino já frio, molhando os lábios com a espuma cremosa. Seus lábios ficaram com aquele creme em volta, creme de capuccino que se misturava as minhas mais profundas fantasias. Lindos, pedindo um beijo pra limpá-los, e virando, ela se foi, restando pra mim, que fiquei sem saber seu nome, uma rajada de vento e mais um borrifo de água fria na cara...

 

 


Escrito por Alexandre Andrade às 15h40
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